Encontrabilidade na era de AI Search
Como competir quando a resposta vem antes do clique
A lógica da busca está passando por uma transformação silenciosa, porém profunda. A competição deixou de ser apenas por posição no ranking tradicional e passou a incluir um novo desafio: fazer parte das respostas geradas por inteligência artificial, o que traz camadas de complexidade ao trabalho de SEO. A jornada de busca ficou fragmentada, uma vez que parte dela ocorre em chatbots (como ChatGPT e Gemini), parte em buscadores nativamente embasados em IA (como Perplexity), e parte ainda no Google, que continua sendo a principal porta de entrada de tráfego orgânico para a maioria dos sites.
Em experiências como os AI Overviews e o AI Mode do Google, a resposta chega ao usuário antes mesmo do clique e muitas vezes sem que ele avance para um site específico. Isso redefine o conceito de encontrabilidade e exige das marcas uma revisão estratégica de como produzem e estruturam seus conteúdos.
Os sinais dessa mudança já são claros. O Google descreve que essas experiências baseadas em IA podem utilizar o chamado query fan-out, em que uma única pergunta é desdobrada em múltiplas buscas relacionadas para compor a resposta final. Isso resulta em um conjunto de links de suporte diferente daquele apresentado no modelo clássico de busca.
O efeito mais tangível dessa mudança é comportamental. Quando há um resumo gerado por IA no topo da página, a taxa de cliques em resultados tradicionais cai de forma significativa. Dados do Pew Research Center mostram que, na presença de AI Overviews, usuários clicaram em resultados clássicos em 8% das visitas, contra 15% quando não havia o resumo, sendo raros os cliques nos links dentro do próprio sumário. Além disso, ao longo de 2025, a presença desses resumos oscilou, avançando para além de intenções puramente informacionais e impactando jornadas que antes geravam tráfego mais previsível.
Nesse novo contexto, o “jogo” do SEO se torna mais simples de enunciar, embora mais exigente na prática. Ser a melhor página já não basta. É preciso ser a melhor evidência para a IA citar e, ao mesmo tempo, a fonte em que o usuário confia quando decide avançar. O próprio Google afirma que não existem otimizações especiais para aparecer em AI Overviews ou no AI Mode além de cumprir bem os fundamentos: requisitos técnicos, políticas e conteúdo útil, confiável e people-first. Na prática, isso reforça a centralidade do E-E-A-T, com autoria clara, credenciais verificáveis, revisão editorial consistente, uso de fontes primárias e sinais contínuos de reputação de marca.
Os formatos tradicionais de conteúdo, como guias longos e materiais com profunda expertise, não perdem relevância nesse cenário. Eles continuam sendo fontes relevantes, importantes tanto para citação quanto para a construção de confiança, além de funcionarem como hubs estratégicos para intenções de meio e fundo de funil. O que já não era recomendado permanece assim: conteúdos longos, porém genéricos, semelhantes àqueles que modelos de linguagem conseguem produzir em poucos minutos. Ganham vantagem conteúdos com originalidade real, dados próprios, benchmarks, metodologias, opinião técnica assinada e fundamentada, além de atualização constante.
Do ponto de vista técnico, dados estruturados e marcação semântica continuam sendo aliados importantes. Não como atalhos, mas como instrumentos de clareza e elegibilidade. Eles ajudam os mecanismos de busca a compreenderem entidades, relações e trechos relevantes, ampliando as chances de um conteúdo ser considerado em diferentes formatos de resposta. Seguir as diretrizes e manter páginas indexáveis, bem descritas e tecnicamente sólidas permanece essencial.
Por fim, o planejamento de conteúdo precisa considerar com mais atenção a lógica do query fan-out. Quando a IA desdobra uma pergunta em diversas subintenções – como definições, comparações, prós e contras, exemplos, passos, riscos e alternativas -, o conteúdo deixa de competir por uma única palavra-chave e passa a disputar espaço em um conjunto mais amplo de perguntas relacionadas. Isso favorece estratégias mais modulares, com páginas e blocos que respondam de forma objetiva a cada subtema, apoiados por FAQs, tabelas e checklists e estruturas que facilitem a extração da informação. Ao cobrir esse “mapa de perguntas”, aumenta-se a chance de ser selecionado ou citado e, quando o clique ocorre, de atrair um usuário mais qualificado.
Para quem atua com SEO há anos, o princípio não é novo: autoridade se constrói ao explorar um tema com profundidade, combinando conteúdos centrais e subtemas, além de chancelas externas obtidas por meio de branding e PR. O que muda, no contexto da busca mediada por IA, é a proporção e a importância estratégica dessa abordagem.
Na era do AI Search, competir não é apenas ser encontrado. É ser confiável, citável e relevante em um ambiente onde a resposta vem antes do clique.