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A jornada da PepsiCo para a era dos hábitos saudáveis

Presidente da divisão de bebidas da companhia nos EUA aponta os produtos funcionais como a estratégia para o presente e futuro

i 13 de janeiro de 2026 - 6h00

PepsiCo saudáveis

Michael Del Pozzo é presidente da divisão de bebidas da PepsiCo nos Estados Unidos (Crédito: Bárbara Sacchitiello)

Prebióticos, proteínas, bebidas funcionais. Essas palavras passaram a fazer parte do cotidiano e das estratégias de negócios da PepsiCo, companhia que, com mais de 100 anos de fundação – a contar de sua bebida originária, a Pepsi Cola – busca atualizar-se para atender às novas gerações que conservam diferentes opiniões sobre o que devem ou não comer e beber.

O desafio foi compartilhado por Michael Del Pozzo, presidente da divisão de bebidas da PepsiCo nos Estados Unidos, o maior mercado da companhia. Em apresentação na Retail’s Big Show nessa segunda-feira, 12, o executivo falou sobre como a empresa vem em uma jornada de reavaliação, tanto de seu portfólio quanto de distribuição e vendas.

Geração saúde

Um dos tópicos mais falados por Del Pozzo, que ingressou na PepsiCo como estagiário, há 25 anos, e galgou diferentes posições até assumir, no ano passado, a liderança da divisão de bebidas nos Estados Unidos, foi a necessidade de reequilibrar os ingredientes do portfólio, tirando o açúcar e inserindo outros nutrientes.

Segundo ele, saúde e bem-estar, hoje, não são mais desejos de alguns consumidores: são expectativas generalizadas. “Isso passa por modernizar todo o portfólio que temos hoje, pegando, por exemplo, uma marca com Gatorade, criada em 1965 e hoje, mais de 60 anos depois, transformá-la em um produto com baixo teor de açúcar e sem ingredientes artificiais. Ou, então, por remover os componentes artificiais de nossas marcas de snacks, como Lay’s e Tostitos. O que os consumidores esperam é isso”, confessou.

Um dos movimentos mais recentes que a companhia fez nessa caminhada em prol da saudabilidade foi a compra da marca de refrigerantes prebióticos Poppi, pelo valor de US$ 1,95 bilhão.

Essa nova filosofia de negócios, segundo Del Pozzo, visa acompanhar as mudanças de consumo da população, sobretudo aquelas percebidas pela marca, nos Estados Unidos, após a popularização dos chamados medicamentos GLP-1, utilizados para controle de diabetes e, também, de obesidade.

Se boa parte do seu público-alvo decidiu aderir a uma dieta, a estratégia não é tentar derrubá-lá e, sim, oferecer soluções. Del Pozzo citou que o maior interesse da população pelo consumo de proteínas também ingressou nas estratégias da empresa. O executivo citou a linha Propel, um mix em pó com eletrólitos, 20 gramas de proteína de soro de leite e fibras, antecipando que a PepsiCo terá três lançamentos proteicos em 2026.

“Isso tem um impacto material na forma como pensamos em snacks saudáveis, bebidas funcionais, etc e a forma como as pessoas compram tem implicações comerciais. As pessoas não querem esperar; querem que tudo seja entregue agora, em suas casas e isso impacta diretamente o negócio e, para uma empresa como a nossa, exige uma mudança em todas as etapas, desde nossos parceiros de engarrafamento até uma linha de frente com nossos parceiros de varejo”, pontuou.

Jornada de aceleração

Essa renovação no portfólio, para atender a quem busca por opções de bebidas mais saudáveis passa também pela reformulação do timing da agenda de inovação da companhia.

O presidente da divisão de bebidas contou que a empresa vem trabalhando arduamente para acelerar a inovação através da aplicação de inteligência artificial em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), da amostragem rápida e testes com varejistas.

“Não se pode mais levar dois anos para ter um lançamento. É preciso observaro mercado e pensar no que melhor se ajusta ao tempo que temos e para onde precisamos ir. A Poppy foi um ótimo exemplo: acreditamos que será uma marca de bilhões de dólares e é para onde o futuro do refrigerante deve ir. Minhas filhas, de 11 a 13 anos, não pensariam em ingerir ingredientes prebióticos, mas correm para pegar esse refrigerante na geladeira”, contou Del Pozzo, usando um exemplo caseiro.

O executivo também pontuou que a companhia está atenta à digitalização – na verdade, à omnicanalidade – dos hábitos de compras. Del Pozzo citou que, atualmente, 70% dos consumidores dos Estados Unidos compram mantimentos de forma online e que, até 2030, cerca de 80% a 100% do setor de mercearia será digital.

“Em nossos varejistas mais sofisticados dos Estados Unidos, mais de 20% de todo o portfólio da PepsiCo é comprado digitalmente. As implicações comerciais são enormes. Como criar demanda nesse ambiente, tão movido pelo impulso: Estamos tentando ser mais rápidos na antecipação dessas tendências, em um ambiente totalmente omnicanal”, concluiu.