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Compliance cultural

Como as organizações podem crescer com um modelo de gestão não masculino


9 de maio de 2019 - 17h31

(Crédito: Nattakorn Maneerat/iStock)

Nos bastidores do mundo corporativo, ainda é muito comum que as pessoas façam distinção entre as regras determinadas pelas lideranças. Muitas vezes, quando uma norma não é prevista em lei, elas a encaram apenas como uma “sugestão” e, por isso, entendem que não são obrigadas a segui-la. Se em sua organização há quem age assim, saiba que a sustentabilidade do seu negócio está em risco.

O compliance já não é novidade nas empresas, cujos códigos de conduta estão sempre se atualizando. Agora, estamos aprendendo o que é o Compliance Cultural, ou seja, regulamentos que visam a uma verdadeira transformação cultural dentro do ambiente empresarial.

Mas, o que a cultura tem a ver com o local de trabalho? Tudo! Antes, prevalecia a ideia de que comportamentos como gritos e piadas ofensivas vindos de superiores precisavam ser aceitos pelos funcionários. Hoje, as empresas estão trabalhando cada vez mais em prol de um clima organizacional saudável, encorajando os colaboradores e incentivando-os a verbalizarem suas opiniões e denunciarem situações inadequadas quando necessário. As organizações estão aos poucos posicionando-se de modo intolerante quanto a qualquer tipo de assédio (moral, sexual, bullying etc.) e se comprometendo em não permitir represálias contra quem manifestar o problema ao RH.

Outro viés da mudança cultural visível nas organizações é a representatividade feminina, seja na liderança ou nas equipes. Mesmo sendo motivo para comemoração, ela pode evidenciar outras questões, como a reduzida sororidade no ambiente de trabalho. O que acontece quando uma diretora julga ou critica uma funcionária que precisa faltar porque o filho está doente? Onde está o apoio entre as mulheres? Será que, para ser líder, é preciso ter as mesmas atitudes que alguns homens teriam?

Características tidas como femininas, como empatia, sensibilidade e compreensão, eram vistas como fraquezas. Porém, as mudanças na sociedade indicam que, muito em breve, esse modelo de negócio que alimenta atitudes de baixa inteligência emocional não será mais sustentável.

Há também a questão da igualdade entre homens e mulheres. Acreditamos que as mulheres só conseguirão se fortalecer e encontrar a igualdade quando se unirem na percepção de que a rivalidade entre elas é nociva para todas. Sororidade não se trata de gostar de todas as mulheres e achar que não possuem defeitos, mas sim, de agir com humanidade em relação às outras e compreender que precisamos nos organizar e nos amparar para garantir nosso sucesso. A mulher pode, sim, ser líder sem precisar reproduzir os padrões de masculinidade. Uma líder cresce e traz outras para crescerem com ela.

A construção do Compliance Cultural acontece em um momento que tem obrigado as organizações a implementarem novos modelos de gestão. Esse é um dos maiores desafios, pois ainda não existem exemplos difundidos de administração corporativa não masculina.

Um estudo da McKinsey aponta que as organizações faturam 21% a mais com mulheres na liderança. Com a transformação cultural, a empresa ganha dinheiro, um ambiente mais saudável, reputação, contratos com empresas alinhadas a esses objetivos, um protagonismo de vanguarda e a possibilidade de tecer uma nova forma de existência no mercado.

Futuramente, esperamos uma maior percepção da relevância das regras de Compliance Cultural, uma vez que visam à melhoria da qualidade de vida de todos – mulheres e homens – envolvidos no negócio e, consequentemente, da própria empresa, já que essa só existe por causa das pessoas!

“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar a nossa cultura.” Chimamanda Ngozi Adichie, autora do livro Sejamos Todos Feministas.

*Crédito da imagem no topo: iStock

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