Mídia

Para onde foram os investimentos de IA em 2025?

EUA e China lideraram os aportes globais, com US$ 280 bilhões; veja as iniciativas em marketing e streaming

i 12 de fevereiro de 2026 - 6h03

Há pouco mais de um ano, o governo Trump, dos EUA, anunciou com estardalhaço o Stargate, programa para o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) com investimentos estimados em US$ 500 bilhões.

O projeto Stargate é uma ambiciosa iniciativa de infraestrutura de IA do setor privado composta por empresas privadas como OpenAI, SoftBank, Oracle e MGX.

A meta do programa, de fato, é construir uma imensa rede de data centers nos Estados Unidos e exterior para apoiar o desenvolvimento avançado de IA.

Passado este primeiro ano do Stargate, os investimentos em IA nos EUA atingiram volumes recordes de US$ 159 bilhões e colocam o país como líder global do setor.

Porém, a China não está tão longe: no ano passado, o país investiu US$ 125 bilhões em IA.

Investimentos em IA no mundo
Empresa/entidade/governo Valor (em US$)
Alibaba (China) 53 bilhões
Amazon (EUA) 100 bilhões
Cisco (EUA) 1 bilhão
Comissão Europeia (Europa) 209 bilhões
França (governo Emmanuel Macron) 113 bilhões
Google (EUA) 75 bilhões
Meta (EUA) 65 bilhões
Microsoft (EUA) 80 bilhões
National AI Industry Investment (China) 8 bilhões
Stargate (OpenAI, SoftBank e Oracle com o governo americano) 500 bilhões
Total US$ 1,2 trilhão

Fonte: Fundos e empresas

IA na China: Capex deste ano deve ser de US$ 98 bi

O investimento em IA na China está em alta este ano e o gasto total de capital (Capex) tem projeções de chegar a US$ 98 bilhões.

A IA do País, de fato, tem forte apoio governamental e foco em aplicações industriais como robótica e veículos elétricos.

Após o sucesso de startups como a DeepSeek, que foi a febre de IA em janeiro do ano passado e impactou empresas como Nvidia e OpenAI, big techs chinesas como Alibaba (que controla o AliExpress), Tencent e ByteDance (que controla o TikTok) têm aumentado o capital de olho na indústria impulsionada por IA que deve movimentar US$ 1 trilhão até 2030.

São aspectos-chave do investimento em IA na China o domínio do governo, já que o financiamento estatal é fundamental; e investimento pesado em GenAI e grandes modelos de linguagem, com mudança de rota em direção a modelos especializados e eficientes.

Portanto, capital substancial irá para setores de tecnologia de ponta como veículos autônomos, robôs humanoides e manufatura impulsionada por I

A China pretende usar IA para modernizar setores tradicionais como saúde e agricultura, com investimentos em IA que podem gerar retorno de 52% sobre o capital investido até 2030.

Apesar dos controles de exportação dos EUA, ou seja, a guerra tarifária, a China tem sido agressiva e constrói a Rede Nacional Integrada de Computação para promover a autossuficiência em infraestrutura de IA.

Os maiores investidores de IA na China são o Grupo Alibaba, a Tencent, o Baidu, a ByteDance, a JD.com e a Xiaomi.

Stargate: os primeiros data centers

Assim que o Stargates americano foi anunciado, começou também a construção do Stargate 1 em Abilene, Texas, com planos de expansão para outros locais como Novo México e Ohio.

Nessa primeira fase, de fato, foi destinado investimento inicial de US$ 100 bilhões.

Houve atrasos com os primeiros data centers nos EUA.

Posteriormente, o projeto expandiu-se internacionalmente com o Stargate Emirados Árabes em maio do ano passado e o Stargate Noruega em julho.

Contudo, ambos estão atrasados.

Mesmo o Stargate 1 somente entrou em operação em setembro do ano passado.

O projeto do Stargate Emirados Árabes Unidos custará mais de US$ 30 bilhões e é central para os planos do país de construir parcerias globais em IA. 

Contudo, a estimativa mais recente indica que o custo é 50% superior à previsão original de US$ 20 bilhões, previsto no ano passado.

Stargate e a IA em três frentes

O cenário de investimentos americanos foi dominado por três frentes: 

– Big techs: Gigantes como Microsoft, Alphabet (Google), Amazon e Meta projetaram investir, juntas, cerca de US$ 364 bilhões em despesas de capital (Capex) durante seus anos fiscais de 2025, com foco maciço em infraestrutura de data centers e hardware para IA.

– Venture capital (VC) e private equity (PE): A IA capturou cerca de 50% de todo o financiamento global de VC em 2025. O destaque foi o aporte de US$ 40 bilhões na OpenAI, liderado pelo SoftBank.

– Setor público: O governo dos EUA solicitou aproximadamente US$ 3 bilhões no orçamento federal de 2025 para pesquisa, desenvolvimento e segurança em IA 

Esses investimentos, portanto, se concentraram, principalmente, no Silicon Valley, região que captou US$ 122 bilhões, ou mais de três quartos de todo o financiamento de IA nos EUA.

