O fenômeno das newsletters

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O fenômeno das newsletters

No Brasil, a melhor newsletter de informação, para que se saia de casa com o básico digerido junto com o café da manhã, é o Canal Meio. Inteligente, fácil de ler, bem editada, sua vantagem também é não estar presa a uma marca


11 de abril de 2018 - 10h18

Créditos: cifotart/iStock

Se há alguma unanimidade no mundo da comunicação digital é que a falta de tempo do usuário, comparada à explosão de informações que estão disponíveis na nuvem, é um problema. As redes sociais conseguiram funcionar como filtro primário: “Se meu amigo recomenda, preciso ver isso”. Ou ainda: “Gosto desse colunista e sigo suas indicações”. Pois é, mas aí as fake news tomaram conta do ambiente informativo e o resultado já é conhecido.

As newsletters são a retomada da seriedade e da confiabilidade das marcas reconhecidas, como um filtro funcional de separação entre informação útil e lixo. Mas as newsletters não podem ser a “venda” de conteúdos publicados, feita por um robô que, por algum algoritmo de quem não entende nada de comportamento da audiência, acaba servindo apenas de presença indesejável pelas manhãs. Newsletter precisa ter ciência, carinho, entendimento de público. Intimidade.

No Brasil, a melhor newsletter de informação, para que se saia de casa com o básico digerido junto com o café da manhã, é o Canal Meio. Inteligente, fácil de ler, bem editada, sua vantagem também é não estar presa a uma marca. Ela se alimenta dos conteúdos de todos os grandes meios de comunicação do Brasil. E do exterior. Também merece destaque o Nexo Jornal, pelo grafismo e apresentação inteligente de temas em que realmente se necessita um algo a mais do que os textos.

Curioso é que as marcas tradicionais de jornalismo no Brasil, salvo raras exceções como O Globo, ainda não entenderam que a newsletter é uma ótima maneira de fidelizar, prestar serviço, agradar o público. Só que, se não houver inteligência por trás, nada feito. Não funciona. Não é preciso oferecer inteiramente grátis 58 opções de newsletter, como faz o The New York Times. Uma benfeita, bem-humorada, que seja realmente útil, já basta.

Um ótimo exemplo recente é o The Seattle Times, que reformulou a estratégia das newsletters. Hoje são seis por dia, com índices de 30% de abertura do e-mail (acima da média de 18% a 20% da indústria de comunicações) e 7% de clicks nos links. A grande notícia é a seguinte: um leitor fiel da newsletter tem 25 vezes maior potencial de se tornar assinante digital do que os que batem, por acaso, no limite de notas do paywall poroso (vale a pena ler o estudo do The Lenfest Institute sobre a estratégia das newsletters do The Seattle Times).

Mas, atenção para as dicas:

* A principal newsletter é sempre a que circula pela manhã, antes que o usuário saia de casa. Por isso, deve ser enviada, no máximo, às 07h30. Sem atrasos. Se possível antes disso.

* A linguagem não pode ser formal, mas pessoal. Falar dos temas básicos do dia é fundamental: se está chovendo, se vem uma frente fria, se há engarrafamentos à vista.

* Escolha os principais temas para oferecer, aqueles que servirão de assunto para o café com o colega. Do futebol à política. Nem sempre o “importante” é “relevante”. E não exagere: opte por algo entre cinco e dez notas. É o que basta.

* E, claro: newsletter é sempre feita para celulares.

Aposte nisso e o primeiro passo para a cobrança por conteúdo estará dado.

Para saber mais:

https://www.theskimm.com/

https://qz.com/

https://www.nytimes.com/newsletters

https://www.canalmeio.com.br/

https://www.nexojornal.com.br/

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