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Opinião

Dez dicas para você não perder a corrida da inteligência artificial

A IA não é só mais uma tecnologia como outras e a maior barreira à sua adoção é a cultural


31 de julho de 2023 - 6h00

A IA não será perfeita. Mas será mais rápida e precisa do que nós sempre (Crédito: Shutterstock)

Bom, vou começar com uma má notícia: você já perdeu. Já perdeu porque nenhuma empresa, de qualquer indústria, conseguirá usar na integralidade e com todo o seu potencial tudo que a inteligência artificial pode e vai oferecer.

A boa notícia é que se você está me lendo aqui e não seguiu adiante, não por mim, mas pelo tema, isso é já um indicador de que está preocupado com o assunto: essa é a dica 1.

A primeira dica é: se você não se preocupar muito, tipo, perder o sono, com isso, você definitivamente vai entrar para a História. A história dos perdedores. Lembra da Kodak diante da fotografia digital. Então, é isso. Só que 100 vezes mais rápido.

A segunda dica é: priorize já a terceirização. Busque quem já faz. Claro que você, se tiver um time hiper premium de IA dentro de casa, pode ter a sua própria plataforma em, digamos, três a seis meses. Mas além de esse tempo ser uma eternidade na velocidade que principalmente a IA generativa passou a estabelecer, a chance é que você seja ultrapassado por tecnologias que já estão sendo desenvolvidas em todos os cantos do Planeta exatamente agora e que você dificilmente vai conseguir acompanhar com recursos próprios. Isso se você, como eu disse acima, tiver uma equipe bem f*** de IA. Se não tem (e acho que a esmagadora maioria das empresas não tem), a saída imediata é terceirizar.

A terceira dica é: busque soluções no Brasil e fora do Brasil. IA não tem nacionalidade. É um recurso tecnológico apátrida. E, hoje, a verdade é que uma parte gigante das soluções ainda não está sendo feita aqui no Brasil (com raras e louváveis exceções).

A quarta é: esteja pronto para conversar com empresas pequenas, startups. Os avanços nessa área estão ocorrendo em dois lugares: dentro das gigantes plataformas tech globais (são mais ou menos umas dez disputando cada qual com suas próprias armas, não muito mais do que isso) e todo o demais está sendo desenvolvido por startups. Por enquanto, o cenário é esse.

A quinta é: sendo assim, use também os recursos dessas grandes plataformas, se isso tiver a ver com você. Essa corrida entre elas é boa para sua empresa. Elas, de fato, têm as soluções que devem mudar e ditar as regras do jogo. E do futuro.

A sexta é: monte imediatamente uma equipe interna multidisciplinar que encare a parada de descobrir soluções, tecnologias ou criar produtos internos na sua empresa. Mas por favor entenda que IA é algo que perpassa a companhia inteira de ponta a ponta, interna e externamente. Todos os processos internos e todos os negócios externos da sua empresa terão que estar em linha com IA de algum jeito.

A sétima é: crie rotinas ininterruptas de discussões internas sobre o tema. Crie bibliotecas que todos possam acessar internamente sobre o assunto. Promova e/ou contrate cursos especializados (já existem). Faça reuniões para discutir o tema convocando todas as áreas da empresa. Chame gente de fora que manja do tema para falar para o seu time. Resumindo … CRIE CULTURA DE IA na sua companhia. Há um gigante desafio tecnológico pela frente, mas o maior desafio é cultural de adoção das mudanças necessárias. Acredite, não é tech, é cultura. Sua empresa é a maior barreira contra a IA. E contra ela mesma e seus negócios futuros.

Olha que legal o gráfico neste artigo da empresa de investimentos NFX (aliás, leiam tudo que esses caras publicam de conteúdo, sobre IA ou não). Ele mostra que uma das armas para se conseguir vencer a velocidade das transformações de IA é agilizar o aculturamento dentro das empresas (mostra também o papel das startups na questão da velocidade).

Fonte: NFX

A oitava é: como você pode ver no gráfico citado, sua empresa precisa ter agora o mindset de uma startup, adotando o modelo agile. Ou seja, teste e erre muito, mas teste e erre rápido. Como eles comentam … adote o modelo “fuck it” já.

A nona é: a IA não será perfeita. Mas será mais rápida e precisa do que nós sempre.

A décima é: como a IA não é gente, ela não está nem aí para politicagens, hierarquias, áreas de poder, egos, mal ou bom humor, procrastinação, dúvidas, inseguranças, enfim, tudo aquilo que nós humanos temos de sobra e que só ficam no caminho de tudo que é inovação com a qual nos deparamos. Ela atropela tudo isso, sem perder uma noite de sono. Até porque IA, não sei se você sabe, não dorme.

Falando em não dormir, não durma no ponto, você que me lê. Tenho visto muitos autores e textos (o gênio Marc Andreesen incluso) dizendo que IA é só mais uma tecnologia como tantas outras e que mudanças como esta que vivemos ocorreram já outras vezes na história. NÃO ACREDITEM NISSO, POR FAVOR!

Não, não é a mesma coisa. No mínimo, por duas questões únicas neste caso: velocidade e exponencialidade. Nunca, nada foi tão transformador, de forma tão profunda, abrangente e avassaladora, e tão rápida, quanto a IA cognitiva e, agora (meses atrás, confere?) a IA generativa. Nem mesmo o surgimento da internet.
Fuck it, my friend. Or the fucked will be you.

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