Sir Paul McCartney e “Sir humano”

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Sir Paul McCartney e “Sir humano”

Precisamos mudar e criar uma nova forma de trabalho, de metodologia, um novo mindset, sem perder a essência da profissão e da boa propaganda


9 de abril de 2019 - 15h24

 

(crédito: Gustavo Caballero/GettyImages)

Falou-se muito sobre Paul McCartney nos últimos dias. Ele retornou ao Brasil pela nona vez, e, pra variar, foi um sucesso. E olha que ele já está lá com seus cabelos bem brancos.

Sim, fui pela quarta vez, e entre um café e outro, resolvi escrever uma simples reflexão. Sem pretensão de iniciar uma discussão sobre a vida dos seres humanos. Longe de julgá-los, subestimá-los ou algo parecido. É só uma linha de pensamento.

Hoje vivemos num mundo onde todas as novas gerações (e olha que existem muitas) estão dominando todo o contexto. Estão dominando as pessoas. Dominando os locais de trabalho. Não estou falando de novas tecnologias, estou falando de pessoas. Seres humanos.

Nós mesmos acabamos nos rotulando para tentarmos nos encaixar numa conversa, numa vaga de emprego, no papo em família. “Eu sou da geração X, ou Y, ou Z, ou M, etc.”. Cara, isso é uma loucura. Queremos nos encaixar em algo que nos ajude a nos definir. Está certo isso? Na minha humilde opinião: não.

Existe muito mais gente que se acha um “Sir Humano”, fora da curva por se rotular como de uma ou outra geração, do que Sir Paul McCartney por aí. O ponto é simples, aliás muito simples.

Sir Paul McCartney tem 76 anos de idade e, em cima de um palco, toca e canta por quase três horas sem parar. O Sir Humano, às vezes, mal consegue subir num palco para contribuir com um espetáculo. Nem mesmo que seja para acionar o “power on”. Na maioria das vezes, sua maior preocupação é o “power off”, para começar outra coisa que mal terminou de entregar e que foi inicialmente pedida ou desejada.

Paul McCartney começa o espetáculo (muito mais do que um show) no horário, interage na hora certa, é versátil, trabalha focado, tem objetividade em seus pensamentos e vontades, curte sua vida, entende o local onde está; não importa se o palco é simples ou complexo, ele está ali com um propósito muito bem definido e vai atrás disso desde quando era jovem — mesma idade dessas “gerações” que temos hoje. Ele tem repertório, trabalha em equipe, consegue prender a audiência, é ouvinte.

Além disso, é produtor, instrumentista (toca piano, baixo, guitarra, bateria, teclado), compositor, empresário e ativista dos direitos dos animais. Ele já foi parar no Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior compositor musical da história do pop mundial. Foi, também, agraciado em 1997 com o título de “Sir” pela rainha da Inglaterra.

Nos últimos anos, passamos por grandes dificuldades políticas, econômicas, socioambientais, comportamentais, dentre outras. No mercado publicitário não foi diferente. By the way, não está sendo. De que adiantam grandes eventos, festivais e palestras se o ser humano não tiver um foco, um propósito? Nós, publicitários, precisamos mudar e criar uma nova forma de trabalho, de metodologia, um novo mindset, sem perder a essência da profissão e da boa propaganda. Precisamos de muito mais “acabativa” do que iniciativa.

Imagine se tivéssemos um pouco de Sir Paul McCartney dentro de nós? Ou espalhado por aí? É difícil afirmar que a nossa vida seria completamente diferente, mas podemos afirmar que seria, sim, melhor do que hoje. Ah, sim… seria! Não importa se você é publicitário, marqueteiro, médico, pintor, auxiliar de escritório, político, etc. Com certeza seria diferente.

Todos nós devemos e precisamos nos adaptar às mudanças, às novas metodologias de trabalho, às regras, ao patinete em plena Vila Olímpia (bairro de São Paulo). Mas não precisamos achar que por conta disso somos um novo Sir Humano. Grande parte das novas gerações preocupa-se muito mais com direitos do que com deveres. Vamos ser um pouco Sir Paul McCartney.

Se você não gosta dos Beatles ou tampouco do Paul (como é carinhosamente chamado por muitos), não importa. Vá atrás da história desse cara e do seu legado. Inspire-se, aprenda, estude, viva.

“Seria ótimo se as pessoas com diferenças no mundo de hoje percebessem que não existem diferenças.” (Paul McCartney)

*Crédito da foto no topo: Kipras Streimikis/Unsplash

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