O papel decisivo da mídia nas eleições 2018

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O papel decisivo da mídia nas eleições 2018

A TV e o rádio ainda serão meios cruciais para a definição dos vencedores destas eleições porque o alcance é muito grande, mesmo com a ascensão da internet


27 de setembro de 2018 - 18h00

Créditos: Peterhowell/iStock

A grande mobilização nas redes sociais, contra ou favor dos diversos candidatos que concorrem às eleições — e da qual o exemplo mais recente e ruidoso é o grupo Mulheres Contra Bolsonaro, que já ultrapassou a casa dos dois milhões e meio de adesões — é vista por diversos especialistas como a prova de que os meios digitais terão impacto muito maior no pleito deste ano do que nos anteriores.

Para muitos candidatos, as redes sociais tornaram-se a esperança de alavancar os votos que poderão elegê-los e derrubar seus adversários, mesmo com poucos recursos de campanha. Com muitos canais na internet para alcançar os eleitores, os candidatos utilizam o ciberespaço para expor ideias, alimentar as eternas ‘discussões’ entre esquerda e direita e, sobretudo, mobilizar seus correligionários e eleitores para angariar ainda mais votos — com a vantagem de que o meio digital pode ser explorado, em termos de espaço e tempo, por qualquer candidato, igualmente. Especialmente os pequenos partidos, que obtiveram pouco ou nenhum tempo de TV, apostam em campanhas direcionadas no Facebook e em outras plataformas, como, praticamente, a única arma na guerra das eleições.

Mas, será que isso fará destas as primeiras eleições a consagrarem candidatos com mais engajamento junto ao mundo digital? Qual é a eficácia de uma campanha eleitoral nas redes sociais ou, de forma geral, em sites da internet? E qual é a real penetração e a real taxa de conversão desse eleitor em voto?

Quando falamos de um país com dimensões continentais como o Brasil, há uma diferença brutal na entrega de uma campanha digital comparativamente ao alcance da TV e do rádio em âmbito nacional por um simples fator: a infraestrutura precária das telecomunicações. O ponto central é a capacidade técnica das operadoras de internet entregarem ao eleitor, assertivamente, a comunicação de um candidato. A disponibilidade de sinal de internet difere muito conforme a infraestrutura disponível em cada cidade brasileira. Por exemplo, em São Paulo, tecnologicamente a cidade mais avançada da União, com a infraestrutura de rede de telefonia e de internet mais confiável, a média de entrega de uma campanha de publicidade digital é de 60%, enquanto em Aracaju (SE), por exemplo, é de 20% em média de entrega.

Adicione-se a isso a precária entrega de comunicação via mobile. A grande maioria dos brasileiros é usuária de serviços pré-pagos de celular, com um tempo limitado de acesso à internet, de acordo com seus planos de dados. Isso dificulta a entrega e a taxa de conversão das campanhas. Citando o exemplo de uma grande operadora de celular, sua taxa de entrega de mobilidade é de 67%, na região de maior concentração do PIB brasileiro, entre Campinas e São Paulo. Essa mesma operadora, em Feira de Santana (BA), no mesmo raio de ação que seria entre Campinas e São Paulo, cerca de 90 km, consegue entregar só 27% de uma campanha no mobile daquela região. Portanto, essa questão, que é estritamente de falta de infraestrutura no País, não ajuda o candidato que aposta tudo nas redes sociais.

Outro ponto importante também é a mensuração do digital. As formas de se medir o retorno de uma campanha ainda são muito novas, pouco testadas e, não raramente, falham em suas previsões, o que pode levar a conclusões e rumos errados nas campanhas dos candidatos. Há um risco real de achar que a campanha foi bem-sucedida, enquanto, na realidade, pouco engajou o eleitor.

Por isso, a TV e o rádio, com sua eficiência, ainda serão meios cruciais para a definição dos vencedores destas eleições. Além de mídias históricas, cuja mensuração já foi testada e comprovada em diversos pleitos, o alcance nacional destas duas mídias ainda prevalece e é muito grande, mesmo com a ascensão da internet na preferência da população.

De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia, da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal (Secom), em parceria com o Ibope, cuja última edição saiu em 2016, a TV ainda é a mídia de preferência de 63% da população brasileira, seguida pela internet, com 26%, e o rádio, com 7%. Apesar do rádio ter sido ultrapassado pela internet, ainda se beneficia do próprio mundo online, já que podemos ouvir rádios de qualquer parte do Brasil e do mundo onde quer que tenhamos internet em nossos laptops ou celulares.

Um ponto a se destacar na pesquisa da Secom é a preferência de mídia segundo a escolaridade da população. De acordo com o levantamento, quanto menor o nível de escolaridade, maior a preferência pela TV e, se até com maior escolaridade, a TV predomina, mesmo tendo como concorrente direta a internet, que cresceu bastante nas classes A e B. Isso significa que, sendo o Brasil, infelizmente, um país defasado em oportunidade de educação para a população, será a TV que alcançará a maior parte do eleitorado nacional nestas eleições. Principalmente nas praças onde a infraestrutura da rede é precária. E será a TV que, mais uma vez, provavelmente, determinará quem vai representar a Nação nos próximos anos.

 

*Crédito da imagem no topo: Pixabay/Pexels

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