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Comer e beber

Hábitos básicos da sobrevivência humana tiveram seu curso habitual modificado pela pandemia, que impôs altos e baixos aos negócios e provocou transformações que impactam da produção de insumos à comunicação das marcas


6 de setembro de 2021 - 11h28

(Crédito: Namenko/ iStock)

Com a experiência de comer e beber fora de casa prejudicada pelas medidas de prevenção à Covid-19 e muitas rotinas familiares alteradas pelos novos protocolos adotados nos lares desde o início do ano passado, a indústria de alimentos e bebidas é uma das mais afetadas pela crise sanitária e suas consequências econômicas. Mas não, necessariamente, de forma negativa em seu todo. Com amplas ramificações, esse setor convive com esferas muito abaladas, como as de restaurantes e bares dependentes da frequência presencial, e outras em ascensão, devido às mudanças nos costumes recém-impostas ou aceleradas, como o delivery e as preocupações com praticidade e higiene. Os desdobramentos também se dão de maneira desigual nas diversas camadas da população, em grande parte sob efeito do desemprego, da inflação e do auxílio emergencial. Quem pode exercer trabalho remoto, gera mais ocasiões de consumo — dentro de casa, estamos todos muito mais perto da cozinha. A busca por rotinas mais simplificadas infla os tradicionais canais de e-commerce e adiciona novos, como o WhatsApp.

Paralelamente ao impacto da pandemia, o caminho da saudabilidade continua crescente entre a população, nutre debates sobre a sustentabilidade ambiental do planeta e estimula a inovação na indústria de alimentos e bebidas, uma gigante que responde por mais de 10% do PIB brasileiro. Paradoxalmente, a compra de itens considerados de indulgência aumenta, em parte como compensação, nem sempre saudável, aos dissabores das agruras atuais nas relações pessoais, profissionais e sociais — mas, também como evolução natural do consumo que impulsiona artigos como as cervejas premium e os cafés especiais.

É o que mostra o quinto capítulo da temporada 2021 da série Business Transformation, que se propõe a debater o impacto das mudanças aceleradas pela tecnologia e os reflexos do desenvolvimento econômico em tempos de Covid 19. O projeto contempla oito capítulos nas edições semanais, vídeos para o Stories do Instagram e uma plataforma digital que hospeda todo o conteúdo. Já estão disponíveis os dedicados aos mercados imobiliário, de finanças, educação e automotivo. Nas próximas semanas, os focos serão telecomunicações, higiene e beleza e, finalmente, varejo.

A reportagem analisa os reflexos para as marcas de alimentos e bebidas dos novos arranjos de socialização em torno das nossas mesas de comer e beber e da espera da indústria pela retomada na atividade econômica. Dedica-se ainda às consequências do maior investimento nos modelos de venda direta ao consumidor, que impacta toda a cadeia de intermediação varejista e até mesmo as estratégias de criação e produção de ações de comunicação e marketing.

Já na entrevista principal da edição semanal, os holofotes estão no fast food, que está entre os setores que se retraíram na pandemia, especialmente em decorrência do fechamento ou das restrições ao funcionamento das lojas físicas. À editora Roseani Rocha, o CEO da Burger King do Brasil, Iuri Miranda, detalha o avanço das marcas Burger King e Popeye’s nos ramos de hambúrguer e frango, e a entrada no de pizza, após a aquisição da rede Domino’s. Diz que acredita na resiliência do fast food, aponta a personalização do tratamento ao cliente como grande fator transformador deste mercado daqui em diante, sustenta que a comunicação ousada que caracteriza a empresa tem risco calculado — “Quem não conhece os instrumentos de ciência por trás do marketing, reage apenas à arte” — e defende a expressão pública sobre temas polêmicos — “A marca que não se posiciona, posicionada será”.

Geralmente de presença alegre e positiva na mídia, a indústria de alimentos e bebidas, enquanto evolui na digitalização da experiência e na abertura de espaço às foodtechs e outras startups, precisa calibrar sua transformação com a resolução de questões adicionais, como a do desperdício, atrelada a aspectos culturais e que contrasta com a inaceitável alta nas taxas de insegurança alimentar no País.

*Crédito da foto no topo: Aloova/istock

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