Para rir ou para chorar

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Para rir ou para chorar

Não dá tempo para o luto, nem para a festa. O meme do cavalo com cara de pato resume tudo: “suba, não há tempo para explicações”. Como estabelecer uma conexão mais profunda com o consumidor?


27 de maio de 2019 - 15h57

 

(Crédito: emojoez/iStock)

Incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Astrônoma brasileira ganha bolsa para estudar na NASA. Tragédia em Brumadinho deixa mais de 300 mortos. Estudante alfabetiza vendedor de picolé da escola. Jovens atletas morrem em incêndio no Ninho do Urubu, CT do Flamengo. Estudante de 17 anos é ouro em Olimpíada Europeia de Matemática. Morre Boechat em um acidente de helicóptero. Cientista brasileira cria caneta que detecta câncer durante cirurgia. Dez estudantes mortos em uma escola em Suzano, São Paulo. Filha pede e pai viúvo se veste de mulher para comemorar Dia das Mães. Exército dispara 80 tiros em carro de família no Rio e mata um músico e um catador de papel. Professor Douglas Gentile, da Universidade de Iowa (EUA), publica estudo provando que fazer o bem reduz a ansiedade e traz felicidade. Presidente do Brasil assina decreto que facilita porte de armas. Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) criam um aplicativo que permite que usuários façam doações para causas humanitárias mesmo sem ter dinheiro.

“A polícia vai mirar na cabecinha e… fogo”, diz novo governador do Rio. O deputado David Miranda, originário da favela do Jacarezinho, conhecido pelo ativismo LGBT, é eleito pela revista Time como um dos dez líderes mais influentes da próxima geração.

Gente, na boa, não está dando tempo para comemorar, digerir, chorar, se indignar, curtir. Não dá tempo para o luto nem para a festa.

O meme de um cavalo com cara de pato resume tudo: “suba, não há tempo para explicações”.

Viramos todos bipolares do Twitter, do Facebook e dos grupos de WhatsApp. Uma hora rindo e, em seguida, chorando.

E aí vem a pergunta de quatro milhões, noventa e sete mil e oitocentos reais no dólar de hoje: como estabelecer uma conexão mais profunda com o consumidor? Como ser relevante para alguém que, para ter certeza de que não perdeu nada, acaba só lendo as manchetes, que tantas vezes são fakes?

Não sei a resposta. Mas sei que não dá para mentir. Não dá para não ser coerente. Porque mesmo quando o consumidor se conecta, se não cuidar, ele se desconecta na mesma velocidade.

Um exemplo é o consumidor que amou a Nike quando ela se posicionou contra o racismo ao usar o ex-astro do futebol americano Colin Kaepernick em sua nova campanha publicitária, e agora está se separando no litigioso ao ver a marca ser acusada pela atleta Alysia Montaño de cortar patrocínios a atletas grávidas em um vídeo do New York Times.

Bom para o jornal, que constrói a sua marca, mostrando sua independência e coragem — mesmo sabendo que nos EUA eles dependem menos de anunciantes e mais de assinaturas —, péssimo para a gigante Nike, que se enrolou na hora de cumprir o “talk the talk, walk the walk”.

A verdade é que as chances de ser relevante são poucas e rápidas e dependem da coragem que só a coerência garante. E aí eu acho que podemos ajudar as marcas, que precisam buscar e comunicar suas identidades verdadeiras. Aquelas que se sustentam na alegria e na tristeza de cada cinco minutos.

*Crédito da foto no topo: mrPliskin/istock

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