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Quando a cultura maker encontra a gambiarra

Daniela Brayner, idealizadora e curadora da Maker Faire Rio de Janeiro, fala sobre o impacto do Do-It-Yourself nas relações de consumo


19 de outubro de 2018 - 9h00

 

A cultura maker já é muito disseminada nos Estados Unidos, sobretudo, na educação (Crédito: Reprodução)

A maioria de artigos, matérias e livros relacionados à cultura maker vem acompanhada de termos como revolução, alteração e impacto na indústria do consumo. O conceito em si não é novo, mas, nos últimos anos vem se popularizando em função de maior conectividade, tecnologias como impressão 3D e a escalabilidade de linguagens de programação. O conceito de faça você mesmo, DIY, em inglês, está nas startups, nas empresas e começa a ganhar cada vez mais espaço no marketing.

De acordo com Daniela Brayner, idealizadora e curadora da Maker Faire Rio de Janeiro, evento que, em sua origem, nos Estados Unidos, é conhecido como o principal encontro mundial da cultura maker, o momento é crucial para que o faça você mesmo seja cada vez mais difundido. “Queremos depender menos de grandes e complexos processos de criação e fabricação. Além disso, o movimento está indo para o mainstream, acredito que por uma identificação por sermos um país criativo e da gambiarra”, afirma. Em entrevista que antecede a realização da Make Faire e do Festival Picnic, no início de novembro, Daniela fala ao Meio & Mensagem sobre a popularização da cultura maker e o impacto que ela pode ter nas lógicas de consumo e produção.

 

A Maker Faire conecta criatividade, inovação e tecnologia com a cultura maker (Crédito: Reprodução)

Meio & Mensagem- Por que se fala tanto de cultura maker em meio às empresas?
Daniela Brayner – Empresas de grande porte já estão investindo em ações no universo maker, programas de TV, redes, makerspaces e fablabs pelo Brasil já são uma realidade há alguns anos. De fato, o movimento agora está indo mais para o mainstream, acredito que por uma identificação e por sermos um país criativo e da gambiarra. É importante lembrar que, gambiarra, por mais geniais que elas possam ser, surgem por uma necessidade, pela falta de recursos financeiros, econômicos, sociais. Nossa realidade nos obriga a criar soluções alternativas. É claro que, o ideal, seria que a gente não precisasse recorrer a elas. Mas estamos vivendo um momento crucial para que isso seja discutido, temos um mundo conectado, cheio de novas tecnologias nascendo a cada segundo, e aqui no Brasil a realidade é outra, aqui o investimento em ciência e cultura são vistos como gastos, como se não fossem essenciais. E é justamente por isso que a cultura maker é tão bem recebida e está cada vez mais popular. Nos identificamos com o faça-você-mesmo, queremos depender menos de grandes e complexos processos de criação e fabricação.

M&M – A cultura maker se baseia em uma comunidade com vários princípios e, agora, ela começa a chegar ao mainstream, como será esse encontro?
Daniela – A cultura maker parte do princípio do Do-It-Yourself (faça-você-mesmo), de fazer as coisas de forma mais autônoma e colaborativa. Quanto mais a gente conseguir levar esse pensamento e atingir mais pessoas, melhor. Por isso a Maker Faire aqui é tão simbólica, ela representa essa vitrine de quem quer mudar a cultura do fazer, de quem acredita que todos devem ter o mesmo acesso às novas ferramentas, novas tecnologias, ao conhecimento.

M&M – Os conceitos da cultura maker serão determinantes para revolucionar indústrias e a forma como consumimos?
Daniela – Com certeza. É uma cultura em que, se você cria alguma coisa e compartilha, outros podem colaborar e transformar sua criação em algo maior ou diferente, com outras funções, outras aplicações. E isso é determinante para que haja inovação. A indústria se beneficia, empresas começam a rever seus conceitos e processos, e isso muda nosso perfil de consumo, para uma forma mais consciente, eficiente e sustentável.

M&M – Como e por que você trouxe a feira ao Brasil?
Daniela – Em 2011, fui convidada a participar do festival Picnic, em Amsterdam. O evento tinha uma feira de invenções, que chamou minha atenção. Tinha um tênis que, depois de usado, você podia plantar que virava uma árvore. Fiquei curiosa com aquilo e, numa conversa com os criadores, soube que eles tinham participado de uma Maker Faire. No dia seguinte eu já estava no site da feira, vi que tinha versões “mini” em dezenas de cidades no mundo inteiro e comecei a pensar em como seria uma Maker Faire no Brasil, muito por conta da nossa vocação pra gambiarras e criatividade. Comecei então a pesquisar o universo maker em geral. Mas era um desafio enorme trazer dois eventos tão complexos e diferentes de tudo que acontecia por aqui. Eu chegava em reunião com patrocinador falando de makers, hackers e sentia um olhar meio torto. Em 2016, fiz uma Mini Maker Faire no Rio de Janeiro, para entender várias coisas: Primeiro, se havia um entendimento dos próprios fazedores brasileiros, engenheiros, artistas, inventores, de que eles são makers, de que eles têm esse poder de inverter a lógica de fabricação das coisas. Segundo, entender se um evento era mesmo a melhor forma de ajudar a difundir essa cultura no Brasil. Fizemos o evento de forma despretensiosa. Esperávamos cerca de mil pessoas e recebemos 4 mil, num sábado chuvoso, no meio de um feriado no Rio de Janeiro. Essa foi a resposta que a gente queria. Por isso decidi trazer a feira completa esse ano, uma Maker Faire no padrão global.

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