Saltando por cima da crise

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Saltando por cima da crise

Os cenários de grandes e velozes saltos que atinjam um espectro mais amplo da população já não são mais um desejo, mas uma necessidade para a retomada da ordem econômica


23 de março de 2020 - 10h59

(Crédito: DrAfter123/ iStock)

A semana que separa a escrita deste texto de sua publicação tornou-se um tempo imenso. Vivemos o momento decisivo, em que a curva de aceleração no gráfico de contaminação do coronavírus tem seu ângulo definido. Semana intensa, que vai nos levar a outras semanas ainda mais impactantes na nossa saúde, economia, nos nossos modos de vida. Estamos já em pandemia, caminhamos rapidamente a um quadro de recessão global e vivemos modificações profundas de hábitos enraizados em nossas sociedades. Talvez esta semana se estenda por um longo período.

As mudanças já são sentidas, as possibilidades testadas, as rotinas modificadas. Alguns de nós podem contar com o avanço do trabalho remoto e do ensino a distância. Quem passou a trabalhar de casa, foi exposto a milhares de questões cotidianas, que quase nunca são percebidas. Talvez tenha sentido perda na própria produtividade, talvez tenha conquistado maior proximidade com a família. Quem não pode ficar em casa vai procurando maneiras de girar a roda para o outro lado, sem deixá-la parar. Do motorista de aplicativo aos vendedores ambulantes, professores, diaristas e músicos, muita gente precisa sair de casa e fazer o ganho dia após dia. O problema não é só aqui. Editorial do The New York Times pediu que as empresas paguem para que os empregados doentes estejam em casa. Nos Estados Unidos, a maior parte de empregados em redes de alimentação, por exemplo, é paga apenas se comparecer ao trabalho.

É um paradoxo, mas as medidas de sobrevivência que vamos encontrando nos levam, em grande parte, a desacelerar o ritmo. A emergência nas mudanças gerando a tão necessária pausa para reflexão, para olharmos para quem realmente somos.

Temos muito a solucionar para que as coisas voltem a um novo estado de equilíbrio. Os cenários de grandes e velozes saltos que atinjam um espectro mais amplo da população já não são mais um desejo, mas uma necessidade para a retomada da ordem econômica. Para que a regeneração se estabeleça, vamos precisar de toda energia criativa que dispomos.

Nada vai aliviar a dor daqueles que perderam amigos ou parentes nesta crise de saúde pública, ou vai tornar mais aceitável a condição daqueles cujos empregos foram destruídos, mas veremos esforços magníficos, invenções e descobertas fundamentais nas próximas semanas, na tentativa de reverter o curso desta situação. Momentos como o que vivemos são tão ricos para a capacidade criativa humana quanto são dramáticos para nossa existência. Torço para que esta semana nos surpreenda com soluções disruptivas que acendam novamente nossas esperanças, enquanto cientistas israelenses anunciam o desenvolvimento de uma vacina, e os iItalianos retidos em suas casas cantam em coro de suas janelas.

Desde que esta crise ganhou momento, cada dia temos novos aprendizados, novas soluções e a percepção de novos problemas. Os desencaixes e as novas estabilidades acontecem em modo quase reativo para muitos, mas furiosamente veloz para todos. Nossas prioridades redefinidas em pleno andamento da hora, na medida em que vão caindo as fichas do nosso limitado entendimento das coisas e dificuldade inata de deixar atrás aquilo que já não nos serve. Mas seguimos em frente, procurando saídas e tentando saltar por cima dos problemas, para algum lugar melhor.

Este texto é minha despedida desta coluna. Agradeço ao time do Meio & Mensagem por anos de parceria e pela oportunidade de ocupar um espaço tão único. Mais ainda, que minha gratidão alcance aqueles que me apoiaram nestes anos todos com comentários, críticas e ideias. Aproveito a pausa para reflexão — começo a ler de novo tudo o que escrevi, procurando o fio condutor, observando minhas próprias mudanças. Também aproveito para me abrir para o pensamento dos colegas de indústria que estarão aqui, semanalmente, dividindo seus aprendizados e novos pontos de vista. Obrigado pela generosidade.

*Crédito da foto no topo: JBKdviweXI/ Unsplash 

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