A melhor tecnologia é o lado humano da empresa

Buscar
Publicidade

Opinião

A melhor tecnologia é o lado humano da empresa

Na NRF, alguns cases apontam que, se todos estiverem engajados não só com seu trabalho pessoal, e sim com a marca, o cenário atual fica mais fácil de ser administrado


17 de janeiro de 2018 - 15h19

Chegou ao fim, em Nova York, a 107a edição da NRF 208, o maior evento de varejo do mundo. Foram 18 mil varejistas, 600 expositores e 35 mil pessoas envolvidas. E, em um evento com tantas pessoas de perfis tão diferentes, nada mais justo do que falarmos também sobre a importância da humanização nos negócios.

Scott Harrison, CEO da Charity:Water, abriu o último dia contando sua história pessoal e explicando como surgiu a ideia de criação da ONG. A instituição, fundada por ele, é uma organização sem fins lucrativos que tem como principal objetivo levar água potável a locais onde, infelizmente, ainda é um bem raro. “Ninguém nos dias de hoje deveria ser obrigado a beber água de pântano”, afirma. Com essa ideia na cabeça, ele colocou uma meta: levar água potável ao maior número de pessoas do planeta.

A primeira dificuldade foi conseguir atrair doações. As pessoas ficavam desconfiadas por não saber como as empresas de caridade administram o dinheiro recebido. Pensando nisso, ele teve duas ideias simples, mas que garantiram a existência do projeto. A primeira foi deixar todas as contas disponíveis e abertas. Quem faz uma doação pode acompanhar exatamente o que foi feito com o dinheiro investido. A segunda foi no dia do seu aniversário. Sempre com muitos amigos, ele resolveu fazer uma festa para 700 convidados em que pedia apenas US$ 20 de cada um. Depois, todos foram avisados sobre o que foi feito com esse dinheiro. Assim, a ideia do projeto se espalhou e o Charity:Water se mantém firme há mais de dez anos. Como lição de casa, Scott pediu para que todos ajudem a criar uma cultura de generosidade. Empresas de vários tamanhos podem usar sua influência também para ajudar quem mais precisa.

Outra palestra de destaque foi a do Hamdi Ulukaya, CEO e fundador da empresa de iogurtes Chobani. Novamente, o tema foi a humanização do trabalho. Ao contar sua história, o empreendedor afirma que o grande sucesso da empresa não se deve apenas ao produto, e sim à forma como é feito. Desde o início, ele conta ter contratado todas as pessoas que se interessavam pelo trabalho que, na época, eram moradores da comunidade em volta da fábrica. Além do salário, eles recebiam participação nos lucros da empresa. Dessa forma, os colaboradores se tornaram os acionistas da empresa. Todos engajados não só com seu trabalho pessoal, e sim com a marca. “A mensagem é única, somos uma família”.

O presidente do Grupo Walmart, Doug Mcmillon, foi mais uma voz no coro daqueles que pedem a valorização do funcionário. Também durante um painel, ele fez um apelo a todas as empresas de varejo para que invistam em seus funcionários. Não apenas em salários — o que é muito necessário —, mas também em benefícios. O Walmart, por exemplo, tem políticas diferenciadas de licença maternidade e paternidade, além de auxílio monetário a funcionários que adotarem crianças.

E se estamos falando de pessoas, não dá para esquecer a China, o maior mercado consumidor de e-commerce do mundo. Na palestra do Lee McCabe, vice-presidente do Grupo Alibaba para a América do Norte, fomos apresentados a números extremamente relevantes sobre as tendências locais. O futuro é promissor. Até 2019, ou seja, ano que vem, os compradores online chineses representarão 27% do mundo. Em relação às vendas, o número sobe para 57%.

E para atender um mercado em crescimento tão forte e com uma mente tão tecnológica, as empresas de pagamento já estão investindo em formas mais seguras e modernas de concluir a compra. Alfred Kelly, CEO global da Visa, afirma que, no futuro, não veremos os cartões de crédito como conhecemos hoje. As transações serão feitas por smartphone, acessórios wereable, pulseiras inteligentes etc. A perspectiva é que nos Estados Unidos, até o final deste ano, mais da metade dos estabelecimentos comerciais já aceitem o que eles chamam de “meios de pagamento sem contato”.

Números e perspectivas não faltaram nestes últimos três dias. Foram mais de 130 palestras dos mais variados temas. Empresários de todos os setores compartilharam suas ideias mostrando como a tecnologia e o novo lifestyle do consumidor estão mudando e deverão mudar ainda mais o cenário do varejo. Como manter minha marca forte em meio a tantas mudanças? Como usar essa enorme quantidade de novas plataformas a favor da minha marca? Qual é o papel do funcionário dentro desse cenário tão tecnológico? Essas foram algumas das perguntas mais importantes que encontraram respostas nesta edição da NRF 2018.

Publicidade

Compartilhe

Veja também