China: a potência tecnológica do presente

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China: a potência tecnológica do presente

O país criou um unicórnio a cada 3,8 dias em 2018, startups que atingiram valuation de US$ 1 bi apenas no último ano; foram 186 unicórnios chineses contra apenas quatro brasileiros


10 de abril de 2019 - 16h47

Executivos com Jeffrey Kang, CEO da IngDan (crédito: Adilson Batista)

O país criou um unicórnio a cada 3,8 dias em 2018, startups que atingiram valuation de US$ 1 bi apenas no último ano. Foram 186 unicórnios chineses contra apenas quatro brasileiros.

Tive o privilégio de, recentemente, visitar a China pela primeira vez. Confesso que sabia muito pouco sobre o país e muito menos sobre o jeito chinês de lidar com a tecnologia. Achava, de forma ignorante, que tudo era “ching ling”. Minha perspectiva enviesada era a do país “copycat” – aquele que copia tudo, que fabrica produtos de baixa qualidade e que tem mão de obra escrava por todos os lados. Talvez você também pode ter pensado assim alguma vez na vida. Posso afirmar que isso é coisa que está ficando no passado.

A China que encontrei é uma potência tecnológica impressionantemente avançada. A visita, que começou por Shenzhen, capital mundial do hardware, impressionou a mim e aos mais de trinta empresários que estavam juntos na missão empresarial organizada pelos empreendedores e amigos Rui Cavendish e Ricardo Geromel. Após os cinco dias da missão, senti como se tivesse levado uma surra do meu xará Adilson Maguila.

Para começar, a China criou um unicórnio a cada 3,8 dias em 2018 — foram 97 startups que atingiram valuation de US$ 1 bi apenas no último ano. Comparando, foram 186 unicórnios chineses contra apenas quatro brasileiros: 99, Nubank, Movile e Gympass. Ou seja, são quarenta e seis vezes mais. A China era um país miserável no começo da década de 1990 e, menos de trinta anos depois, já é a segunda maior economia do mundo. Como isso aconteceu? Qualquer explicação sobre esse complexo avanço levará em consideração três palavras-chave: educação, empreendedorismo e governo. Essas são afirmações do Geromel, que vive no país desde 2009 e pôde acompanhar a rápida evolução de perto.

“Creio que as muitas startups chinesas vão começar com força seu processo de expansão internacional. Veja o caso da Makeblock, que faz uma espécie de Lego para crianças que também serve para ensinar como escrever o código de software. A empresa já está em mais de seis mil escolas na França e em mais de 140 países, apesar de ter começado menos de nove anos atrás”, frisou Geromel em uma de suas muitas explanações sobre a pujante economia do país. Ainda em 2018, a China recebeu mais de 50% de todo o capital desembolsado por VCs (venture capitalists) aplicado em EdTechs. Isso é mais do que a soma total recebida por todos os demais países do mundo, incluindo os EUA,  na mesma categoria.

Perguntei para o Rui como era o mercado de mídia e propaganda por lá. A primeira coisa que ele me disse foi: “Cara, aqui não existe anunciar na TV. Só no celular.” E continuou: “Sabe essa coisa de omnichannel e O2O que falam tanto no Ocidente? Aqui já morreu. O termo aqui é new retail, onde há a completa digitalização da jornada dos consumidores”.

O volume de dados a que tive acesso foi impressionante, porém, o mais impressionante mesmo foi ver de perto tecnologias como AIoT (inteligência artificial + internet das coisas) trabalhando orquestradas e em aplicações práticas mostradas na sede da empresa IngDan, que é um gigantesco conglomerado de tecnologia detentor de inúmeras patentes nessa área. Outra visita que me impressionou muito foi a Midstereo, que desenvolveu e patenteou a tecnologia que permite ver imagens 3D a olho nu, sem precisar de óculos. É impressionante ver um filme com coisas explodindo na sua frente sem precisar usar nenhum aparato tecnológico.

A missão percorreu Shenzhen, Guangzhou e Hong Kong. Foi incrível ver as diferenças regionais e toda a magnitude de um país que está liderando muitas áreas tecnológicas. Com certeza, tudo isso é o presente para eles e espero que seja o futuro para nós. Valeu cada centavo investido na viagem.

*Crédito da foto no topo: Adilson Batista

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