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O papel da mineração na preservação ambiental, segundo a Vale

Para Leandro Modé, diretor de comunicação e marca da Vale, setor é importante para a descarbonização e a transição energética no planeta

i 21 de novembro de 2025 - 6h06

No ano passado, o faturamento do setor mineral brasileiro alcançou R$ 270,8 bilhões, 9,1% a mais do registrado no ano anterior. Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa as maiores mineradoras que atuam no país.

A intenção de aliar conservação ambiental e atividade econômica levou a Vale a praticar a “mineração do futuro”, combinando a produção de minerais de transição energética para descarbonização de indústrias a práticas de defesa do meio ambiente e de desenvolvimento social.

Vale

Leandro Modé, diretor de comunicação e marca da Vale (Crédito: José Palma/Divulgação)

A COP30, que termina nesta sexta-feira, 21, foi espaço para que a empresa apresentasse seus cases de sucesso e participasse da conversa sobre como as soluções e projetos podem ser escaladas – e implementadas – para garantir não apenas que a Amazônia permaneça em pé, mas que as ações beneficiam também as populações locais.

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Ainda que a empresa não comercialize minérios diretamente para pessoa físicas, elas são stakeholders importantes no âmbito da opinião pública, fornecendo o que Leandro Modé, diretor de comunicação e marca da Vale, classifica como “licença social para operar”, fruto de uma operação segura que respeite a população e o meio ambiente.

A seguir, Modé fala sobre a participação na Conferência, papel da mineração na transição para uma economia de baixo carbono e comenta a estratégia de incorporar a cultura ao discurso de sustentabilidade.

Meio & Mensagem – Como a participação na COP30 impacta e fortalece a Vale como marca?
Leandro Modé – Uma das premissas da COP30 é discutir cases de sucesso e como podemos escalá-los. Nesse contexto, a Vale tem um exemplo único no mundo, a operação em Carajás, em plena Amazônia. De maneira resumida: em parceria com o ICMBio, a Vale ajuda a conservar uma área de 800 mil hectares de floresta, o que equivale a 5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Essa operação, que existe há 40 anos, ocupa apenas 3% do território e responde por 60% da produção de minério de ferro da empresa. Também apoiamos iniciativas de bioeconomia que beneficiam cerca de 60 mil pessoas e participamos de diversos projetos sociais nos territórios. Ou seja, temos propriedade e legitimidade para falar de Amazônia. Então, nossa estratégia de marca é conectar pessoas e floresta, mostrando que é possível aliar conservação ambiental e atividade econômica. Além disso, vários executivos da Vale participaram das discussões na COP, reforçando a importância da mineração para a descarbonização e a transição energética no planeta. Fizemos isso na Blue Zone, no espaço C.A.S.E. (Climate Action Solutions & Engagement) e na Casa da Biodiversidade, no Instituto Tecnológico Vale, entre outros lugares. Embora a Vale não venda minério para pessoa física, dependemos da opinião pública para garantir licença social, que, no nosso caso, se traduz em licença real para operar. Nosso objetivo é reforçar a relevância da Vale, mostrando que a mineração é fundamental para o país e para o mundo.

M&M – De que forma estratégias de ESG bem estruturadas e alinhadas aos objetivos de negócios podem auxiliar o trabalho do marketing? De que forma a marca procura comunicar essas diretrizes?
Modé – No caso da Vale, a sustentabilidade está na essência do negócio, o que confere legitimidade a tudo o que fazemos na comunicação. Todas as nossas ativações de marca neste ano buscaram reforçar a importância da conservação da floresta e a importância da mineração para o combate às mudanças climáticas. A cultura foi um dos caminhos que escolhemos para falar de sustentabilidade. Ao unir música, tecnologia e arte, com o The Town e o Amazônia Live, conseguimos engajar públicos que não seriam alcançados em uma comunicação tradicional.

M&M – Como classifica a importância da articulação entre setores, governo, sociedade civil e terceiro setor, para as empresas no cenário dos assuntos debatidos e negociados na COP30?
Modé – O desejo é que a COP30 fique marcada como a COP da implementação, no sentido de mostrar bons exemplos para uma economia de baixo carbono e como dar escala a essas soluções que já estão em prática. Na Vale, temos grandes exemplos para mostrar, como nossa atuação em Carajás. Entendemos que, para avançar na agenda climática, é necessário um esforço coletivo e consistente, que envolva diferentes setores da sociedade. Não à toa, a palavra mutirão está em alta.

M&M – Quais são os caminhos para que o equilíbrio de mensuração e processos de longo prazo que a agenda ESG envolve sejam também associados ao lucro e ao crescimento sustentável?
Modé – Está cada vez mais claro que sustentabilidade e desenvolvimento econômico e social caminham juntos. E aqui cito novamente o caso de Carajás, que materializa a máxima de que, para manter a floresta em pé, é preciso gerar atividade econômica para as populações locais. Importante sempre lembrar que quase 28 milhões de pessoas vivem na chamada Amazônia Legal.

M&M – Quais causas e mensagens a mineração está abraçando no contexto da Conferência?
Modé – No caso da Vale, nossas práticas nos credenciam a abordar o tema da sustentabilidade na comunicação, pois temos um histórico bastante consistente de iniciativas nessa área. Praticamos na Amazônia o que chamamos de mineração do futuro, que alia a produção de minerais de transição energética para descarbonização de indústrias a práticas de conservação ambiental e de desenvolvimento humano. No mundo contemporâneo, todas as empresas precisam de uma licença social para operar. No caso da mineração, há ainda um papel importante na transição energética e na descarbonização global.

M&M – A empresa planeja alguma nova ação ou movimento, em termos de ESG ou de marketing no pós-COP30?
Modé – A agenda ESG da Vale é permanente e está diretamente atrelada ao negócio. Nesse sentido, é um tema prioritário e continuará a ser em nossa comunicação. Além disso, seguiremos firmes em nosso compromisso com a descarbonização e a transição energética global, como parte dos nossos objetivos climáticos de reduzir em 33% nossas emissões de Escopo 1 e 2 até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050, além de reduzir em 15% as emissões líquidas de escopo 3 até 2035. A Vale entende que a mineração é essencial na jornada em direção a uma economia de baixo carbono, fornecendo minérios e metais essenciais para a transição energética, ao mesmo tempo em que promove proteção e recuperação ambiental, circularidade, bem-estar das comunidades, empregados e desenvolvimento socioeconômico.