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Opinião

O que o GP de filme de Cannes nos diz sobre retenção de talentos

"Escape from the Office" é um demo de produto em forma de entretenimento e, ao mesmo tempo, um pedido de socorro para voltarmos a nos divertir trabalhando


29 de junho de 2022 - 8h28

“Escape From the Office”, criação da Apple Sunnyvale e Smuggler Central de Los Angeles (Crédito: Reprodução/YouTube)

Bem dirigido por Mark Molloy, da Smuggler, “Escape from the Office” conta a história de um grupo de coworkers que decide pedir demissão para realizar o sonho de construir a própria empresa em busca de liberdade e satisfação pessoal.

O comercial de oito minutos toca no assunto do momento aqui nos Estados Unidos: “The Great Resignation”, um fenômeno em massa de pessoas que estão pedindo demissão voluntariamente de grandes empresas.

Em 2021, mais de 4,5 milhões de americanos desistiram dos seus empregos, e se engana quem pensa que isso é resultado só da pandemia. Embora o termo tenha sido criado em maio de 2021, pós-Covid, essa é uma tendência real no mercado de trabalho já há algum tempo.

E por que é tão difícil reter talentos?

– A desconexão entre líderes e seus colaboradores é um desses motivos. Em um recente estudo da Deloitte, nos Estados Unidos, em junho deste ano, 9 entre 10 líderes se consideram empáticos no trabalho, mas apenas 56% dos trabalhadores acham que as lideranças estão realmente se importando com sua vida e sua saúde mental. É uma desconexão alarmante e que nós, como líderes de empresas, precisamos entender como agir, o que os trabalhadores esperam e rever planos de ação com urgência. Mais do que “workplace wellness”, o estudo da Deloitte sugere a era do “workplace wellbeing”.

– Outro grande motivo para a evasão de talentos é a falta de propósitos nas empresas que combinem com os valores das pessoas. Estudos recentes comprovam que estamos, cada vez mais, tomando decisões e fazendo escolhas com base nos valores que acreditamos. Não cabe mais, nos dias de hoje, empresas que não são transparentes e não têm uma postura clara com relação à responsabilidade social.

– O burnout, a falta de flexibilidade e a quantidade excessiva de horas, principalmente entre nós, mulheres, que em geral cumprimos uma jornada dupla na empresa e em casa, também são velhos conhecidos. A pandemia exponenciou a carga horária das “working moms” e “working dads”, e o problema é ainda maior em grupos minoritários com menos oportunidades. O resultado é uma grande exaustão na saúde mental de todos nós, trabalhadores. O estudo da Deloitte aponta que hoje, para 86% dos funcionários, é mais importante ter saúde mental do que progredir na carreira, e esses mesmos trabalhadores esperam 5 vezes mais benefícios das empresas hoje em dia;

Escrevo esse texto no dia histórico em que o Senado Americano derrubou o direito constitucional ao aborto nos Estados Unidos. Um retrocesso aos direitos das mulheres e um desafio para as empresas que saírem na frente e garantirem o direito às escolhas pessoais dos seus colaboradores, trabalhando lado a lado com os planos de saúde para ampliar benefícios.

A semana de Criatividade em Cannes é uma celebração de grandes ideias. Para a nossa indústria, é um reabastecimento de energia e reconhecimento de talentos. Aos prêmios, que são importantes, precisamos somar uma liderança cada vez mais atenta, intencional e humana. Isso sim é Grand Prix.

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