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O novo consumidor AI-native e o futuro do e-commerce

O novo consumidor não está apenas online. Ele está se tornando AI-native - um comprador cujo comportamento e expectativas de compra são moldados e integrados desde o início

Alejandro Vázquez

cofundador e presidente da Nuvemshop 15 de janeiro de 2026 - 14h56

Por décadas, o varejo evoluiu por ciclos: da melhor localização física ao feed mais atrativo, do tráfego mais qualificado ao checkout mais eficiente. Em 2026, uma nova disrupção se impôs, e ela começa antes da compra, antes do clique e até mesmo da loja: começa na conversa. O novo consumidor não está apenas online. Ele está se tornando AI-native – um comprador cujo comportamento e expectativas de compra são moldados e integrados desde o início por interações com a inteligência artificial (IA).

Esse conceito foi um dos destaques do terceiro dia da NRF 2026, em Nova York, e carrega um significado de impacto. O consumidor AI-native não busca mais produtos diretamente. Ele inicia sua jornada com objetivos (“quero dormir melhor”, “não quero um colchão X”, etc.) e espera que uma IA compreenda seu contexto e recomende soluções. Esse consumidor quer respostas justificadas, resoluções rápidas, e não mais listas infindáveis. Isso muda o varejo na base: a disputa não é mais por tráfego — é por presença na conversa que antecede a decisão.

A jornada clássica de compra — descoberta, comparação, decisão e fidelização — está sendo comprimida. As interações que antes exigiam múltiplos cliques e abas agora cabem em uma troca de mensagens com um assistente. Esse novo “shopping center” não é um site, mas uma interface conversacional. E ela já movimenta milhões de interações diárias com potencial de compra.

O desafio para as marcas não é apenas tecnológico, mas estratégico. Como ser relevante em um ambiente onde o ponto de partida da jornada não está sob seu controle direto? Como garantir que a IA recomende seu produto quando o consumidor pede ajuda para decidir?

E é aqui que o modelo Direct-to-Consumer (D2C) traz diferenciais em relação ao varejo massificado. No D2C, a marca é dona da conversa e o modelo de venda direta não é apenas um canal de margem maior; é uma infraestrutura de captura de intenção. É o único modelo de e-commerce que entrega dados necessários para alimentar uma IA que não seja genérica.

Nesse sentido, marcas que querem ampliar sua presença no e-commerce, sobretudo no modelo D2C , nesse novo cenário precisam repensar três dimensões:

1. Utilizar dados como ativos de marca e experiência

A IA não improvisa: ela recomenda com base no que consegue interpretar. Ter descrições completas, categorias bem definidas e diferenciais claros é fundamental para ser compreendido por assistentes inteligentes. Na Nuvemshop, temos investido para que marcas organizem melhor suas informações, tornem seus catálogos mais legíveis para sistemas automatizados e otimizem sua presença nos canais digitais mais relevantes.

2. A conversa é o novo checkout

Quando a jornada começa numa conversa, a marca precisa estar presente e acessível nesse momento. A Nuvemshop tem incorporado recursos que permitem que consumidores descubram, conversem e comprem sem sair do ambiente em que estão — como o WhatsApp ou redes sociais — reduzindo o atrito e aumentando a taxa de conversão. Essa fluidez entre canais é hoje parte essencial da estratégia de quem quer ser escolhido rapidamente, sem perder profundidade na relação.

3. Automação relevante e humanizada

O novo consumidor valoriza agilidade, mas sem abrir mão da personalização. É por isso que trabalhamos para que nossas marcas tenham acesso a ferramentas que automatizam interações de forma inteligente, com base no comportamento do cliente, criando experiências de recompra, recuperação de carrinho e pós-venda mais relevantes. Também estamos facilitando o acesso a estratégias de frete, promoções e dados em tempo real para que as decisões sejam mais ágeis e precisas.

Na Nuvemshop, apoiamos mais de 180 mil marcas no Brasil e América Latina que vendem diretamente para seus consumidores, com canais próprios. Sabemos que vender mais não é apenas uma questão de tráfego — é sobre ser relevante antes, durante e depois da escolha.

O que vimos na NRF 2026 aponta que o e-commerce está deixando de ser apenas uma “loja digital” para se tornar parte de uma jornada contínua, orientada por conversa, contexto e recomendação. O ponto de partida da decisão está mudando, e as marcas que entenderem esse novo cenário terão uma vantagem estratégica.

Mais do que ferramentas, este futuro exige uma mudança cultural. A pergunta mais importante para qualquer marca hoje é: minha estratégia digital está pronta para ser encontrada e escolhida por um consumidor que começa comprando com perguntas, não com cliques?