Bolhas ideológicas das redes sociais e a comunicação das marcas

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Bolhas ideológicas das redes sociais e a comunicação das marcas

Algumas companhias já começam a incluir na gestão de reputação, o monitoramento e a análise dessas bolhas e seus influenciadores, mas existem questões a ser levadas em conta


18 de agosto de 2021 - 14h20

Há alguns anos presente no trabalho de comunicação corporativa, a gestão de reputação nas mídias digitais ganhou um novo patamar de complexidade com o surgimento das chamadas “bolhas ideológicas”.

Didaticamente exposta no documentário Dilema das Redes, a formação dessas bolhas vem impactando cada vez mais na maneira com que as empresas são avaliadas por diferentes públicos.

Teorias da comunicação, como Two Step Flow of Communication, revelam exatamente como se dá esse fluxo. Diferentemente do que ocorria antes da internet, a notícia hoje passa pelo “filtro” do líder de opinião até chegar às pessoas. São inúmeros os exemplos disso.
Marcas que se posicionam diante de pautas sociais e políticas não raramente vêm desencadeando reações intensas – negativas e positivas, a depender da bolha – quase sempre influenciadas pelos formadores de opinião.

Não é por acaso que, na Copa América, um grupo de empresas patrocinadoras desistiu de ativar suas marcas no torneio. Evidentemente, a escolha não se deu pelo receio da repercussão nas bolhas de informação digital, mas sim por uma decisão de desvincular sua imagem de polêmicas que surgiram dias antes do campeonato. No entanto, é uma prova de que algumas organizações já estão atentas a esses espaços e as discussões que ali acontecem.

O fenômeno das bolhas é especialmente sensível às empresas que têm compromissos relacionados ao ESG, ou atuam num setor mais propenso ao surgimento de crises ou, ainda, às que possuem um posicionamento focado em temas como diversidade e inclusão.

A formação dessas bolhas das redes sociais vêm impactando cada vez mais a maneira como as empresas são avaliadas por diferentes públicos (Créditos: Tracy Le Blanc/Pexels)

Para dar um passo além, algumas companhias já começam a incluir na rotina da gestão de reputação, o monitoramento e a análise dessas bolhas e seus influenciadores. Para isto, porém, existem questões que ser levadas em conta:

Mapeamento é fundamental

É importante estar atento ao que é dito sobre sua empresa, sobre o mercado e os seus concorrentes, mas é de igual importância saber filtrar o que faz ou não faz sentido em termos de tomada de decisão de negócio. Quem está te elogiando ou criticando? Por quais motivos? São perfis relevantes ou robôs? Relativizar e analisar é necessário para não se assustar com o barulho gerado pelas bolhas e agir de forma precipitada.

Posicionamento é compromisso

Empresas que se posicionam de forma genuína são naturalmente mais visadas pelas bolhas virtuais das redes sociais, para o bem e para o mal. Saiba que, ao se decidir por defender uma questão, será necessário lidar com críticas e elogios e que qualquer movimentação corporativa será acompanhada de perto.

Entenda o caminho para se conectar com seu público por meio de influenciadores das bolhas

Quais são os formadores de opinião que estão pautando assuntos relevantes para o seu negócio nas redes sociais? Quem são os principais difusores das mensagens? Com quem estão conectados?

As organizações não precisam – e nem conseguiriam – estar atentas a todas as discussões que acontecem em todas as bolhas. Por isso é importante definir e se concentrar nas pautas que importam para o seu negócio. O universo da internet é enorme, e acredite, existem bolhas virtuais dedicadas a qualquer assunto, ou a quase todos.

Use os dados a seu favor

Os dados viraram commodities. Ainda são poucas as empresas que descobriram o real potencial de usar inteligência de dados para ir além dos dados brutos e extrair insights estratégicos que ajudem a ter uma visão 360 da reputação da companhia.

As bolhas ideológicas das redes sociais são um fenômeno recente, e adquiriram especial relevância na era onde se espera um posicionamento das empresas e seus líderes. Como em qualquer situação nova, os profissionais de comunicação estão aprendendo a lidar com esse universo.

O fundamental é não ignorar a importância desses influenciadores de opinião das bolhas. Trazê-los para a estratégia de comunicação tende a ser, cada vez mais, o caminho para entender e se conectar com a sua audiência de maneira orgânica, fortalecendo o posicionamento da companhia.

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