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Opinião

Busca de sintonia

Cannes começa com protocolos sanitários mais brandos, disputa de espaços pelas big techs e demandas por diversidade, equidade e inclusão mantendo presença no centro da agenda de seminários e premiações


21 de junho de 2022 - 6h00

Expectativa e curiosidade cercam o período que antecede a abertura oficial do 68º Festival Internacional de Criatividade de Cannes, que acontece na França nesta semana, de segunda, 20, a sexta, 24, Afinal, são três anos desde o último encontro presencial para as premiações, seminários e eventos paralelos que mobilizam boa parte da indústria de comunicação, marketing e mídia. E, nesse hiato, muita coisa mudou no mundo, agora mais turbulento, e no mercado, que vive um momento esperançoso, de retomada nos negócios e no convívio entre as pessoas. É uma nova atmosfera que afeta o evento, que já vivia transformações e enfrentava questionamentos complexos no período pré-Covid.

A carência das marcas mais íntimas do festival se comprova pela quantidade de eventos paralelos programados para este ano, especialmente pelas big techs, que disputam os espaços mais nobres da Croisette. Ao lado dos veteranos Meta, Google, Pinterest e Spotify estarão empresas que aderiram ao evento com mais intensidade neste ano, como Amazon e TikTok.

Não apenas à beira-mar, ao redor do Palais des Festivals, mas também na agenda de seminários e premiações, a tecnologia mantém-se como tema central do festival, mas sempre conectada com aspectos humanos.

As demandas por diversidade, equidade e inclusão não cessam e dominam parte considerável da agenda do Cannes Lions, que tem se mostrado mais ágil em reconhecer suas fragilidades nestes quesitos, como mostrou o episódio da cobrança pública pela baixíssima presença de profissionais negros entre os representantes do Brasil no júri — a reivindicação dos ativistas frisava que é preciso “pressa para realizar as mudanças urgentes” que emperram um futuro mais inovador. As consequências desse debate são o tema de uma das reportagens especiais sobre Cannes nesta edição, publicadas nas páginas 32 a 35, fechadas na quarta-feira, 15, antes de a organização do Cannes Lions divulgar o balanço anual de inscrições.

Mesmo sem os números oficiais, é possível considerar que o Brasil se manterá como um dos países com maior quantidade de campanhas concorrentes — e, consequentemente — de Leões conquistados. Um indício disso é a presença nos júris de 30 brasileiros atuantes no País ou que construíram no mercado nacional as principais fases de suas carreiras — um total que só perde para o recorde de 32 brasileiros nos júris de 2019. Das 29 competições de 2022, somente quatro não têm brasileiros: a estreante Creative B2B e as áreas de Creative Effectiveness, Innovation e Pharma.

O conjunto de trabalhos que já estão sendo avaliados adiciona produções e experiências realizadas já com protocolos sanitários mais brandos e maior interação entre as equipes criativas e de execução. As temáticas ativistas e engajadas dos cases favoritos evidenciam que o senso de propósito continua sendo o caminho para manter a sintonia da comunicação das marcas com as inquietações que movem a sociedade, com busca por soluções para problemas socioeconômicos, ambientais e desigualdades, como mostra outra reportagem especial desta edição.
Com uma equipe de seis profissionais presentes e dedicados à produção de conteúdo, Meio & Mensagem fará novamente uma cobertura multimídia do festival, incluindo transmissões diárias em vídeo do programa Direto de Cannes, de segunda, 20, a sexta, 24, sempre às 17hs (horário de Brasília), no canal do YouTube, com análises de jornalistas e convidados sobre os resultados das premiações e os conteúdos dos seminários. No hotsite meioemensa-gem.com.br/cannes, as informações em real time sobre os finalistas e vencedores nos 29 júris, o desempenho das agências, o resumo das palestras mais relevantes e o tradicional blog coletivo Diário de Cannes, que abre espaço para o olhar e a opinião dos profissionais brasileiros presentes no festival. Nas redes sociais, vídeos exclusivos e os melhores momentos de cada dia. É um esforço que pretende comprovar que para o jornalismo, assim como para a publicidade, os encontros pessoais e presenciais favorecem o exercício criativo.

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