Companhias aéreas sentem turbulências da alta nos combustíveis

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Companhias aéreas sentem turbulências da alta nos combustíveis

Em decorrência do aumento, fomentado pela guerra na Ucrânia, Latam, Gol e Azul alteram estratégias de marketing

Amanda Schnaider
25 de março de 2022 - 6h00

A guerra na Ucrânia, que completou um mês nessa quinta-feira, 24, tem impactado diversos setores da economia. Um deles é o da aviação, que sentiu diretamente a alta dos combustíveis, motivada pela suspensão da importação do petróleo da Rússia, pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Essa medida fez o preço do barril do petróleo disparar em todo o mundo.

No Brasil, no último dia 10, a Petrobras anunciou a alta de 18% no preço da gasolina e de 25% no preço do diesel. Esse fator acabou pressionando o valor do QAV (querosene da aviação), que atingiu a maior cotação desde 2008. O QAV vem sofrendo constantes altas nos últimos três anos e, neste momento, representa cerca de 50% dos custos de um voo, percentual bem acima da média histórica.

Comparada a 2019, a alta é de cerca de 90% e, em relação aos valores do último trimestre de 2021, de 30%. Devido a esse aumento, as principais companhias aéreas do Brasil tiveram que reajustar suas estratégias para o momento, repassando o valor aos consumidores.

 

(crédito: Thiago B Trevisan/shutterstock)

A gerente de marketing da Latam Brasil, Amira Yaoub, confirma que a companhia teve que aumentar o valor de suas passagens há duas semanas. “Seria inimaginável que isso não nos impactasse, porque o combustível querosene é um dos nossos maiores custos de operação, então obviamente que fizemos repasses para o consumidor, é impossível que não se faça ao longo do tempo”, reforça.

Segundo Amira, toda essa situação faz com que a companhia ainda tivesse que postergar algumas estratégias de marketing que estavam programadas. Todas elas, no entanto, continuam de pé. “Estamos tendo que revisar os nossos lançamentos, sejam de campanhas institucionais ou de campanhas promocionais”, conta. Além disso, apesar de manter as campanhas promocionais, a gerente pontua que elas não estão tão chamativas como eram no início do ano, em relação ao preço das passagens promocionais. “Obviamente que as ofertas de promoção diminuíram por conta disso, até porque não conseguimos fazer um repasse com o desconto maior para o nosso cliente nesse momento”, admite.

Apesar da reestruturação estratégica, a Latam está preparando uma grande campanha de marca para ser lançada ainda no primeiro semestre deste ano, de acordo com Amira. “Por conta dessa mudança global, da alta no combustível, começamos a colocar um pouquinho o pé no freio analisar se vai continuar ou não”, complementa.

Assim como a Latam, a Gol afirmou, em nota, que seria “inevitável o aumento dos valores das passagens”, porém reforçou que não é possível determinar o percentual exato em função da atual volatilidade dos preços do QAV. “Reforçamos que o processo de precificação é dinâmico e também segue a oscilação da demanda e da elasticidade e sazonalidade, inerentes ao setor aéreo”, complementou a companhia, em comunicado.

Embora não confirme alterações em sua política de preços, a Azul Linhas Aéreas diz, em nota, que sua operação está sendo impactada. “A continuidade desse cenário poderá adiar uma retomada mais vigorosa da oferta de voos no país, assim como a inclusão de novas cidades e novas rotas e frequências entre aeroportos que já contam com serviço aéreo”.

Tariana Cruz, gerente geral de marketing da companhia, confirma que a Azul está ajustando sua oferta de voos em decorrência do atual momento. “A medida é necessária devido ao aumento exponencial do valor de várias commodities nas últimas semanas, em especial do barril de petróleo, que já vinha sofrendo consecutivas altas em função da pandemia da Covid-19 e atingiu um pico recorde desde 2008, pressionando muito o valor do QAV”.

Para este ano, a companhia está com alguns objetivos estratégicos, entre eles fazer com que a marca esteja presente no dia a dia dos consumidores em momentos além de sua jornada, aumentando o brand awareness. “Além disso, estamos cada vez mais focados em alinhar a Experiência Azul em todos os pontos de contato com os clientes, reforçando a consistência da nossa marca em todos os territórios em que ela se comunica”, completa Tariana.

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