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Nenhuma retrospectiva faz sentido sem pensar em como passamos por ela, o que aprendemos e o que deixamos de legado


14 de dezembro de 2020 - 16h09

(Créditos: StationaryTraveller/iStock)

Ao escrever o último texto do ano neste espaço, é impossível não fazer uma retrospectiva deste 2020 tão difícil e inesperado. Todos nós podemos concordar que, quando chegamos em dezembro e olhamos para trás, sempre contabilizamos perdas e ganhos,mas nenhum outro ano trouxe tantas perdas coletivamente tão dolorosas quanto este. 2020 entra para a história como o ano da pandemia da Covid-19,mas também como o ano em que o me do da doença não impediu a população, no Brasil e internacionalmente, de ir às ruas exigir avanços em relação às causas sociais.

Para o mercado corporativo e a indústria da comunicação, especificamente, esses dois temas macro redefiniram modelos de trabalho e intensificaram ações e campanhas de propósito e responsabilidade social em um movimento que , ainda que es teja longe do ideal, se provou sem volta , independentemente do cenário político nacional e internacional. Cada um de nós viveu esse contexto de uma forma particular e tirou dele lições que ficam para a vida. São essas lições que v ão definir os passos que daremos no ainda tão incerto 2021 que se aproxima.

Na seara criativa, descobrirmos que não há distância ou protocolo de segurança que impeça o talento de florescer. Eu poderia lembrar aqui de inúmeros casos no nosso mercado que comprovam o fato,mas, como acredito que todos nós precisamos beber de outras fontes, prefiro voltar a uma matéria inspiradora sobre música que saiu recentemente no Estadão. O texto, assinado por Julio Maria, mostrava o que ídolos do rock como Mick Jagger, Bruce Springsteen,
Eric Clapton, Elton John, PaulMcCartney e Angus Young, do AC/DC, fizeram em dias de isolamento e o que pretendem fazer no pós-Covid — Elton, por exemplo, já marcou sua volta à estrada para 2022.

A primeira coisa que chama atenção na matéria é que a maioria desses nomes já integra os 60+, um dos grupos de risco da Covid-19. Tomando todas as precauções em relação ao isolamento e à prevenção da doença, alguns deles, porém, seguiram produzindo e mostraram que inovação não tem idade. Jagger e os Stones tocaram lindamente, a distância, o clássico You Can´t Always Get What You Want para o One World: Together at Home,mais uma das lives-coqueluche da quarentena. Com a música, eles nos lembraram de uma dasmáximas deste período: nem sempre a gente consegue o que quer. O quarteto ainda compôs Living at a ghost town, com o videoclipe que circula por uma Londres deserta em tempos de lockdown.

Já Bruce Springsteen, como todos nós, se virou para se adaptar aos novos tempos e incorporou agilidade ao seu processo de produção. E com a agilidade veio também mais humanidade. O resultado é o álbum Letter to You, gravado em cinco dias sem refazer nenhum take e cheio de emoção.O repórter Julio Maria, que certamente entende muito mais de música do que eu, define o trabalho em seu texto como um “discaço” e lembra que Springsteen poderá contar aos seus descendentes que, nos dias mais difíceis que vivemos, foi capaz de fazê-lo.

E está aí uma das minhas principais lições de 2020. Porque, para mim, nenhuma retrospectiva faz sentido sem pensar em como passamos por ela, o que aprendemos e o que deixamos de legado. Springsteen gravou um discaço, Elton definiu que voltará aos palcos, os Stones tiraram de dias assustadores a inspiração para uma nova canção. Eu estou bem longe dessas obras de arte,mas lembro de algumas ações das quais no futuro devo me orgulhar. E você? O que você se orgulha de ter feito em meio a todos os desafios que 2020 nos impôs?

*Crédito da foto no topo: DKosig/iStock

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