Estratégia boa dura pouco

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Estratégia boa dura pouco

A estratégia boa é a estratégia morta, porque ela nasceu, foi implementada, gerou o resultado e precisa de uma versão 1.2, 1.3 e aí por diante


26 de outubro de 2021 - 14h00

Se você teve a curiosidade e a gentileza de começar a ler este artigo, você acaba de comprovar a minha tese. Hora de ir em frente. 😉

Em um mundo hiperconectado e rápido, estratégia deixou de ser um ponto de partida e virou trabalho em andamento. Não estou falando de tática. Ações específicas, de alto impacto e vida curta, que hoje determinam um pouco o trabalho de garantir visibilidade e um certo carinho, em meio ao barulho de trilhões de mensagens impactando pessoas o tempo todo.

Estou falando de um caminho que é aberto para se atingir objetivos, baseado em propósito, sonhos, oportunidades e aí vai, sorte. Antes uma estratégia era algo pensado e repensado à exaustão antes da implementação. Mais do que isso, às vezes era considerada utópica e pouco prática, sendo alvo até da famosa frase de Peter Drucker “A cultura come a estratégia no café da manhã”, que nada mais é do que o entendimento de que sem comprometimento e execução, ela não virava verdade.

Não dá mais tempo para esta D.R. A estratégia boa é a estratégia morta, porque ela nasceu, foi implementada, gerou o resultado e precisa de uma versão 1.2, 1.3 e aí por diante. Montou, executou funcionou. Hora de mudar.

Em um mundo hiperconectado e rápido, estratégia deixou de ser um ponto de partida e virou trabalho em andamento (Créditos: Rawpixel.com/shutterstock)

Assim como a minha estratégia de titulo deste artigo. Alguns exemplos. Steve Jobs concebeu a Apple como um ecossistema fechado, onde hardware e software só funcionavam de forma simbiótica. Resultado: era uma empresa de nicho. Super valorizada do ponto de vista conceitual, mas pouco relevante como negócio sustentável.

Pois bem, a Apple cria o smartphone e contra a primeira intuição de Steve, de criar um ecossistema fechado também para seu novo hardware, desenvolve uma plataforma aberta e redefine a vida contemporânea, ao permitir desenvolvedores de todo o mundo criarem negócios em cima de sua plataforma.

A estratégia que criou a reputação da Apple morreu com o iPhone e, com isso, o negócio se transformou no que é hoje. Todo mundo espera um novo “breakthrough” sem Steve, porém a realidade é que a Apple, apesar da falta de inovação transformadora, é hoje uma das maiores empresas do mundo.

Microsoft, só para ficar no mundo tech, perdeu o bonde com a internet. Vinha de um monopólio simbiótico de sistema operacional movendo empresas de hardware. Apesar da presença em 90% dos computadores do mundo, era considerada jurássica, um dinossauro pronto para ser extinto pelo meteoro do Google e afins.

Mudou o jogo quando passou a trabalhar o conceito de software as a service e cloud. Hoje é também, uma das maiores empresas do mundo, às vezes a maior, dependendo do quarter.

Amazon. Nasceu como um e-commerce. Quando percebeu que suas melhores práticas e estrutura de negócio eram, por sí só, um business maior do que o serviço transacional de plataforma de compra e venda criou a Amazon Web Services, que hoje responde por mais de 50% da receita da companhia. Vou dominar o e-commerce global? Não só. Vou ampliar meu negócio a partir da evolução ou quebra do modelo vencedor.

Os exemplos são muitos. O ponto é: se você acredita que estratégia é importante (espero que sim!), está na hora de você pensar em como matá-la para dar seu próximo grande passo.

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