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Opinião

Ser diferente não é mais questão de escolha

Em meio à pasteurização da informação, não há tantas alternativas: seja original, único e relevante


31 de janeiro de 2023 - 6h00

Inteligência artifical de biometria por voz

Crédito: Shutterstock

E de repente, quando o mundo já se preparava para a chegada de 2023, apareceu o chatGPT. Alguns sinais de que a Inteligência Artificial daria um grande salto já vinham sendo sentidos, mas a verdade é que o lançamento da ferramenta aberta da OpenAI fez os líderes das empresas de comunicação reabrirem o planejamento do novo ano.

Pela primeira vez a máquina substitui o jornalista, o publicitário, o profissional de relações públicas e não faz feio. Tudo o que não requer criatividade, inspiração ou originalidade pode ser oferecido pela plataforma — que além de tudo é grátis. É claro que há ajustes necessários, que seria uma temeridade entregar tudo para a máquina e apenas cruzar os braços, ainda que já haja casos de sites de notícias commodity na Europa que, com apenas um profissional, consegue fazer uma boa produção — na conta do chatGPT — e até ganhar algum dinheiro com programática.

Foi o que bastou para gerentes de empresas de comunicação medíocres: agora o plano é demitir todos os jornalistas e automatizar absolutamente tudo — perdendo o único diferencial que poderiam ter, o talento humano. Além de virtualmente correrem o risco de uma severa punição do Google — que não admite produção por IA (nem cópia de outros veículos). O novo planejamento deveria ser exatamente o contrário: investir na qualidade, para ser diferente. Isso já não é uma escolha.

Se o conteúdo oferecido por agências de notícias já é o mesmo para meios de comunicação de Manaus e de Porto Alegre, se as fotografias publicadas são idênticas em Fortaleza e em Curitiba, como ser necessário e relevante, a ponto de fazer um indivíduo pagar pelo conteúdo? Sendo único, diferente, criativo — e local. Isso já estava claro no texto “Quanto mais tecnologia, maior a necessidade de sermos criativos”, publicado em dezembro aqui no Meio & Mensagem. Mas com a popularização do chatGPT a necessidade é ainda maior, como forma de sobrevivência.

A única maneira de ser diferente, então, é oferecer alguma narrativa exclusiva, específica, diferente, inteligente. E que isso seja percebido pela audiência. Opinião, por exemplo (por enquanto). Colunistas. Ou alguma forma original de contar histórias. Não será fácil.

O risco da desinformação em cadeia cresce. Uma notícia fake espalhada e compartilhada por muitos chegará à plataforma de Inteligência Artificial como uma verdade em potencial. E será também divulgada. Em ambientes onde o bom jornalismo se destaca — as grandes cidades e capitais, por exemplo — possivelmente a mentira terá vida curta, uma vez que os algoritmos entendem as marcas históricas como confiáveis. E elas desmentirão as fake news. Mas e em cidades pequenas? E nos desertos de notícias?

Sem dúvidas, 2023 será o ano da consolidação — e da regulamentação — do chatGPT. A ferramenta é tão potente que ninguém ficará imune a ela. Em meio à pasteurização da informação, não há tantas alternativas: seja diferente, seja original, seja único. E relevante.

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