Atrasos no pagamento a produtoras passam de R$ 25 mi

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Atrasos no pagamento a produtoras passam de R$ 25 mi

Em carta aberta a anunciantes, Apro aponta que 95% das produtoras estão com pagamentos atrasados e 25% ainda não receberam pagamentos relativos a 2019

Karina Balan Julio
23 de abril de 2020 - 11h34

A Associação Brasileira de Produção de Obras Audiovisuais (Apro) divulgou nesta quinta-feira, 23, uma carta aberta para o mercado anunciante com um apelo para que apliquem melhores práticas de pagamento junto a produtoras de publicidade. Segundo um levantamento da entidade, 95% das produtoras associadas estão com pagamentos atrasados ou tiveram pedidos de prorrogação de prazo por parte de clientes. O montante referente a prorrogações e atrasos de pagamentos é estimado em mais de R$ 25 milhões. Ainda, cerca de 25% das produtoras associadas relataram que existem pagamentos de 2019 que ainda não foram concretizados, na ordem de aproximadamente R$3,5 milhões.

De acordo com a Apro, anunciantes estão impondo prazos estendidos e “intoleráveis” no pagamento das produtoras, o que torna a situação ainda mais insustentável para o setor. “Vimos que, em função da pandemia, em vez de clientes terem acolhimento e sensibilidade para cumprir os contratos que estão previstos, estão estendendo ainda mais prazos que já eram absurdos. Produtoras sempre lidaram com gaps de fluxo de caixa, o que se agrava ainda mais agora com a impossibilidade de realizar filmagens”, disse a presidente da Apro, Marianna Sousa, em entrevista. A tentativa de produtoras de manter a produção de filmes, seja ao realizar peças com execução remota ou bancos de imagem, por exemplo, não tem sido suficiente. Isso porque esses filmes têm orçamento inferiores e que não compensam totalmente a lacuna no caixa das produtoras, segundo a presidente.

A discussão sobre prazos de pagamento já se arrasta no mercado há algum tempo, uma vez que produtoras contestam os prazos de 90, 120 ou até mais dias para o pagamento dos fornecedores de produção – demora frequentemente justificada pela burocracia e sistemas internos dos clientes.

Na carta aberta, a Apro pede urgência. “Não estamos mais em posição de realizarmos discussões aprofundadas do tema, que se arrastam há tempos e se desdobram em diferentes níveis, desde questões puramente legais de ordem de pagamento dos profissionais, à questionável eficiência produtiva e os impactos desse modelo de negócio que só prestigia um lado (…).  É totalmente inaceitável que empresas capitalizadas, com franco acesso ao crédito a nível global, transfira suas responsabilidades e competências para o elo mais vulnerável da cadeia” disse a associação no documento.

Quem sofre, na ponta da cadeia, são os profissionais de produção. “Produtoras estão tendo que fazer muitas demissões e atrasar pagamentos de funcionários. No meio disso, temos ainda profissionais freelancers que estão fragilizados pois não se adequam a nenhum pacote de apoio do governo”, finaliza Marianna. Ela conta que os sindicatos do setor estão negociando uma convenção coletiva emergencial para ajudar profissionais autônomos.

Como solução, a Apro pede que anunciantes façam o pagamento a produtoras de acordo com as práticas de mercado reforçadas no Fórum de Produção Publicitária, nas seguintes condições: 50% do pagamento feito inicialmente, em até 30 dias depois da aprovação do orçamento; e 50% ao final, em até 30 dias após a entrega do material. “É o que deveria ter sido feito desde sempre. Não dá para anunciantes tratarem produtoras como se fossem commodities, porque não são. Nesse momento, as relações pedem transparência e só através do diálogo vamos evoluir nessa questão”, finaliza Marianna. Ela conta que a Apro também trabalha na formatação de protocolos de segurança para as fases de reabertura do mercado.

 

 

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