Um convite à criatividade

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Um convite à criatividade

Cintia Gonçalves, da AlmapBBDO: a criatividade precisa de coragem e uma mala de repertório. Pelo menos é isso o que me ensina minha filha de quatro anos


4 de setembro de 2018 - 8h00

Crédito: FatCamera/iStock

Muito já se falou sobre a criatividade como um talento. Ao imaginar os grandes nomes que tiveram brilhantes ideias e mudaram o mundo, logo vem o estereótipo: gênios solitários e caras esquisitos que vivem ao redor de seus pensamentos e seus egos. Ou seja, a criatividade como um dom, que não se sabe de onde veio. Se você nasceu com ela, agradeça. Se não, prepare-se para uma vida cotidiana e pacata.

Já faz algum tempo que experimentos com o cérebro provam que não é bem assim. Nossa mente é comprovadamente flexível. Criatividade, para neurociência, nada mais é do que a capacidade de ativar sistemas cerebrais que tipicamente não andam juntos. E não são poucas as possibilidades: temos bilhões de neurônios que podem ser combinados de maneiras diferentes, gerando algo desconhecido por nosso próprio cérebro.

Um estudo recente realizado pela Universidade da Carolina do Norte em Greensboro (UNCG) prova essa tese. Foram reunidas diferentes pessoas em uma sala e entregue para cada uma delas um objeto. A tarefa: imaginar o maior número possível de diferentes usos para esse objeto. Aqueles participantes que criaram um leque maior de possibilidades comprovadamente realizaram um número maior de conexões entre diferentes áreas do cérebro.

O que precisamos fazer para aprender a acessar todas as possíveis combinações? Exercício. Contrariar nosso hábito da linearidade e da repetição, por exemplo. Expor nossa mente a novos problemas e resistir à tentação de percorrer caminhos conhecidos para resolver problemas antigos.

A abertura para esses mecanismos depende fundamentalmente da experiência com o mundo à nossa volta. Quando foi a última vez que você inventou uma história? Que se empolgou tanto com um livro que não conseguiu nem dormir com tantas ideias? Que não teve medo de errar?

A criatividade precisa de coragem e uma mala de repertório. Pelo menos é isso o que me ensina, sem teorias, minha filha Maria Carolina, de quatro anos.

O Palhaço e a Bailarina

Há um tempo fui ao teatro com minha filha. Assistimos a O Palhaço e a Bailarina, uma história de amor daquelas conhecidas, que não cansamos de ouvir e reconhecer nos amigos e amigas por aí. Verdade embalada com brilhantismo, bom roteiro e excelentes atores.

Pronto. Um prato cheio para Carol. Minutos depois de chegarmos em casa, a peça original já ganhava uma versão toda dela, em meio a fantasias e panos. A partir daí, vieram os desenhos. A vontade de conhecer a música esquisita que o palhaço dançava, o nariz pintado de vermelho e um mundo de outras interpretações e curiosidades. Faz um mês que lá em casa criamos mais episódios para a série. No online e no off-line.

Incrível ver como abrir as portas para o novo faz a diferença. Como estar aberto para aprender o que você não sabia já é metade do caminho. A vida está aí convidando você.

Como diz o palhaço, “as coisas são só as coisas”.

 

*Crédito da imagem no topo: kmlmtz66/iStock

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