Para onde foram os investimentos de IA em 2025?
EUA e China lideraram os aportes globais, com US$ 280 bilhões; veja as iniciativas em marketing e streaming
Há pouco mais de um ano, o governo Trump, dos EUA, anunciou com estardalhaço o Stargate, programa para o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) com investimentos estimados em US$ 500 bilhões.
O projeto Stargate é uma ambiciosa iniciativa de infraestrutura de IA do setor privado composta por empresas privadas como OpenAI, SoftBank, Oracle e MGX.
A meta do programa, de fato, é construir uma imensa rede de data centers nos Estados Unidos e exterior para apoiar o desenvolvimento avançado de IA.
Passado este primeiro ano do Stargate, os investimentos em IA nos EUA atingiram volumes recordes de US$ 159 bilhões e colocam o país como líder global do setor.
Porém, a China não está tão longe: no ano passado, o país investiu US$ 125 bilhões em IA.
| Investimentos em IA no mundo | |
| Empresa/entidade/governo | Valor (em US$) |
| Alibaba (China) | 53 bilhões |
| Amazon (EUA) | 100 bilhões |
| Cisco (EUA) | 1 bilhão |
| Comissão Europeia (Europa) | 209 bilhões |
| França (governo Emmanuel Macron) | 113 bilhões |
| Google (EUA) | 75 bilhões |
| Meta (EUA) | 65 bilhões |
| Microsoft (EUA) | 80 bilhões |
| National AI Industry Investment (China) | 8 bilhões |
| Stargate (OpenAI, SoftBank e Oracle com o governo americano) | 500 bilhões |
| Total | US$ 1,2 trilhão |
Fonte: Fundos e empresas
IA na China: Capex deste ano deve ser de US$ 98 bi
O investimento em IA na China está em alta este ano e o gasto total de capital (Capex) tem projeções de chegar a US$ 98 bilhões.
A IA do País, de fato, tem forte apoio governamental e foco em aplicações industriais como robótica e veículos elétricos.
Após o sucesso de startups como a DeepSeek, que foi a febre de IA em janeiro do ano passado e impactou empresas como Nvidia e OpenAI, big techs chinesas como Alibaba (que controla o AliExpress), Tencent e ByteDance (que controla o TikTok) têm aumentado o capital de olho na indústria impulsionada por IA que deve movimentar US$ 1 trilhão até 2030.
São aspectos-chave do investimento em IA na China o domínio do governo, já que o financiamento estatal é fundamental; e investimento pesado em GenAI e grandes modelos de linguagem, com mudança de rota em direção a modelos especializados e eficientes.
Portanto, capital substancial irá para setores de tecnologia de ponta como veículos autônomos, robôs humanoides e manufatura impulsionada por I
A China pretende usar IA para modernizar setores tradicionais como saúde e agricultura, com investimentos em IA que podem gerar retorno de 52% sobre o capital investido até 2030.
Apesar dos controles de exportação dos EUA, ou seja, a guerra tarifária, a China tem sido agressiva e constrói a Rede Nacional Integrada de Computação para promover a autossuficiência em infraestrutura de IA.
Os maiores investidores de IA na China são o Grupo Alibaba, a Tencent, o Baidu, a ByteDance, a JD.com e a Xiaomi.
Stargate: os primeiros data centers
Assim que o Stargates americano foi anunciado, começou também a construção do Stargate 1 em Abilene, Texas, com planos de expansão para outros locais como Novo México e Ohio.
Nessa primeira fase, de fato, foi destinado investimento inicial de US$ 100 bilhões.
Houve atrasos com os primeiros data centers nos EUA.
Posteriormente, o projeto expandiu-se internacionalmente com o Stargate Emirados Árabes em maio do ano passado e o Stargate Noruega em julho.
Contudo, ambos estão atrasados.
Mesmo o Stargate 1 somente entrou em operação em setembro do ano passado.
O projeto do Stargate Emirados Árabes Unidos custará mais de US$ 30 bilhões e é central para os planos do país de construir parcerias globais em IA.
Contudo, a estimativa mais recente indica que o custo é 50% superior à previsão original de US$ 20 bilhões, previsto no ano passado.
Stargate e a IA em três frentes
O cenário de investimentos americanos foi dominado por três frentes:
– Big techs: Gigantes como Microsoft, Alphabet (Google), Amazon e Meta projetaram investir, juntas, cerca de US$ 364 bilhões em despesas de capital (Capex) durante seus anos fiscais de 2025, com foco maciço em infraestrutura de data centers e hardware para IA.
– Venture capital (VC) e private equity (PE): A IA capturou cerca de 50% de todo o financiamento global de VC em 2025. O destaque foi o aporte de US$ 40 bilhões na OpenAI, liderado pelo SoftBank.
