O primeiro gol do SPFC com Daniel Alves

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O primeiro gol do SPFC com Daniel Alves

Atleta movimenta noticiário, redes sociais do clube e torcedores, tornando-se um forte ativo de marketing antes mesmo de entrar em campo

Roseani Rocha
6 de agosto de 2019 - 7h07

Ontem à tarde, quando Daniel Alves chegou ao aeroporto de Congonhas na capital paulista para sua apresentação oficial no São Paulo Futebol Clube — a festa está marcada para a noite desta terça-feira, 6, no Estádio do Morumbi –, foi recebido no saguão do aeroporto por centenas de torcedores. O burburinho, no entanto, havia começado muito antes.

 

Crédito: Reprodução

Um dos maiores jogadores de futebol em atividade (mostrou isso na última Copa América, jogando como capitão da campeã Seleção Brasileira), Daniel já havia conquistado destaque no noticiário do País e mesmo da Europa, após ter sua contratação confirmada pelo clube brasileiro, depois de não ter renovado com o Paris Saint-German, onde atuou por duas temporadas. O efeito nas redes sociais do SPFC também foi óbvio: o post que confirmou a notícia no Instagram teve mais de 400 mil likes e de 17,5 mil comentários. E a Netshoes divulgou nota no dia seguinte para anunciar que as buscas por camisas do clube paulista tinham crescido exponencialmente: alta de 420% nos pedidos e de 114% nas buscas pelo produto, em relação a um dia normal.

O clube traçou uma estratégia de divulgação e comercial, envolvendo a Adidas, patrocinadora de materiais esportivos, para que a venda da camisa 10, com nome do jogador, já estivesse liberada assim que ele fosse anunciado no time. “Conseguimos capitalizar essa euforia do torcedor, a vontade de ter uma lembrança dele. E o resultado está superando todas as expectativas”, afirma João Fernando Rossi, diretor executivo de marketing do São Paulo. Helton Tavares, gerente de comunicação e engajamento da Netshoes, comenta que esse movimento é natural quando há chegada de grandes ídolos, lembrando quando Ronaldo foi para o Corinthians. “Não comparamos um jogador com o outro, pois são times, momentos e camisas diferentes. Contudo, posso dizer que a chegada do Daniel Alves ocasionou uma procura muito acima da média e uma das maiores da história da Netshoes”, revela Helton na sequência.

Somente na cerimônia de apresentação de Dani Alves, hoje, em que são esperados entre 45 mil e 66 mil torcedores que pagaram R$ 5 pelo ingresso, haverá quatro mil camisas à venda em duas pop up stores instaladas pela Adidas no estádio (ao preço de R$ 249,99). Os demais patrocinadores – Banco Inter (master), MRV Engenharia, Urbano Alimentos e AOC – terão espaço nobre próximo ao local no campo onde a apresentação do atleta acontecerá, com direito a show de luzes e pirotecnia, podendo participar de uma sessão de fotos e autógrafos. As marcas também farão ativações e distribuição de brindes à torcida. O Banco Inter, por exemplo, levará 20 correntistas para a apresentação do jogador esta noite e sorteará 100 camisas autografadas pelo craque para clientes que seguem suas redes sociais. Hoje, cerca de 10% da base de clientes do banco digital – cerca de 230 mil pessoas – é formada por são-paulinos (as), que utilizam o Cartão Morumbi. “Nosso patrocínio vai muito além da marca na camisa: é pensado para engajar a torcida, realizando ações que valorizem a sua paixão”, afirmou em comunicado Priscila Salles, diretora de marketing e CRM do banco.

A Adidas, além de arcar com os custos da customização das camisas vendidas no estádio, afirma ter grandes planos com o atleta para a fase pós euforia inicial, mas ainda faz segredo a respeito. “Sua liderança em campo é incontestável, assim como seu carisma. No caso do torcedor tricolor, há uma identificação ainda maior, já que o São Paulo é seu clube de coração. Por questões de confidencialidade, não podemos fornecer dados de vendas, mas certamente a chegada desse grande atleta ao clube gera um interesse adicional e podemos esperar o reflexo disso em breve nas arquibancadas”, pontua Daniela Valsani, diretora sênior de marketing da Adidas.

A companhia, patrocinadora da Copa do Mundo (masculina e feminina), Copa das Confederações e Liga dos Campeões da UEFA, tem no futebol uma de suas maiores unidades de negócio. Sem citar números, a empresa afirma que as vendas relacionadas ao esporte mais do que duplicaram globalmente entre 2006 e 2016.

Estratégias de jogo
Ainda no campo do marketing e das ações comerciais, o SPFC, diz Rossi, está passando por mudanças, com objetivo de maximizar as receitas vindas dessas frentes. Ex-presidente da Liga Nacional de Basquete e diretor do tricolor paulista desde o fim de fevereiro, ele conta que a diretoria de marketing do clube visa o profissionalismo do esporte em nível tão alto quanto existe atualmente na NBA, NFL e nos clubes europeus.

O São Paulo já começou a fazer parcerias para incrementar sua atuação em três frentes: sócio-torcedor, lojas e produtos licenciados. “É a terceira maior torcida do Brasil e nos últimos meses temos reestruturado a área comercial e de marketing visando aferir uma receita maior nesses três pilares”, comenta Rossi. Segundo cálculo do Fox Sports com base em estudo do DataFolha, o SPFC tem mais de 16 milhões de fãs, colocando o time na 3ª posição.

Embora ressalte que os números de sócio-torcedores de qualquer clube sofram flutuações de acordo com o momento dos times – e consequentemente humor do torcedor – o executivo afirma que há muito espaço para o São Paulo ampliar sua base atual de 50 mil cadastrados (a expectativa para o próximo ano é elevar em 10%). E o desafio neste caso é oferecer conteúdos e vantagens que não fiquem somente ligados ao estádio, ampliando o poder de atração de torcedores a um raio de atuação maior.

Já as lojas SP Mania estão sendo reestruturadas visualmente, em seu mix de produtos e até na experiência que podem oferecer aos consumidores. Atualmente, com apenas seis unidades, a estimativa do clube é chegar a 20 nos próximos 12 meses (inicialmente no estado de São Paulo e, depois, abrindo para outros onde a torcida do time seja mais significativa). Em licenciamentos, a expectativa é que as atuais 55 empresas licenciadas – com itens que vão de café em cápsula a chip de celular, material de papelaria e toalhas e bonés – também se sintam inspiradas a lançar novos produtos.

“O mundo está muito digital, 360 graus. Queremos ter essa visão moderna entre experiência do torcedor com os conteúdos esportivos, mídias sociais, novas tecnologias e produtos físicos”, conta João Fernando Rossi.

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