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Opinião

Finalmente, o famoso novo normal

De um time 100% concentrado em São Paulo, majoritariamente masculino e branco, passamos a um time (um pouco) mais diverso e com pessoas espalhadas por quase uma dezena de Estados


20 de abril de 2022 - 8h15

(Crédito: TarikVision/Shutterstock)

Depois de dois anos e 22 dias, o Yahoo reabriu seu escritório no dia 4 de abril. Não num modelo tradicional, mas numa nova proposta em que cada colaborador pode definir, em conjunto com seu líder, seu modelo ideal de trabalho: quando, se e como vai trabalhar no escritório ou se vai optar pelo home office. E não de forma temporária, num novo híbrido em que se espera, em um futuro próximo, voltar ao antigo normal, das 9h às 17h. Mas por toda a sua jornada na empresa.

Em um artigo sobre o futuro do trabalho publicado recentemente, a Harvard Business Review cita que, em uma análise realizada das chamadas de resultados do S&P 500, a frequência com que os CEOs falam sobre equidade, justiça e inclusão aumentou 658% desde 2018.

Dentro disso, estão questões como ter um modelo de trabalho flexível; um time diverso; pessoas espalhadas por diferentes regiões (e não apenas em grandes centros urbanos), com experiências, backgrounds e realidades diferentes; trocar métricas de engajamento por medidas de bem-estar físico, mental e financeiro dos seus funcionários; e ter um diretor de propósito como uma nova grande função de nível C. Particularmente, acredito muito nesta proposta.

Manter um relacionamento saudável com o time nesses mais de dois anos de reuniões online não foi fácil. Saúde mental, desmotivação, crises de choro, brigas internas, sessões de terapia coletivas, lavação de roupa suja. Tivemos de tudo. 

Mas também tive a oportunidade de expandir os horizontes e derrubar barreiras. De um time 100% concentrado em São Paulo, majoritariamente masculino e branco, passamos a um time (um pouco) mais diverso e com pessoas espalhadas por quase uma dezena de Estados. O resultado disso ficou óbvio logo na primeira reunião, na qualidade e na amplitude das conversas que possibilitou.

No dia 4, no café de boas-vindas, a maior parte desse time esteve presente. Para “matar as saudades” ou mesmo para conhecer pela primeira vez uma turma com que se fala tanto pelo WhatsApp ou pelo Google Meets. Mas a ideia por trás era realmente a de manter um relacionamento, trocar ideias, discutir um projeto, ter aquela micro troca de experiências no café. E isso deve ocorrer algumas (poucas) vezes durante o quarter.

Nos demais dias, manteremos o que for definido por cada pessoa. Alguns, como eu, querem ficar mais tempo em casa, para me dar o “luxo” de poder fazer as refeições com a minha família, levar e buscar minha filha na escola. Sim, não tem preço! Para outros, o convívio social que o escritório permite é primordial e portanto ter algumas horas por lá toda semana (ou todos os dias) é a melhor escolha.

Se vai dar certo? Eu não tenho dúvidas.

“Sentar é o novo tabagismo”, diz o mesmo artigo da Harvard Business Review, que ainda prevê que, em 2022, as tarefas gerenciais serão cada vez mais automatizadas e os gerentes e diretores vão usar o tempo antes gasto com elas para construir relacionamentos mais humanos com seus funcionários. O que determinará boa parte do sucesso da empresa, já que, com trabalho híbrido e remoto como norma, amplia-se o leque de empregadores em potencial em diferentes regiões do país e do mundo.

Poucos dias antes da reabertura do escritório, num papo descontraído com o time, fazendo piadas sobre um roteiro de um vídeo “escritório versus home office”, alguém sugeriu a piada clássica sobre o chefe que não para de cobrar entregas: “Falar é fácil, só fica em reunião”. 

Fiquei pensando… mais verdadeiro impossível. Naquele mesmo dia, tive sim muitas reuniões: 1) a semanal com o time do Brasil para discutir ideias e necessidades; 2) a mesma para o time do Canadá; 3) uma palestra sobre masculinidade e sobre como os homens precisam se tornar aliados das mulheres no ambiente de trabalho; 4) o último dia de um curso sobre  como líderes precisam enfrentar e falar abertamente sobre racismo nos seus times; 5) um papo com o pessoal de cultura para discutir uma programação de atividades bacanas para o time Brasil; 6) uma reunião de métricas e resultados…  Apenas um novo normal.

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