Como as marcas estão usando os sentidos para engajar?
Apontado pela WGSN como um das forças de 2028, reset sensorial já soma exemplos nacionais e internacionais
Durante a NRF 2026, a consultoria de tendências WGSN apresentou seu relatório com as forças que podem impactar o mundo e, especialmente, o consumo em 2028. Entre as tendências apresentadas, uma ganhou atenção especial do público varejista: o reset sensorial.
De acordo com a consultoria, o conceito de reset sensorial é definido pela valorização do tato, olfato, visão, audição e paladar como ferramentas de bem-estar, presença e conexão. “O reset sensorial propõe sair do modo alerta permanente para entrar em um estado de atenção mais profunda, em que sentir passa a ser tão importante quanto pensar”, analisa Marianna Nolasco, head de vendas na América Latina e especialista em tendências da WGSN.
Nesse cenário, o reset sensorial seria uma resposta direta à exaustão cognitiva e emocional provocada por anos de hiperestímulo, aceleração e excesso de informação. Assim, os consumidores estariam buscando experiências que desacelerem o corpo e ativem os sentidos de forma intencional. Ao Meio & Mensagem, Nolasco listou quatro exemplos de marcas e criadores que já incorporaram o reset sensorial a sua estratégia. Confira:
Collab entre Havaianas e KidSuper
Apresentada na Semana de Moda de Paris, a colaboração entre a Havaianas e o coletivo criativo KidSuper criou um chinelo inspirado na textura de grama e propõe uma experiência sensorial literal. O consumidor não apenas vê o produto, mas sente. “Ao transformar o toque em narrativa e conectar esporte, moda e memória corporal, a parceria mostra como o sensorial pode gerar desejo, conversa cultural e diferenciação global”, descreve Nolasco.

Collab foi apresentada na Semana de Moda de Paris (Crédito: Divulgação)
Melissa
No Brasil, a marca Melissa ilustraria essa tendência ao transformar seus pontos de venda físicos em experiências multissensoriais, além de explorar esse ativo em suas campanhas. A especialista em tendências da WGSN explica: “A marca já ativou paladar, tato, visão e olfato em pop-ups com limonadas inspiradas nas cores dos calçados, reforçando que o produto vai além do objeto e se desdobra em atmosfera, ritual e prazer imediato. É um exemplo claro de como o sensorial cria vínculo emocional e memorabilidade”.

Melissa explora multisensorialidade nos pontos de venda (Crédito: Reprodução)
Bompas & Parr
Já no cenário internacional, o estúdio britânico Bompass & Parr seria referência ao levar o sensorial para o território da experimentação cultural, como aponta Nolasco. “Em projetos como o Sensorium, os visitantes são guiados por uma jornada imersiva que ativa som, aroma, tato e visão, mostrando como experiências sensoriais bem orquestradas podem reprogramar percepções, emoções e até comportamentos. Aqui, o sensorial não é excesso, é curadoria precisa”.

Projeto Sensorium, do estúdio Bompas & Parr (Crédito: Reprodução)
Projeto Crafted Garden, da Loewe, na Selfridges
Para a especialista em tendências, o projeto Crafted Garden, da grife Loewe na loja de departamento Selfridges, é um exemplo de como o luxo contemporâneo incorpora o reset sensorial. “O pop-up combinava botânicos, esculturas orgânicas e fragrâncias para criar um ambiente contemplativo e quase meditativo, reforçando a ideia de que, em um mundo acelerado, o verdadeiro luxo é desacelerar e sentir com atenção”, afirma.

Pop-up reunia fragrâncias e esculturas em ambiente contemplativo (Crédito: Reprodução)
