Como o ChatGPT quer se aproximar dos influencers no Brasil?
Novo líder de comunidade, criadores e talentos da OpenAI, Christian Rôças conta como a plataforma de IA quer se aproximar da creator economy

(Crédito: Shutterstock)
Na semana passada, a OpenAi anunciou a contratação de Christian Rôças, conhecido no mercado publicitário como Crocas, para compor a equipe que a empresa começa a estruturar no Brasil.
Na companhia, que é dona do ChatGPT, Crocas será líder de comunidade, criadores e talentos, uma função criada especialmente para o mercado brasileiro e voltada, também, a aproximar a plataforma de inteligência artificial da creator economy em toda a América Latina.
“Existe hoje uma comunidade enorme usando a ferramenta de maneiras muito inventivas, muitas vezes sem manual, de forma autodidata. Meu papel não é criar esse movimento do zero, mas escutar, aprender com quem já está fazendo e ajudar a organizar esse ecossistema para que ele cresça de forma saudável e sustentável”, diz Crocas, em rápida conversa com Meio & Mensagem.
Crocas integra um time que já conta com Maria Clara Fleury Osorio, anunciada no início de janeiro como como head de marketing da OpenAI para a América Latina.
Todo esse movimento tem o objetivo de estruturar a empresa para o início da fase de comercialização de publicidade no ambiente do ChatGPT. No último dia 16, a plataforma de IA comunicou que os primeiros testes de formatos de anúncios deverão acontecer nos Estados Unidos nos próximos meses em contas de usuários adultos nos planos gratuito e Go. Inicialmente, a exibição será feita na parte inferior das respostas.
Em paralelo ao trabalho com o mercado publicitário, a empresa também sinaliza que pretende voltar a atenção aos influenciadores, aproveitando seu engajamento com as comunidades para impulsionar a plataforma e seus eventuais negócios.
Segundo Crocas, a escolha do Brasil para liderar as estratégias de creator economy no continente é resultado de um movimento natural, decorrente da relação que os brasileiros já têm com o ChatGPT.
Nesta entrevista, o executivo, que tem no currículo diversos trabalhos nas esferas de produção de conteúdo e creator economy, explica qual será sua função e como a OpenAI quer levar os influenciadores para o ChatGPT. Veja:

Christian Rôças, conhecido como Crocas, terá a função de liderar os pilares de comunidades e talentos da OpenAI na América Latina (Crédito: Divulgação)
Meio & Mensagem: Sua função é voltada ao desenvolvimento do pilar de creator economy. De que forma esse segmento será trabalhado no universo do ChatGPT?
Christian Rôças (Crocas): Quando falamos de creator economy dentro do ChatGPT, o primeiro passo é reconhecer o que já está acontecendo. Existe hoje uma comunidade enorme usando a ferramenta de maneiras muito inventivas, muitas vezes sem manual, de forma autodidata. Meu papel não é criar esse movimento do zero, mas escutar, aprender com quem já está fazendo e ajudar a organizar esse ecossistema para que ele cresça de forma saudável e sustentável. Isso passa por abrir diálogo, criar espaços reais de troca e desenhar iniciativas que apoiem criadores no uso da IA como ferramenta de trabalho, de expressão e de aprendizado. Eu vejo o ChatGPT como um ampliador de criatividade muito potente. Ele ajuda a testar linguagens, destravar processos, explorar formatos e pensar de novas maneiras. A ideia é apoiar essas múltiplas formas de criação, respeitando a identidade de cada criador e reforçando a IA como aliada, não como substituta, da criatividade humana. Pensar no que dá para ser feito somando a potência da comunidade e dos talentos e a amplitude de oportunidades ainda não exploradas que o ChatPGT traz.
M&M: De sua experiência em plataformas e com marketing de influência, o que de mais importante você leva para seguir trabalhando esse pilar, agora no ambiente de inteligência artificial?
Crocas: O principal aprendizado que levo é simples, mas exige disciplina: comunidades se constroem com escuta, confiança e tempo. Trabalhar com creators, comunidades e talentos exige um olhar e um investimento de tempo para construir relação, contexto, confiança e impacto cultural. Isso valeu nas plataformas e vale ainda mais no ambiente da inteligência artificial. Ao longo da minha trajetória, trabalhei com criadores, artistas e plataformas em contextos muito distintos, como Copa do Mundo, Olimpíadas, Carnaval, música e entretenimento. Em todos eles, criatividade, timing e linguagem eram decisivos. Isso me ensinou que tecnologia só ganha relevância quando se conecta aos códigos culturais de cada comunidade. No universo da IA, essa lógica se mantém. O ChatGPT não é apenas uma ferramenta técnica, é um novo espaço de criação e colaboração. Meu papel é ajudar criadores e talentos a integrar a inteligência artificial aos seus processos criativos, dialogando com linguagens que já existem e, ao mesmo tempo, abrindo espaço para novas formas de expressão ainda não exploradas.
M&M: O Brasil foi escolhido pela OpenAI para liderar esse desenvolvimento de ecossistema de creators na região. Como vê esse protagonismo regional do País?
Crocas: Esse protagonismo do Brasil acontece de forma muito natural. É um mercado criativo, conversacional e aberto à experimentação. O brasileiro testa, adapta, mistura e ressignifica tecnologia com muita rapidez. Isso já aparece claramente na forma como o ChatGPT é usado no país hoje. E uma comunidade já muito interessante, interessada e capaz de ser exemplo e farol para muita gente pelo mundo. Existe aqui uma energia criativa forte, uma cultura de troca e uma disposição para aprender fazendo. O Brasil já é um dos maiores usuários do ChatGPT no mundo, então partir daqui para desenvolver esse ecossistema é reconhecer um papel que o país já exerce na conversa global sobre tecnologia. Minha intenção é ajudar a transformar esse protagonismo em iniciativas concretas, com impacto real para creators, talentos e comunidades no Brasil e em toda a América Latina.