– Setor público: O governo dos EUA solicitou aproximadamente US$ 3 bilhões no orçamento federal de 2025 para pesquisa, desenvolvimento e segurança em IA
Esses investimentos, portanto, se concentraram, principalmente, no Silicon Valley, região que captou US$ 122 bilhões, ou mais de três quartos de todo o financiamento de IA nos EUA.
GenAI como foco principal
A IA generativa (GenAI) foi o principal foco: atraiu US$ 33,9 bilhões em investimentos privados globais, crescimento de quase 20% em relação ao ano anterior.
A infraestrutura e os agentes de IA: investidores migraram do desenvolvimento básico de modelos para a infraestrutura de computação e agentes de IA.
Fusões e aquisições também movimentaram o mercado de IA.
Assim, entre as maiores transações, destacam-se a aquisição da Scale AI pela Meta, no valor de US$ 14,3 bilhões, e da iO (startup criada pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive) pela OpenAI, no valor de US$ 6,5 bilhões.
| Maiores captações de startups de IA (2025) | ||
| Empresa | Valor do aporte | Principais investidores |
| OpenAI | US$ 40 bilhões | SoftBank |
| Anthropic | US$ 13 bilhões | Iconiq, Fidelity, Lightspeed |
| Reflection.Ai | US$ 2 bilhões | Nvidia, Sequoia, Eric Schmidt |
| Crusoe Energy | US$ 1,3 bilhão | Focado em infraestrutura de computação |
| Cerebras Systems | US$ 1,1 bilhão | Fidelity, Atreides Management |
Fonte: Fundos e empresas
IA em comunicação e marketing
O investimento em IA para marketing e comunicação nos EUA no ano passado deixou de ser experimental para se tornar o motor central de eficiência operacional.
Estima-se, dessa forma, que as empresas do setor aumentaram orçamentos dedicados à IA em cerca de 25% a 30% em relação ao ano anterior.
De fato, o marketing e a comunicação voltaram os holofotes para:
– Hiperpersonalização em escala, com investimento pesado em IA preditiva integrada a sistemas de CRM;
– Produção de conteúdo multimodal, já que o investimento em GenAI para criação de ativos visuais e em vídeo explodiu e as ferramentas que transformam scripts em anúncios de vídeo de alta qualidade reduziram os custos de produção em até 60%;
– Search Generative Experience (SGE) e SEO, já que Google e Bing (da Microsoft) transformaram a busca em respostas diretas geradas por IA.
Foco das agências
Já as agências focaram em:
– Otimização para respostas de IA: estratégias para garantir que a marca seja citada pelas IAs como fonte confiável.
– Marketing de influência virtual: uso de avatares gerados por IA para campanhas de redes sociais, o que permite interação 24/7.
Já o investimento em ferramentas de social listening evoluiu para análise de sentimento em tempo real e detecção de crises antes que se tornem virais.
Entre os principais movimentos do mercado, houve a expansão de agências in-house, já que anunciantes classificados na Fortune 500 cortaram gastos com agências externas para investir em suas próprias AI content factories.
Ainda, fusões e aquisições movimentaram as agências.
Assim, holdings como a WPP e a Omnicom adquiriram startups de IA especializadas em análise de dados e automação criativa para não perderem relevância.
Como a mídia dos EUA investiu em IA?
As empresas de mídia dos EUA no ano passado e início deste ano adotaram postura agressiva e estratégica em relação à IA, com foco tanto em parcerias bilionárias de licenciamento quanto no desenvolvimento de ferramentas internas para eficiência editorial.
As principais frentes de investimento foram:
1. Em grandes parcerias e licenciamento (no contexto Hollywood). A maior mudança foi a transição da cautela para a colaboração comercial direta com desenvolvedores de IA.
Em dezembro do ano passado, a Disney anunciou investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI.
De fato, o acordo permite o uso de mais de 200 personagens (Marvel, Pixar, Star Wars) na plataforma de vídeo Sora, o que permite que usuários criem clipes curtos, mas protege expressamente a voz e imagem de atores reais.
Já o Publicis Groupe investiu € 600 milhões em IA em 2025, com foco em empresas de mensagens emocionais e modelagem preditiva de ROI.
Veículos de mídia
2. Também as organizações de notícias focaram na IA para trabalhos pesados de dados e automação de rotinas.
– O jornal The New York Times montou equipe de IA focada em investigações complexas e usou a tecnologia para analisar centenas de horas de vídeo e vastos conjuntos de dados. Embora o Times use IA para pesquisa, mantem diretrizes rígidas que proíbem o uso da ferramenta para redigir artigos ou criar imagens sem rótulos claros.
