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Opinião

Responsabilidade com o presente

Quando uma mulher atinge uma posição de liderança, ela tem o dever de ativamente buscar as mudanças que ela quer ver na sociedade


8 de março de 2024 - 8h14

(Crédito: Adobe Stock)

“Agora, que eu posso, vou fazer do meu jeito”. Esse é o sentimento, a filosofia e a missão que toda mulher que atinge uma posição de liderança deve ter. Seja como empresária, executiva, empreendedora ou autônoma, em qualquer lugar do país ou com qualquer orçamento, o desejo deve ser sempre de fazer as coisas conforme dita a sua consciência e os seus valores.

As mulheres enxergam o mercado, a sociedade e o sucesso de uma forma muito própria. Talvez pelo fato de termos passado gerações sendo subjugadas e subestimadas dentro e fora de casa, vemos o mundo com outras lentes. Para nós, a sociedade tem que ser vista como parceira de criação e evolução. Não podemos achar que o status quo forjado no passado, muitas vezes retrógrado e dominador, pode persistir no presente.

Mas esse não é um pensamento contra os homens, afinal, existem cada vez mais homens que compartilham destas visões femininas sobre mercado, sociedade e sucesso — e contamos com eles para construir uma realidade mais positiva e igualitária. Eu mesma contei e conto com a parceria de homens incríveis no ambiente pessoal e profissional como o Ricardo Marques, Carlos Scappini, Marcus Buaiz, entre outros. Atualmente, boa parte das mulheres que alcançaram postos de relevância tem um homem “he for she” na biografia, seja pai, marido, chefe ou até filho, que a estimulou a competir, conquistar e vencer.

Mas quando chegamos a postos de liderança — em qualquer ponto da carreira — é preciso entender que temos muito mais do que as responsabilidades objetivas que aparecem no “job description”. Além de entregar nossas tarefas, cumprir metas e gerir pessoas, temos a responsabilidade de promover mudanças e transformações em escala social, de abrir caminho para outras mulheres e de combater ativamente os preconceitos que distorcem nossa sociedade.

E digo isso por experiência própria. Depois de muitos anos atuando como executiva, abri a minha empresa, a Mynd, e decidi, mais uma vez, colocar em prática o “Agora, que eu posso, vou fazer do meu jeito”. Minha primeira decisão em relação à empresa é que ela seria construída sobre o alicerce da diversidade. O foco sempre foi encontrar talentos e dar oportunidades de evolução de carreira para quem costuma ficar à margem dos processos seletivos tradicionais.

Partimos dos números do IBGE: se mais da metade da população brasileira é constituída de pretos e pardos, nossa empresa retrataria essa realidade. A decisão foi orgânica, veio tranquilamente. Mas a implementação desta decisão foi mais desafiadora do que parece à primeira vista. Passei muitas horas pesquisando o LinkedIn para encontrar profissionais que pudessem atender ao que precisávamos e também estivessem dentro dos nossos critérios de diversidade.

Porque existe uma espécie de cortina de fumaça nos processos seletivos que tende a excluir pretos, periféricos, LGBTQIAPN+, 50+ ou qualquer outro tipo de minoria. A coisa é tão sistemática que os profissionais destes perfis, mesmo que qualificados (às vezes, até overqualified), desistem de procurar por colocação de acordo com sua experiência porque cansam de rejeição.

É nessa hora que a responsabilidade da liderança entra em ação. A gente não pode se conformar em repetir as fórmulas tradicionais do mercado, porque elas tendem a premiar quem já vem sendo privilegiado há gerações. É preciso teimar. Insistir. Investir. Apostar em profissionais com potencial costuma dar muito certo. Quando se dá chance para quem sempre viu portas fechadas, o resultado costuma ir além das expectativas. Tem muita gente por aí que pode evoluir enormemente se encontrar um terreno fértil para o seu talento.

Fico feliz em constatar que a Mynd não está sozinha na sua busca por construir o mundo que queremos ter. Tenho acompanhado outras lideranças femininas, algumas de escala global, dos mais variados setores, que têm a mesma atitude insistente em conseguir implementar a diversidade. A grande maioria demonstra se sentir responsável por contribuir para um mundo com oportunidades melhor distribuídas.

A outra boa notícia é que o número de mulheres em cargos de liderança vem crescendo nos últimos anos. Um estudo realizado pelo Insper e pela Talenses Group apurou que o número de mulheres CEOs está em 17% do total. Não chega a um quinto, mas já representa um crescimento em relação a 2019, quando o percentual era de 13%. Já na Mynd, esses dados crescem ano após ano. Atualmente contamos com 65% de mulheres em cargos de liderança e a nossa meta é ter ainda mais.

Mesmo ainda sendo minoria em uma escala geral, acredito que as mulheres no topo da cadeia de comando podem realizar grandes e profundas transformações no mercado e na sociedade. É só deixar elas fazerem do jeito delas.

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