Ex-executiva de marketing faz acusações à L’Oréal

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Ex-executiva de marketing faz acusações à L’Oréal

Companhia nega ações de racismo e discriminação sexual feita por ex-VP de marketing digital nos Estados Unidos

Roseani Rocha
12 de novembro de 2018 - 16h19

Sede da L’Oréal nos Estados Unidos (Crédito: Reprodução)

Jack Neff, do Adage (*)

Uma ex-vice-presidente de marketing digital entrou com ação na justiça contra a L’Oréal dos Estados Unidos por discriminação racial, sexual e por danos físicos num processo de 40 páginas descrevendo festas “movidas a sexo” em viagens de negócios à Europa e o chefe assistindo a vídeos pornôs no telefone.

A L’Oréal nega as alegações, que afirma ter investigado e não terem sido corroboradas por outros funcionários, acrescentando que a executiva em questão foi demitida por conduta antiprofissional.

Amanda Johnson, uma executiva afro-americana, trabalhou por dois anos nas marcas Matrix e Biolage, foi promovida rapidamente e exibida como um exemplo de diversidade pela L’Oréal globalmente, de acordo com sua queixa na Corte Distrital em Nova York. Ela está em reivindicando reintegração, pagamentos atrasados, custos legais e punição por danos. Além das festas e da pornografia, Johnson também alega ter se sentido fisicamente ameaçada por um colega e ter sofrido de ansiedade e depressão por stress, que a ação cita como seus danos físicos.

Johnson, uma antiga produtora de conteúdo da NBC Universal e executiva da Omnicom, chegou à L’Oréal em abril de 2016 como vice-presidente assistente para marketing digital. Ela foi promovida a vice-presidente em julho de 2017, depois de ter sido recompensada por trabalhos que incluíram fazer executivos globais acelerarem os processos de digitalização, diz o processo.

Mas os problemas começaram não muito tempo depois de ela ter chegado à companhia. Após menos de dois meses no cargo, Johnson foi escalada para uma reunião de negócios global e, depois, em vídeos internos e redes sociais para o público externo “para dar a falsa impressão de diversidade”, de acordo com a ação.

Johnson também alega que seu chefe, Dan Bethelmy Rada, presidente global da Matrix e Biolage, pediu a ela que atraísse funcionários junior para uma festa em sua suíte num hotel de Roma durante uma viagem de negócios em julho de 2016. Ela afirma ter se recusado, mas ter ficado “preocupada por ter destruído uma ponte”.

Durante uma reunião no início deste ano, diz a acusação, Rada estava vendo conteúdo do Pornhub, segurando seu celular e dizendo que ele não estaria assistindo àquilo se a apresentação de um de seus subordinados fosse mais interessante.

Em maio, Rada faltou a um encontro importante em Paris, afirmou Johnson. Enquanto esperavam por ele, ela entrou em confronto com o colega Nicholas Krafft, vice-presidente de desenvolvimento de negócios, e se sentiu fisicamente ameaçada. Ela reclamou de Krafft a Rada, numa mensagem de texto, atribuindo seu comportamento a racismo e sexismo, embora a ação não mencione detalhes sobre abusos físicos cometidos por Krafft.

Rada e Krafft não responderam a solicitações por e-mail e telefone para comentar o assunto.

O processo diz que Rada pediu a Johnson que discutissem o incidente com Krafft quando ela retornasse aos EUA, em junho. Mas, quando chegou, ela é quem foi demitida e acusada de usar palavrões durante o confronto e ouviu que a L’Oréal não toleraria executivos xingando um ao outro.

A ação diz, ainda, que um subordinado de Johnson, que ela procurou para demitir por plágio e trabalho desleixado, também parece ter contribuído para sua demissão ao acusá-la de bullying.

Em comunicado, a L’Oréal afirmou que Johnson foi demitida por “um padrão de conduta antiprofissional salientado em seus últimos meses na companhia, incluindo o que em nossa visão era um comportamento abusivo e ameaçador em relação aos colegas, lapsos sérios de julgamento e queda de desempenho”.

Após ter sido demitida, Johnson “levantou algumas acusações sérias sobre seu gestor e certos colegas, por meio de um advogado”, afirmou a L’Oréal. “Levamos a sério suas acusações e investigamos todas elas com muita atenção, uma vez que não foram reportadas ao departamento de Recursos Humanos, enquanto ela estava na companhia. Entrevistamos aqueles na companhia que poderiam confirmar os comportamentos alegados do gestor dela e colegas, incluindo os identificados por ela como testemunhas. Nenhum desses indivíduos fundamentaram suas reivindicações”.

O comunicado afirma que “a L’Oréal é um empregador que oferece oportunidades iguais, comprometido em construir uma força de trabalho diversa e um ambiente de trabalho inclusivo”.

 

(*) Tradução: Roseani Rocha

 

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