Bruno Brux: criatividade sem empatia é só capricho

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Bruno Brux: criatividade sem empatia é só capricho

Diretor executivo de criação da Gut fala sobre as lições que o período de pandemia pode ensinar para quem trabalha buscando boas ideias

Renato Rogenski
15 de abril de 2020 - 6h00

Novas rotinas no processo criativo: Bruno Brux brinca na cabana de sua filha Eva, durante os intervalos do home office (Crédito: divulgação)

Apesar de admitir que trabalha em ritmo alucinante durante a quarentena, o diretor executivo de criação da Gut, Bruno Brux, sente falta das relações cara a cara e a troca de ideias que sempre serviu como combustível para o seu processo criativo. Apesar de todos os desafios impostos pelo isolamento social e o contexto de incertezas do momento, o publicitário acredita que o cenário provocado pela pandemia pode trazer alguns ensinamentos valiosos para quem trabalha com criação. Na entrevista jogo rápido, a seguir, Brux fala sobre a necessidade de sair da zona de conforto e a oportunidade que o mercado tem agora de mostrar a relevância do ofício, e como a criatividade pode servir aos negócios ao mesmo tempo que contribui para a construção de uma sociedade melhor.

Meio & Mensagem – Como é criar dentro de casa e não no escritório?
Bruno Brux – Meu processo criativo sempre foi caótico. Então o caos do dia a dia em casa acaba me ajudando. Tenho mil inputs por segundo, com a filha passando correndo, o cachorro pegando bolinha, o Mundo Bita na TV. Meu cérebro fica plugado no 220 o dia inteiro. O problema é que mesmo tendo um processo criativo caótico, depois do caos eu preciso de silêncio para colocar as ideias em ordem, e aí é que está o problema. Trabalhar de casa, com filha pequena, cachorro pegando bolinha, Mundo Bita na TV não deixa espaço paro silêncio. Então, as vezes prefiro esperar todo mundo ir dormir para ‘craftar’ as ideias.

M&M – A concentração está melhor ou pior com tudo isso?
Brux –
Me concentrar não é uma tarefa muito fácil mesmo quando estou na agência. Normalmente eu tenho janelas de foco muito profundo, mas que duram por pouco tempo. Quando essa janela se abre, tenho que aproveitar ao máximo. Na agência, consigo administrar meu tempo, já em casa, tudo fica mais difícil. Às vezes estou mega focado, mas sou intimado a largar tudo e ir para a cabana da Eva, minha filha, para construir torres de bloquinhos de madeira e contar histórias para a Paçoca, nossa cachorra.

M&M – Como esse período pode afetar a criatividade?
Brux – Sair da zona de conforto é a melhor coisa para a cabeça de um criativo, e a gente tem vivido isso o dia inteiro. Cada notícia, cada tweet, cada vídeo pode servir de inspiração para fazer algo que tenha um impacto positivo na vida das pessoas.

M&M – Quais são as suas recomendações para manter a criatividade em alta em tempos de isolamento?
Brux – Criatividade é resolver problema, e o que não falta no mundo nesse momento é problema. Mas os problemas que nós, publicitários, vemos mais de perto, são minúsculos perto dos que a maioria da população brasileira enfrenta todos os dias. Sem empatia, sem se colocar no lugar do outro, sem olhar para fora da bolha, nossa criatividade deixa de ter o potencial de mudar o mundo e passa a ser só um capricho.

Crédito da imagem de topo: piranka-iStock

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