Sem tempo, irmão: a rotina resumida em um meme

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Sem tempo, irmão: a rotina resumida em um meme

Pandemia aumentou exigências na rotina alimentar, pois com a praticidade, as pessoas buscam ainda o bem-estar e a sustentabilidade


28 de junho de 2021 - 6h00

(crédito: Keegan Evans/Pexels)

Os consumidores têm buscado uma alimentação mais prática. Afinal de contas, o trabalho home office gerado pela pandemia trouxe tantos afazeres que o tempo ficou mais curto e o cansaço aumentou, elevando a demanda por conveniência. Segundo dados do Brasil Food Trends 2020, 34% dos brasileiros das classes A, B e C prezam pela praticidade e conveniência na hora de escolher os alimentos. Uma pesquisa do aplicativo Mobills destaca um crescimento de mais de 94% nos gastos com delivery entre janeiro e maio de 2020.

Tempo é rei e conveniência é imperativo. A falta de tempo aumenta a demanda por porções individuais, menor tempo de preparo, facilidade de consumo e maior portabilidade. Praticidade é um caminho sem volta. E a pandemia impulsionou ainda mais essas mudanças no comportamento dos consumidores, que acumulam inúmeras tarefas e correm contra o tempo para dar conta de tudo.

Com a praticidade, as pessoas buscam ainda o bem-estar e a sustentabilidade. Crescem a cada minuto os números de downloads de apps de health & fitness. No 1º trimestre de 2020, foram mais de 593 milhões, segundo pesquisa da Statista. Essa tecnologia, inclusive, ajuda os consumidores a entender e traduzir seus desejos para o que seus corpos realmente precisam, a partir de treinos, alimentação direcionada e outras sugestões de healthcare. Podemos observar escolhas mais saudáveis e foco maior na prevenção, diferente dos anos 1980 e 1990, em que as mudanças eram desencadeadas por incidentes de saúde.

Grande parcela da população também passou a ingerir mais alimentos processados. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor em parceria com o Datafolha, o consumo de alimentos ultraprocessados quase dobrou durante a pandemia na faixa etária de 45 a 55 anos em todo o Brasil. No recorte de renda, o aumento mais expressivo foi na classe C, em que o consumo por esses alimentos passou de 21,1% em 2019 para 27,7% em 2020.

Quando falamos em sustentabilidade dentro do setor de alimentos, esbarramos no desperdício. Evitar desperdício é consenso. Porém, “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. 49% dos brasileiros jogam comida fora diariamente, segundo estudo da Intercâmbio Brasil – União Europeia. Um dado assustador e muito útil para repensarmos realmente sobre o consumo, ainda mais com 125 milhões de pessoas vivendo com algum nível de insegurança alimentar no Brasil.

Mudando seu status de tendência para revolução alimentar, o plant-based precisa de atenção. A população vegetariana no Brasil atingiu o marco de quase 30 milhões, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope. Sabor deixa de ser barreira e impõe novas regras ao jogo. É impossível comparar o hambúrguer vegetariano de grão-de-bico de alguns anos atrás com as alternativas meatless de hoje. A evolução do sabor, com um toque de tecnologia, fez alguns produtos extrapolarem seu espaço original nas gôndolas de saudáveis. Hoje, esses produtos estão presentes para qualquer consumidor experimentar. A vantagem competitiva se dá pela combinação entre o sabor e a percepção de saudabilidade intrínseca ao plant-based.

A democratização do segmento leva à expansão do público potencial. Segundo dados da Ipsos de 2019, 47% dos brasileiros estariam dispostos a substituir carne por alimentos vegetais (42% é a média global); e segundo a Kantar Worldpanel, 86% das refeições à base de plantas são consumidas por não veganos.

Mais empoderado, o consumidor também demanda informação para fazer escolhas com mais autonomia. Mais conscientes e informados, apresentam com maior clareza suas expectativas e demandas. De onde veio? Como foi produzido? Quais os ingredientes? A transparência dá autonomia para escolhas mais conscientes.

As tendências revelam a construção de um consumidor mais exigente e consciente com uma variada percepção de saudabilidade. Cabe a nós, comunicadores, estudá-lo e acompanhá-lo para ajudar nossas marcas a terem um papel significativo na vida de cada um deles.

**Crédito da imagem no topo: Scott Warman/Unsplash

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