A nova moeda da criatividade é a confiança
Enquanto o Palais concentra os holofotes, a areia da Croisette revela as ativações, conversas e conexões que movimentam o mercado
O calor de Cannes nos lembra rapidamente que transpirar é um dos sinais de que estamos vivos. E, para quem trabalha em uma indústria movida por ideias, transformação e inquietação, talvez essa seja uma metáfora bastante apropriada.
Se existe um tema dominante e nada de novo este ano, é a Inteligência Artificial. Mas a discussão já não é mais sobre o que a IA será capaz de fazer. É sobre como usá-la com responsabilidade, credibilidade e impacto real.
Em um momento em que a tecnologia amplia exponencialmente a capacidade de criação, surge uma pergunta ainda mais relevante: o que passa a definir a criatividade?
As conversas que venho tendo com colegas da indústria, somadas às trocas nos espaços dos principais veículos de comunicação mostram que, mais do que nunca, o valor está na combinação entre inteligência artificial e inteligência humana.
Tive a honra de participar de um painel no Google, aqui em Cannes, moderado por Sean Downey, presidente do Google nas Américas. Além de minha participação, estiveram presentes também Brandon Baum, cineasta e criador de conteúdo global, e Jason Richards, vice-presidente sênior e diretor geral da Pepsico Reino Unido e Irlanda. Todos para falar sobre a influência da IA na entrega criativa, seja qual for o formato.
Minha pauta, dedicada a falar sobre o projeto que a Jellyfish Brasil fez com a GWM para o Haval H6, em parceria com o Google, reforçou que a tecnologia acelera, mas são as pessoas que dão contexto, significado e propósito às ideias.
Não por acaso, muitos dos debates que dominam Cannes este ano caminham nessa direção. A conversa deixou de ser sobre ferramentas e passou a ser sobre responsabilidade.
Hoje qualquer marca pode produzir milhares de peças em minutos, a vantagem competitiva não estará apenas na capacidade de gerar conteúdo, mas também na de gerar relevância.
Um dos temas que surgiram com frequência entre os speakers e líderes da indústria é a necessidade de equilibrar inovação e confiança. Sim, isso tem a ver com o que aconteceu no ano passado aqui no Palais.
À medida que a IA se torna parte do processo criativo, crescem também as expectativas de consumidores, clientes e mercados por mais transparência, ética e autenticidade. O desafio é criar melhor.
Talvez por isso uma palavra esteja se tornando cada vez mais presente nos corredores de Cannes: confiança.
Confiança nas marcas, nos criadores, nas plataformas e nos processos que utilizam IA.
2026 será o ano em que credibilidade, criatividade e IA deixarão de ser temas separados para se tornarem uma única conversa.
Seguimos transpirando por aqui, na pele e na mente!