Mídia

Cauã Reymond: “O cinema se misturou com a televisão”

Ator e empresário faz leitura do audiovisual, relação com a publicidade e traça perspectivas para a carreira

i 3 de fevereiro de 2026 - 6h03

Pouco depois do fim de Vale Tudo, em outubro, o ator Cauã Reymond partiu para as gravações da série Jogada de Risco, série original Globoplay da qual participa na frente e atrás das câmeras.

A produção retrata os bastidores do futebol profissional e está prevista para estrear ainda este ano.

Também no segundo semestre do ano passado, deu mais um passo na jornada como empresário e apresentou a marca de cosméticos voltada para o público masculino, ReYou, da qual é sócio.

Reymond, de fato, já é investidor da Aceleraí, de marketing digital, e da Biosphere, voltada para a assessoria de espaços de saúde e bem-estar em empreendimentos imobiliários.

Cauã Reymond

Cauã Reymond segue carreira também nos bastidores de produções audiovisual e nos negócios (Crédito: Reprodução)

Entre o audiovisual e os negócios, o ator revisita sua trajetória na televisão, analisa a evolução do setor — com destaque para a publicidade atrelada a esse ecossistema — e comenta os próximos passos da carreira:

Fusão de mídias

Há dois ou três anos atrás eu estava mais surpreso com essa intersecção. No começo da minha carreira, quando trabalhava ainda como modelo – trabalhei três anos, por um período curto, quando meu pai me falou para tentar estudar para me tornar ator – nunca tinha pensado nisso. As pessoas, agora, enxergam com naturalidade, mas naquela época podia ser que só uma ou outra pessoa saísse da carreira de modelo, ou até outra, para ir para frente das câmeras e se tornar um ator ou uma atriz.

Hoje, no entanto, com o passar dos anos, o cinema se misturou com a televisão. As redes sociais se misturaram com a televisão. Temos a chegada agora das novelas verticais, vários modelos de audiovisual, roteiros sendo preparados exclusivamente para um público que assiste televisão aberta e que é mais esperto hoje em dia, de como fazer a pessoa voltar para a história quando volta a atenção para o que está acontecendo na televisão ou mesmo no smartphone ou iPad.

O folhetim já tem essa característica da repetição. O cinema e a série já tem característica diferente na forma de consumir. Vejo como evolução.

Publicidade e público

Nesses últimos cinco anos, fiz três novelas — Lugar ao Sol, Terra e Paixão e agora, Vale Tudo — e fui vendo a evolução. Trabalhei com clientes em todas elas e vi como, às vezes, no break, o personagem vende um produto.

Na primeira vez, me deu um choque. Pensei: “Mas meu personagem não faria isso”. Agora, vejo uma liberdade até na forma como o público consome. Acontece já com naturalidade. Não vejo com estranhamento, mas mais como uma coisa muito orgânica, principalmente entre as gerações mais novas, que já nasceram na redes social.

Sou um homem de 45 anos e vejo a minha geração também já muito acostumada com tudo, inclusive um pouco dependente. Questionamos o quão saudável é e quantas horas passamos em frente à uma tela. Estou muito curioso para entender como vai ser a chegada da inteligência artificial e como o público vai reagir a tudo isto, tanto no lugar da dramaturgia, óbvio, que é minha profissão, e já há muitos anos, como agora como empresário, empreendedor, entendendo como usamos isso a nosso favor.

Relação com as marcas

A ação com Omo em Vale Tudo, por exemplo, veio através da Globo. É um merchandising que, a cada vez, toma um formato diferente. Nos associamos da melhor maneira, estudando, vendo o histórico da marca, entendendo como o público recebem o que está acontecendo, quem são as outras pessoas que já fizeram propaganda para a marca ou marcas semelhantes com a mesma proposta, entendendo se são pessoas que achamos legal ou não.

Na verdade, venho fazendo isso há muitos anos. O mercado muda muito rápido.

Hoje em dia, o público, dependendo do assunto, tem opiniões muito fortes e contundentes. É um lugar onde temos que estar sempre atentos.

Merchandising na televisão

Claro que, quando estamos trabalhando dentro de um produto como a novela Vale Tudo e para os próximos produtos da Globo, inclusive a nossa série, estamos estudando como incluir o merchandising. Devemos estrear em junho ou julho. Assim, conseguimos falar com o cliente, apresentar o projeto e trazer ele para dentro.

Quando se produz uma série, não sabemos quando será lançada, é muito difícil trazer uma empresa em termos de merchandising sem data de lançamento.

Na novela, contudo, isso já é muito mais fácil, já que vêm a cada sete, oito ou nove meses. Sou um super parceiro e facilitador da emissora. O que eu puder fazer para ajudar essa comunicação e trazer mais marcas para dentro do projeto, farei.

É importante porque, além de ser positivo para o produto que está chegando e quem quer entrar na nossa história, é bom para todo mundo, porque a empresa e todos os funcionários saem ganhando.

Perspectivas na carreira

Não vou mentir, tenho inveja de quem consegue organizar sua visa, suas viagens.

Estou conversando sobre projetos no qual eu possa a vir trabalhar. Estou produzindo um filme para o segundo semestre do ano que vem, de um diretor que tenho muita, muita admiração. Podemos falar sobre isso mais para frente. Continuo a minha caminhada no audiovisual.

Em 10 de janeiro, terminamos a Jogada de Risco e já pensamos em uma segunda temporada. Sempre pensamos nessa continuidade, mas isso depende da recepção do público. Mostramos um trechinho para algumas pessoas da emissora, do Globoplay, porque é uma série original, e as pessoas estão gostando. É um assunto muito rico – os bastidores do futebol nunca foram retratados da maneira como eu via.

Estou muito feliz de conseguir me aproximar, mesmo através da ficção, de uma curiosidade do brasileiro, do latino-americano e do mundo inteiro, porque futebol passou a ser paixão mundial.

Durante a entrevista, pensei: “Às vezes, tenho uma fantasia de virar só empresário”, mas nunca vou conseguir. Sou apaixonado pelo que eu faço.

Às vezes, tenho fantasia de dar um tempo do audiovisual, mas não consigo. Quando meu telefone toca e é um bom projeto, uma diretora legal, eu vou.