A agência agêntica
Por que a vice-presidência de criação virou uma vice-presidência de AI app builder
O mercado publicitário está em uma encruzilhada. A tradicional dicotomia entre criação (focada em craft e prêmio) e performance (focada em click e ROAS) está sendo implodida pela ascensão da inteligência artificial agêntica. O novo modelo de agência não é mais uma fábrica de campanhas, mas um AI app builder (construtor de aplicações de IA), em que o processo criativo é uma linha de produção de ativos financeiros otimizados para o bottom line das marcas.
A mudança exige uma reestruturação radical: a vice-presidência de criação precisa incorporar uma visão de engenharia de sistemas, e os briefings devem ser tratados como um problema de otimização de Lifetime Value (LTV) e Return on Ad Spend (ROAS), integrando meios e canais.
O fim do oceano: IA como destilador de tensão cultural
O primeiro passo para a “agência agêntica” é a disciplina e o olhar dos dados. O processo criativo tradicional, como detalhado em métodos de alta performance, ensina que “briefing bom é balde, não oceano”. A IA agêntica industrializa essa disciplina.
Em vez de gastar semanas em benchmarks pasteurizados, plataformas de IA como o NotebookLM podem processar vastos repositórios de dados (relatórios, brand books, pesquisas de mercado, dados de CRM) e destilar instantaneamente o “balde” de tensão cultural que a marca precisa dominar.
A IA não substitui o insight humano de que “o produto raramente é o tema; o tema é a tensão humana ao redor dele”. Ela apenas acelera a chegada a esse insight com precisão cirúrgica, liberando o criativo para focar no ponto de vista e no exagero coerente que transformam a premissa em conceito.
A nova VP de AI app building
A nova arquitetura de agência exige que a liderança criativa seja uma vice-presidência de AI app building.
Sua função não é mais apenas aprovar layouts, mas gerenciar o pipeline de agentes de IA que constroem a comunicação da marca e o seu ecossistema.
A integração de ferramentas NoCode, como Lovable, permite que a agência crie AI apps customizados para as marcas, serviços e produtos. Um AI app pode ser um agente de personalização criativa que, a partir de um master creative humano, gera milhares de variações otimizadas para diferentes canais (CRM, martech, mídia programática). É aí que a vice-presidência de criação ganha o jogo: no sistema, não no processo.
Essa visão unifica:
• Criação: define o master creative e o tom (“o que soa real”).
• Planejamento: define a regra de negócio e o contexto de entrega.
• Performance/growth: fornece o feedback loop de ROAS e LTV para o agente de IA.
O resultado é que a criatividade se torna um ativo financeiro dinâmico. A agência deixa de vender horas de trabalho e passa a vender sistemas de crescimento que garantem que cada real investido em mídia tenha o maior retorno possível.
LTV e ROAS como métrica de arte
O grande diferencial da “agência agêntica” é a subordinação da criatividade às métricas de negócio mais sofisticadas.
• Lifetime Value (LTV): a IA garante que a mensagem não apenas converta, mas construa um relacionamento de longo prazo. O agente de personalização criativa é treinado para otimizar a comunicação em cada etapa da jornada do cliente, do primeiro clique à recompra, aumentando o valor total que o cliente traz para a marca.
• Return on Ad Spend (ROAS): A integração em tempo real com growth analytics e martech permite que o agente de IA ajuste o criativo que está performando abaixo do esperado, garantindo que o ROAS seja maximizado em cada micro campanha.
• Market share: Ao garantir que a comunicação seja hiper-relevante e entregue o maior LTV, a agência constrói uma vantagem competitiva sustentável, aumentando o share of wallet e o share of market da marca.
A vice-presidência de criação não pode mais se dar ao luxo de ignorar a engenharia de dados.
A nova regra é: a ideia somente é boa se for escalável, agêntica e financeiramente otimizada. O craft continua sendo o motor, mas a IA é o turbo que o leva à escala e à precisão que o mercado financeiro exige.
A transição para a “agência agêntica” não é uma opção, mas uma necessidade estrutural. O modelo atual está focado em vender o conceito, e não em aplicar as necessidades reais de custos e resultados. O futuro da publicidade está na capacidade de transformar o processo criativo humano, e usar o Method Breakdown, em um sistema de IA autônomo que opera com a disciplina e o foco em resultados de uma fintech. Não basta ter um Nizai para salvar a colheita, é preciso plantar servidores que possam escalar a criatividade.