Os impactos da carga extra de trabalho e o papel das empresas

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Opinião

Os impactos da carga extra de trabalho e o papel das empresas

As empresas são feitas de pessoas, e sem elas não conseguiremos nos desenvolver como sociedade


20 de dezembro de 2023 - 9h03

(Crédito: GoodStudio/Shutterstock)

A busca por múltiplos empregos como forma de complementar a renda é uma tendência crescente. Mas você já parou para pensar por que isso vem acontecendo e quais os impactos disso? Bem, moramos num país com mais de 78% de famílias endividadas e, com o aumento dos preços e o custo de vida cada vez mais alto, muitas vezes um único emprego não é suficiente para suprir todas as despesas. Ao buscar trabalhos adicionais, as pessoas têm a chance de fazer renda extra e melhorar sua qualidade de vida.

Além disso, existe um desejo de experimentar diferentes áreas de interesse e desenvolver habilidades variadas. Muitos acreditam que, ao diversificar suas atividades profissionais, é possível ter a oportunidade de explorar diferentes carreiras e descobrir novos talentos. Isso também pode ser benéfico para o desenvolvimento pessoal e profissional. Afinal, cada trabalho traz aprendizados únicos. 

A flexibilidade oferecida por essa abordagem possibilita que as pessoas consigam ser CEOs das suas próprias vidas, cuidar das próprias agendas e adaptar seus horários de acordo com suas necessidades. Essa flexibilidade é especialmente atrativa para aqueles que têm outras responsabilidades, como cuidar da família ou estudar. 

Mas, apesar das vantagens mencionadas, também é importante reconhecer os desafios envolvidos nessa modalidade de trabalho. Um dos principais é o desgaste físico e emocional causado pela demanda de várias atividades profissionais. Com diferentes horários e obrigações, as pessoas podem encontrar dificuldades para conciliar suas responsabilidades e se sentirem sempre sobrecarregadas.

Além disso, também há a diminuição da qualidade de vida devido à falta de tempo livre, uma vez que se dedicam por um grande período do dia ao trabalho, e podem acabar abrindo mão de momentos de lazer, descanso e convívio com familiares e amigos. Já vimos que a falta de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal afeta a saúde mental. 

Segundo dados do Google Trends, o Brasil é o 2º país com maior interesse na busca sobre o tema ansiedade nos últimos 12 meses. E em um país cheio de ansiosos, que busca cada vez mais empregos e tem cada vez mais famílias endividadas, como vamos lidar com tudo isso? Será que o mercado de trabalho está preparado para isso?

De acordo com a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), 52% dos trabalhadores brasileiros sofrem de ansiedade enquanto estão no trabalho. Os motivos podem ter diferentes causas, como excesso de responsabilidade, prazos curtos, pressão por resultados e assim por diante. Todo esse cenário pode contribuir para um mau rendimento do profissional.

Para isso, existem algumas possibilidades, que vão desde programas de saúde mental e física para os colaboradores até o treinamento de líderes para reconhecer os padrões dos seus liderados e promover dias de descanso, mudança no escopo de trabalho e até transição de área para que o profissional passe a ter uma melhor qualidade de vida e volte a restabelecer sua performance.

Estudo promovido durante o Congresso Nacional de Gestão de Pessoas (Conarh) aponta que 87% das empresas já registram afastamento por saúde mental em 2023. No entanto, uma pesquisa de 2018 da Isma-BR, representante local da International Stress Management Association, indica que apenas 18% das empresas mantêm um programa para cuidar da saúde mental dos trabalhadores. Já a consultoria Willis Towers Watson (WTW) pesquisou que de 2015 para 2021 aumentou em 33% o interesse das empresas em implantar ações de saúde e bem-estar na rotina dos colaboradores.

Ainda assim, a conta não fecha. As empresas são feitas de pessoas, e sem as pessoas não conseguiremos nos desenvolver como sociedade. É urgente essa situação no país, já que o lugar em que passamos mais horas do dia deveria ser aquele que, além de exigir, também deveria cuidar para que sigamos mentalmente saudáveis.

Fica aqui minha provocação para que você, CEO, líder ou gestora, leve esse tema para dentro da companhia em que atua, escute suas pessoas, empodere seus pares, líderes, liderados e o RH da empresa. Fale sobre o tema, invista no treinamento dos gestores, promova um ambiente saudável e implemente ações para a saúde e bem-estar. O desenvolvimento do nosso país depende disso.

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