– A CNN investiu pesadamente em ferramentas de detecção de deepfakes e verificação de fatos por IA para proteger sua integridade editorial antes das eleições deste ano nos EUA.
AI-native media
3. Personalização e AI-native media
A mídia tem migrado, dessa forma, para estruturas de custo radicalmente diferentes:
– Modelos de custo: Estima-se que organizações de mídia nativas em IA operem com custos humanos de apenas 20% a 30%, comparado aos 60% a 70% das empresas tradicionais.
– Hiperpersonalização: O foco de investimento está na montagem dinâmica de conteúdo, conceito sob o qual histórias são montadas em tempo real a partir de blocos modulares (texto, áudio, vídeo) adaptados especificamente para o perfil de cada usuário.
No ano passado, de fato, o investimento das empresas de mídia consolidou o uso de ferramentas de GenAI de vídeo não apenas para efeitos especiais, mas para toda a cadeia de produção cinematográfica.
| Resumo de investimentos de IA em mídia e entretenimento (2025-2026) | ||
| Tipo de investimento | Valor/impacto | Exemplo principal |
| Equity Funding (EUA) | US$ 1,8 bilhão (2025) | Crescimento de 98% em relação a 2024 |
| Licenciamento de IP | US$ 1 bilhão | Acordo Disney+ e OpenAI para uso de personagens no Sora |
| Automação de Workflow | Redução de 60% no custo |
Uso de IA para tradução e |
| Defesa Editorial | Eletronic press pass | Investimento em criptografia para selar palavras e imagens de jornalistas contra manipulação |
Fonte: Empresas
Como o streaming investe em IA?
As plataformas de streaming nos EUA no ano passado e neste ano transformaram a IA de ferramenta de “bastidores” para a funcionalidade central para o usuário com foco em:
. hiperpersonalização,
. retenção
. e novas formas de consumo interativo.
| Comparativo de foco por plataforma (2025-2026) | ||
| Plataforma | Principal investimento em IA | Objetivo |
| Netflix | Algoritmos de ranking e produção GenAI (Happy Gilmore 2) | Retenção e expansão de margem operacional |
| Parceria OpenAI/Sora e vídeos verticais | Engajamento de jovens e conteúdo gerado por usuários | |
| Prime Video | X-Ray Recaps (Amazon Bedrock) | Acessibilidade e facilidade de binge-watching |
| Ferramentas de IA para criadores (dublagem/edição) | Liderança na economia da atenção | |
Fonte: Empresas
Eixos do streaming
Os principais eixos de investimento do streaming, de fato, são concentrados em:
– Resumos inteligentes e anti-spoiler: para evitar que o usuário perca o fio da meada entre temporadas, o investimento focou em resumos automáticos. A Amazon Prime Video lançou o X-Ray Recaps, que usa GenAI (Amazon Bedrock) para criar resumos de episódios ou temporadas inteiras. A ferramenta é personalizada até o minuto exato onde o usuário parou e garante descrições sem spoilers. No final do ano passado, a Amazon expandiu para video recaps, que gera vídeos curtos com narração e música de qualidade cinematográfica para resumir tramas complexas.
– Conteúdo gerado pelo usuário (UCG) e parcerias de propriedade intelectual (IP). As plataformas de streaming tentam competir com o TikTok e integram GenAI diretamente no app. A Disney+ e a OpenAI fizeram acordo bilionário pelo qual a Disney planeja integrar o modelo Sora ao Disney+ até setembro deste ano. Isso permitirá que assinantes criem conteúdos curtos (30 segundos) com personagens icônicos da marca. A Disney+ investe em formatos de vídeo vertical e recursos de gamificação para atrair a geração Z e aumentar o engajamento na plataforma.
Hiperpersonalização e monetização
– Hiperpersonalização e retenção: a IA é vista como estratégia de sobrevivência para manter as margens de lucro em alta. A Netflix investe em algoritmos que ajustam o ranking de títulos com base no comportamento de cada sessão e muda até as thumbnails (capas) dos filmes para atrair o clique. Este ano, Netflix e Prime Video passaram a usar IA para de-aging (rejuvenescimento de atores), como no filme Happy Gilmore 2, e para pré-visualização de cenários, o que reduz custos de produção física.
– Monetização e publicidade interativa: a tendência é que o streaming migre para o modelo de anúncios (AVOD) otimizados por IA. No T-commerce (comércio pela TV) deve haver integração de compras diretamente no vídeo. A IA identifica produtos na tela e oferece opções de compra imediatas. Anúncios dinâmicos avançam e a IA é usada para testar dezenas de formatos e posicionamentos personalizados.