Comunicação

Sergio Gordilho: “Maior luxo de uma marca é não ser ignorada”

CCO da Africa Creative diz que a criatividade que realmente importa é a que entretém sem interromper

i 11 de fevereiro de 2026 - 6h00

Sergio Gordilho, sócio, copresidente e CCO da Africa Creative

Copresidente e CCO da Africa defende que criatividade é a única ferramenta capaz de furar a bolha (Crédito: Rodrigo Pirim/Divulgação)

Fé na consistência criativa é, para Sergio Gordilho, copresidente e CCO da Africa Creative, o que ajuda a explicar o desempenho em festivais dentro e fora do Brasil no ano passado. Ranking do Meio & Mensagem mostrou que a Africa levou para casa 5 Grand Prix, 6 Ouros, 17 Prats e 33 Bronzes em diferentes premiações dentro e fora do Brasil, se tornando a segunda agência mais premiada. A AlmapBBDO ocupou o topo do ranking.

Um dos marcos, segundo Gordilho, foi a abertura do Baobab, operação em Nova Iorque, cujo foco é permitir que marcas brasileiras expandam a presença internacional. Entre os destaques do ano, a agência criou “One Second Ads” para Budweiser, da Ambev, em que reuniu seis músicas icônicas em trechos de 1 segundo no TikTok, e “Tempo de Mudar” para a Vivo. Veja as campanhas mais premiadas de 2025.

Na entrevista abaixo, o CCO fala da construção do case para Ambev e analisa o que, no contexto atual, caracteriza uma campanha realmente criativa.

Meio & Mensagem – Olhando para 2025, o que esteve por trás da consistência criativa da agência?
Sergio Gordilho – Como canta meu conterrâneo Gilberto Gil: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. Ele canta e eu sigo. A fé da Africa Creative está na sua consistência criativa, na cultura de fazer ideias acontecerem e na resiliência para colocá-las de pé. Essa é a nossa fé. São esses os motivos do nosso sucesso e 2025 foi mais um grande ano. Quase fomos consagrados como Agência do Ano em Cannes, conquistamos dois Grand Prix com ideias diferentes, lançamos Budweiser na China, abrimos nosso escritório em Nova York e estamos à frente das campanhas da Copa do Mundo para algumas das principais marcas do País. A fé não está falhando e a gente está andando.

M&M – Um dos cases mais importantes da agência foi “One Second Ads”, para Budweiser, da Ambev, que, inclusive, foi o anunciante mais premiado de 2025. O que pode detalhar sobre a construção desse case?
Gordilho – Esse case é o exemplo perfeito de que, na publicidade moderna, menos é tudo. Ele nasceu de um insight comportamental muito genuíno sobre como consumimos conteúdo hoje. Em um mundo de scrolling infinito, a atenção é o bem mais escasso que existe. O questionamento foi simples e poderoso: será que um fã consegue identificar sua paixão em apenas um segundo? “One Second Ads” subverteu o formato tradicional e desafiamos a audiência. Budweiser é um ícone cultural tão potente que ela se deu ao luxo da síntese absoluta. Conseguimos hackear a atenção e engajar a comunidade de fãs de música de forma orgânica, transformando a marca em um jogo, em um desafio, em puro entretenimento. Foi uma execução nativa, pensada para o digital, que provou que, quando a ideia é forte, você não precisa de tempo para convencer, só precisa de um estalo para conectar.

M&M – Para você, o que caracteriza uma campanha realmente criativa, em um tempo de tantos estímulos e tantos ruídos?
Gordilho – Hoje, o maior luxo de uma marca é conquistar o direito de não ser ignorada. Com tanto ruído e tanta gente gritando ao mesmo tempo, a criatividade que realmente importa é aquela que tem a elegância de entreter sem interromper. Para mim, uma campanha criativa é aquela que não pede licença, ela pede companhia. Ela deixa de ser um “anúncio” para se tornar parte da conversa, da cultura, do dia a dia das pessoas. Se a ideia não gera valor, se ela não diverte ou não soluciona algo, ela é apenas mais um pixel ocupando espaço. O segredo é transformar a marca em um conteúdo que o consumidor sinta prazer em carregar no bolso e compartilhar. No fim do dia, a criatividade é a única ferramenta capaz de furar a bolha da indiferença e transformar o ruído em melodia.