O papel de “humanas” em um mundo de robôs

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O papel de “humanas” em um mundo de robôs

Profissões como jornalismo e publicidade passam a ter um novo significado em um contexto em que empatia, criatividade e curadoria serão cada vez mais importantes

Luiz Gustavo Pacete
10 de setembro de 2018 - 8h18

 

 

Aibo, o cão da Sony, quem é responsável por ensinar afeto a máquinas? (Crédito: Reprodução)

Profissões em risco de extinção. As vinte funções que vão desaparecer até 2030. O Google está repleto de referências alarmantes sobre o futuro do trabalho que, muitas vezes, pode deixar um profissional associado à área de humanas de cabelo em pé. Aprender a programar? Entender de computação cognitiva? Como sobreviver em um mundo cada vez mais digital? A boa notícia, no entanto, é que a confluência entre inteligência artificial, IOT, blockchain e XR demandará cada vez mais pessoas com habilidades associadas a disciplinas relacionadas à comunicação.

“Conectar o mundo de humanas com o das exatas será um dos grandes desafios da humanidade neste processo tão veloz em que máquinas se tornarão cada vez mais capazes”, afirma Fausto Vanin, profissional de transformação digital. De acordo com Vanin, se todo o avanço tecnológico alcançado até agora não estiver direcionado a atender ao fator humano, o cenário poder ser alarmante. “Se não houver empatia, construção de narrativas e conexões, de nada adiantará máquinas tão inteligentes”, afirma.

A conexão entre o humano e a tecnologia permeou as discussões do Hack Town, evento que ocorreu no último feriado em Santa Rita do Sapucaí (MG) (Crédito: Divulgação)

Para Vinicius Soares, fundador da Mais.Ai, empresa especializada em inteligência artificial, com cada vez mais demanda e tecnologia, será comum o aumento de casos de máquinas errando, seja um carro autônomo ou um sistema de inteligência artificial. “E, neste momento, será determinante a base sob o qual vamos ensinar nossos sistemas e o tipo de evolução que será moldada”, afirma Soares.

atribuições como inteligência social, pensamento adaptativo, flexibilidade cognitiva, pensamento computacional, design mindset e criatividade serão cada vez mais necessários

Essa discussão pautada na reinvenção do trabalho, das relações e do comportamento humano, esteve presente em muitos dos painéis do Hack Town, evento de inovação e economia criativa inspirado no SXSW que ocorreu no final de semana na cidade de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais.

Diante de um cenário cada vez mais transformador, há um recorte positivo do papel de profissionais associados à criatividade e comportamento. De acordo com Cleber Paradela, vice-presidente de planejamento da Sunset, muito cuidado deve ser tomado com o pessimismo em relação ao assunto. “Isso não significa que não se deve discutir sobre os pontos de atenção, mas ter um recorte pessimista sobre o avanço da tecnologia pode nos afastar de desfrutarmos desses avanços”, afirma. Ainda de acordo com Paradela, o ponto é questionar qual o papel do homem no trabalho.

Em 2016, a McCann Japan contratou o primeiro diretor de criação com inteligência artificial. O AI-CD consegue desempenhar a função por que os dados que o alimentam possuem como referência comerciais de TV analisados e dados de campanhas premiadas no Japão. (Crédito: Reprodução)

Eduardo Endo, diretor dos cursos da FIAP, entende que, em um cenário atual em que máquinas estão aprendendo com homens, atribuições como inteligência social, pensamento adaptativo, flexibilidade cognitiva, pensamento computacional, design mindset e criatividade serão cada vez mais necessários. “A criatividade diferencia homens e máquinas e, ainda que um sistema de inteligência artificial seja capaz de replicar comportamentos humanos, empatia e conexões serão cada vez mais importantes nas relações”, afirmou Endo.

 

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