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Be Local!

Nunca foi tão urgente entender os brasileiros dentro do Brasil.

Leonardo Lazzarotto

CEO da Tailor Media 6 de fevereiro de 2026 - 10h45

Entender o Brasil é aceitar que não existe um só país, mas muitos. Ainda é comum ver marcas e agências tratando a comunicação de forma centralizada, como se uma única narrativa bastasse para dialogar com todos os brasileiros. Mas a realidade é bem diferente — e rica demais para ser simplificada.

No livro O Brasil no Espelho, Felipe Nunes traz um retrato profundo do brasileiro atual, baseado em dados e pesquisas. A obra mostra como religião, classe social e região moldam opiniões, valores e comportamentos. A fé, por exemplo, influência desde o voto até o consumo. Ignorar isso é ignorar o país real.

A polarização política também se manifesta de formas distintas: nas capitais, o debate é digital e veloz; no interior, o rádio e a TV ainda pautam o cotidiano. Há memes em um canto e manchetes em outro. A comunicação precisa ler esses códigos locais com mais atenção.

Os hábitos de mídia também variam muito. Enquanto uma parte da população vive no streaming, outra segue fiel à programação da TV aberta. O WhatsApp é onipresente, o boca a boca continua decisivo — agora em versão digital. O Brasil opera em múltiplas frequências, e todas importam.

Quer entender o Brasil de verdade? Ouça o que o povo está cantando. Enquanto Caetano Veloso e Maria Bethânia ganham — com justiça — o Grammy de Melhor Álbum de Música Global, é o sertanejo que embala milhões todos os dias, do interior às capitais. Muitas vezes ignorado pelas elites culturais, o gênero traduz amores, dores e valores do brasileiro médio — e movimenta cifras gigantescas. Esse também é o Brasil.

Diante disso, globalizar não pode significar padronizar. Marcas precisam entender os códigos locais, respeitar sotaques, festas, tempos e contextos. É hora de sair do centro e olhar para as margens — que hoje movem a cultura, o mercado e a política. Comunicar com relevância é mais do que estar presente: é saber escutar, interpretar e pertencer.

O Brasil é plural. E as marcas se tornaram globais. Mas nunca foi tão urgente entender os brasileiros — dentro do Brasil.