Empresas brasileiras estão entre as menos inclusivas

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Empresas brasileiras estão entre as menos inclusivas

Segundo estudo da Kantar, a maioria dos colaboradores não se sente confortável em reportar comportamentos vistos como negativos a lideranças ou gestores de RH

Victória Navarro
29 de novembro de 2019 - 6h00

Nas empresas brasileiras, 34% dos colaboradores disseram enfrentar obstáculos relacionados a gênero, idade, etnia e orientação sexual em suas carreiras; e 22% sentem que as oportunidades não são direcionadas às pessoas mais merecedoras. Ademais, os profissionais enfrentam dificuldades no ato de compartilhar problemas. A maioria (67%) não se sente confortável em reportar para a liderança ou gestores de recursos humanos das companhias comportamentos vistos como negativos. Nos últimos 12 meses, 25% dos funcionários foram assediados ou intimidados.

Os dados são do Kantar Inclusion Index, índice de inclusão e diversidade feito pela empresa de insights e consultoria Kantar. O estudo, realizado entre abril e junho de 2019, é baseado em entrevista online com mais de 18 mil colaboradores de empresas, distribuídos em 14 países e 24 setores diferentes — do total de respondentes, mil funcionários são do Brasil.

 

No mundo, segundo o Kantar Inclusion Index, 80% dos entrevistados testemunharam ou vivenciaram discriminação, no ambiente de trabalho (crédito: Christina Morillo/Pexels)

Para Eduardo Tomiya, diretor executivo da Kantar Brasil, as empresas brasileiras precisam considerar o tema inclusão e diversidade como importante. Segundo a pesquisa, o Brasil é considerado o país com maior nível de discriminação no ambiente de trabalho, ao lado de México e Cingapura. Entre os entrevistados, 41% já se sentiram desconfortáveis, no local de trabalho. O resultado, de acordo com o diretor executivo da Kantar Brasil, sugere que as empresas brasileiras não estão criando um ambiente de trabalho propício para seus colaboradores.

Além disso, 35% observaram discriminação em relação a outras pessoas, dentro das empresas. Nesse aspecto, os Estados Unidos trazem a melhor porcentagem (14%). “O fato desse país ser benchmark demostra que as empresas americanas estão mais evoluídas do que as brasileiras. Lá, o desrespeito às minorias é um tema que, normalmente, leva a sérios processos trabalhistas”, diz Eduardo.

O Canadá, por sua vez, lidera o índice de inclusão, de forma geral. Fatos como a representatividade adequada de gênero entre cargos seniores — mais de 40% do sexo feminino — e a crença de que as empresas demostram de forma concreta a intenção de se tornarem diversas (citada por 65% dos canadenses) colocam aquele país no topo da lista.

O Kantar Inclusion Index destaca a importância de as companhias, no Brasil, desenvolverem uma gestão mais inclusiva e que faça, de fato, diferença na vida dos colaboradores. De acordo com o índice, 28% dos respondentes afirmam que as empresas em que atuam poderiam ser mais inclusivas e diversas do que já são. Para isso, afirma o executivo da Kantar, “as companhias devem estruturar processos de recrutamento, gestão de pessoas e dar oportunidade para que a diversidade de opiniões seja respeitada em todas as decisões”.

No mundo, 80% dos entrevistados testemunharam ou vivenciaram discriminação no ambiente de trabalho. Além disso, apenas um em cada três sentem-se encorajados a levar o assunto ao departamento de recursos humanos.

Ademais, ainda levando em consideração dados globais, quase a metade dos funcionários (46%) acredita que indicação profissional é o fator que, de fato, impulsiona a ascensão de carreira, em vez de conhecimentos. Quase um em cada cinco colaboradores (19%) já foi intimidado, prejudicado ou assediado, no local de trabalho, no ano passado. Esse número aumenta para 23% para indivíduos que se identificam com gêneros não-binários.

No mundo, mais de um quarto das mulheres  (27%) foram induzidas a sentir que não pertenciam às empresas em que atuam. Além disso, 20% delas acreditam que recebem menos do que seus colegas em posições semelhantes. Já os funcionários que se identificam como LGBTQ+ ocupam apenas 2% das posições em conselhos de administração das empresas. Quase um quarto da população que se encontra nessa categoria (24%) sofreu bullying no trabalho em 2018.

Entre os funcionários, de acordo com dados globais do índice de inclusão e diversidade, 11% que se identificam como minoria étnica acreditam que são tratados de forma muito diferente, no ambiente de trabalho. Já 13% se sentem excluídos.

*Crédito da foto no topo: Lukas/Pexels

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