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Não só de baixaria vive a TV

O sucesso de Ding Dong, quadro do Domingão do Faustão, prova que é possível conseguir audiência e repercussão sem precisar apelar


7 de julho de 2016 - 11h04

A música e os game shows sempre deram base aos programas de auditório no Brasil. Claro que, com frequência, o sensacionalismo e o assistencialismo também rondam as atrações do gênero, principalmente quando há situações tensas de concorrência, como a guerra de audiência travada por Faustão e Gugu entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000.

Recordo isso para comentar o bom momento do Domingão do Faustão, que atualmente vive uma grande fase. Muito pelo quadro que mexe diretamente com a memória afetiva das pessoas e tem muita repercussão nas redes sociais: o Ding Dong, a campainha do sucesso.

A competição estreou ano passado, mas não engrenou no início por causa do formato que seguia a fórmula original inglesa e eram os covers dos artistas que saíam das portas para se apresentarem. O público mais reparava os defeitos dos sósias do que curtia o momento.

Este ano foi feita uma mudança fundamental: os próprios artistas passaram a comparecer ao programa. Outro item interessante foi convidar atores, comentaristas esportivos e humoristas da casa para formarem as duplas ou os trios que tentam reconhecer a música por trás da campainha. Pronto, deu certo!

Além disso, pelo menos na minha modesta opinião, é muito importante fazer o resgate de artistas que fizeram sucesso em determinada época, mesmo que tenha sido apenas com uma canção. Os mais jovens ficam conhecendo quem já esteve nas paradas e os mais velhos podem recordar, não somente a música, mas fatos da vida que aconteceram junto.

Assim, relembramos nomes como Roberto Leal, Patrícia Marx, Yahoo, Dalto, Hyldon, Peninha, entre muitos outros. Até artistas que não andam tão sumidos participam – e a concorrência deve estar acirrada para os próximos domingos.

A maioria é “sócia do Perdidos da Noite”, como costuma destacar Faustão, se referindo ao lendário programa que ele apresentava na Band nos anos 1980 – e tinha a música e o humor como pilares. O próprio apresentador se diverte relembrando velhos amigos, sucessos e passagens curiosas.

Vale lembrar que o SBT teve uma atração que resgatou diversos nomes da música também, mas com repercussão bem menor. Foi o Rei Majestade, que reuniu 125 artistas em 2006. A ideia foi de Silvio Santos, que apresentou a competição. O próprio Qual é a Música, que fez muito sucesso nas décadas de 1980 e 1990, poderia ter novamente uma vaga na grade da emissora.

Particularmente, nunca fui fã da choradeira que alguns programas promovem, especialmente aos fins de semana, em busca de qualquer ponto a mais de audiência. O sucesso do Ding Dong prova que é possível conseguir audiência e repercussão sem apelar para os mais baixos estratagemas. É o mais puro entretenimento, sem qualquer rastro de baixaria.

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