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Em movimento global, agências questionam prazos ampliados

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Em movimento global, agências questionam prazos ampliados

Entidades de diversos países, unidas na VoxComm, intensificam campanha que envolve a remuneração

Teresa Levin
1 de junho de 2020 - 18h59

Agências de publicidade não são bancos. Esse é o posicionamento que resume o foco principal de atuação do movimento global VoxComm, lançado no ano passado, durante o Festival Internacional de Criatividade de Cannes, ampliado nos últimos meses e que acaba de lançar um manifesto mais incisivo contra os prazos ampliados para remuneração das agências de publicidade. O documento distribuído na semana passada é subscrito por entidades como a norte-americana Association of American Advertising Agencies (4A’s), a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), a European Association of Communication Agencies (EACA) e o canadense Institute of Communication Agencies (ICA), entre outras.

O texto defende que o pagamento atrasado, além de não ser inteligente, é irresponsável, já que traz consequências danosas como relacionamentos tensos com fornecedores, redução na flexibilidade e preços mais altos. “No manifesto, a VoxComm afirma que as agências não podem bancar investimentos de comunicação de certos clientes. Aqui no Brasil, a própria Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) já falou sobre a questão da remuneração algumas vezes e incluiu regras sobre o pagamento aos parceiros em seu manual de concorrência”, observa Mario D’Andrea, presidente da Abap. Segundo ele, o problema dos prazos estendidos de pagamentos já vinha sendo tratado pelas entidades integrantes do VoxComm nos últimos meses, mas se agravou com a crise econômica provocada pelo combate ao novo coronavírus.

Em seu manifesto, o VoxComm cita que as empresas que estão no ranking Fortune Global 500 gastam cerca de US$ 20 bilhões por ano em atividades de responsabilidade social corporativa. “No entanto, ouvimos de nossos membros em todo o mundo que muitas dessas empresas tidas como responsáveis ​​corporativamente estão usando a crise para adiar o pagamento de suas agências. O atraso no pagamento é um hábito pernicioso que até as empresas ricas empregam para aumentar falsamente seus índices de liquidez”, critica o texto.

Para a presidente e CEO da 4’As e também do VoxComm, Marla Kaplowitz “a extensão das condições de pagamento é um jogo de soma zero, pois não cria nem agrega valor ao produto final”. Ela diz que a entidade surgiu para ser a voz global da comunidade das agências e para defender o valor que agregam aos clientes como impulsionadoras do crescimento de empresas anunciantes e marcas. “Como líderes de associações comerciais de agências, reconhecemos que temos desafios e oportunidades semelhantes. Era benéfico abordá-los coletivamente com o poder e o foco de um grupo global”, detalha. Marla alerta, ainda, que os problemas enfrentados pelas agências e pelo setor não são exclusivos de nenhum mercado. “Temos maior influência e impacto ao compartilhar recursos, assim como melhores práticas e pensamentos”, acredita.

A íntegra desta reportagem está publicada na edição semanal de Meio & Mensagem, que até o fim de junho pode ser acessada gratuitamente pela plataforma Acervo, onde é possível consultar ainda todas as edições anteriores que circularam nos 42 anos de história da publicação. Também está aberto a todo o público, gratuitamente, o acesso à versão digital das edições semanais de Meio & Mensagem, no aplicativo para tablets, disponível nos aparelhos com sistema iOS e Android.

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