GenAI como foco principal

A IA generativa (GenAI) foi o principal foco: atraiu US$ 33,9 bilhões em investimentos privados globais, crescimento de quase 20% em relação ao ano anterior.

A infraestrutura e os agentes de IA: investidores migraram do desenvolvimento básico de modelos para a infraestrutura de computação e agentes de IA.

Fusões e aquisições também movimentaram o mercado de IA.

Assim, entre as maiores transações, destacam-se a aquisição da Scale AI pela Meta, no valor de US$ 14,3 bilhões, e da iO (startup criada pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive) pela OpenAI, no valor de US$ 6,5 bilhões.

Maiores captações de startups de IA (2025) 
Empresa  Valor do aporte  Principais investidores
OpenAI US$ 40 bilhões SoftBank
Anthropic US$ 13 bilhões Iconiq, Fidelity, Lightspeed
Reflection.Ai US$ 2 bilhões Nvidia, Sequoia, Eric Schmidt
Crusoe Energy US$ 1,3 bilhão Focado em infraestrutura de computação
Cerebras Systems US$ 1,1 bilhão Fidelity, Atreides Management

Fonte: Fundos e empresas

IA em comunicação e marketing

O investimento em IA para marketing e comunicação nos EUA no ano passado deixou de ser experimental para se tornar o motor central de eficiência operacional.

Estima-se, dessa forma, que as empresas do setor aumentaram orçamentos dedicados à IA em cerca de 25% a 30% em relação ao ano anterior. 

De fato, o marketing e a comunicação voltaram os holofotes para:

– Hiperpersonalização em escala, com investimento pesado em IA preditiva integrada a sistemas de CRM;

– Produção de conteúdo multimodal, já que o investimento em GenAI para criação de ativos visuais e em vídeo explodiu e as ferramentas que transformam scripts em anúncios de vídeo de alta qualidade reduziram os custos de produção em até 60%;

– Search Generative Experience (SGE) e SEO, já que Google e Bing (da Microsoft) transformaram a busca em respostas diretas geradas por IA.

Foco das agências

Já as agências focaram em:

– Otimização para respostas de IA: estratégias para garantir que a marca seja citada pelas IAs como fonte confiável.

– Marketing de influência virtual: uso de avatares gerados por IA para campanhas de redes sociais, o que permite interação 24/7. 

Já o investimento em ferramentas de social listening evoluiu para análise de sentimento em tempo real e detecção de crises antes que se tornem virais.

Entre os principais movimentos do mercado, houve a expansão de agências in-house, já que anunciantes classificados na Fortune 500 cortaram gastos com agências externas para investir em suas próprias AI content factories.

Ainda, fusões e aquisições movimentaram as agências.

Assim, holdings como a WPP e a Omnicom adquiriram startups de IA especializadas em análise de dados e automação criativa para não perderem relevância. 

Como a mídia dos EUA investiu em IA?

As empresas de mídia dos EUA no ano passado e início deste ano adotaram postura agressiva e estratégica em relação à IA, com foco tanto em parcerias bilionárias de licenciamento quanto no desenvolvimento de ferramentas internas para eficiência editorial.

As principais frentes de investimento foram:

1. Em grandes parcerias e licenciamento (no contexto Hollywood). A maior mudança foi a transição da cautela para a colaboração comercial direta com desenvolvedores de IA. 

Em dezembro do ano passado, a Disney anunciou investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI.

De fato, o acordo permite o uso de mais de 200 personagens (Marvel, Pixar, Star Wars) na plataforma de vídeo Sora, o que permite que usuários criem clipes curtos, mas protege expressamente a voz e imagem de atores reais.

Já o Publicis Groupe investiu € 600 milhões em IA em 2025, com foco em empresas de mensagens emocionais e modelagem preditiva de ROI. 

Veículos de mídia

2. Também as organizações de notícias focaram na IA para trabalhos pesados de dados e automação de rotinas. 

– O jornal The New York Times montou equipe de IA focada em investigações complexas e usou a tecnologia para analisar centenas de horas de vídeo e vastos conjuntos de dados. Embora o Times use IA para pesquisa, mantem diretrizes rígidas que proíbem o uso da ferramenta para redigir artigos ou criar imagens sem rótulos claros.

– A CNN investiu pesadamente em ferramentas de detecção de deepfakes e verificação de fatos por IA para proteger sua integridade editorial antes das eleições deste ano nos EUA. 

AI-native media

3. Personalização e AI-native media 

A mídia tem migrado, dessa forma, para estruturas de custo radicalmente diferentes:

– Modelos de custo: Estima-se que organizações de mídia nativas em IA operem com custos humanos de apenas 20% a 30%, comparado aos 60% a 70% das empresas tradicionais.

– Hiperpersonalização: O foco de investimento está na montagem dinâmica de conteúdo, conceito sob o qual histórias são montadas em tempo real a partir de blocos modulares (texto, áudio, vídeo) adaptados especificamente para o perfil de cada usuário. 

No ano passado, de fato, o investimento das empresas de mídia consolidou o uso de ferramentas de GenAI de vídeo não apenas para efeitos especiais, mas para toda a cadeia de produção cinematográfica.

Resumo de investimentos de IA em mídia e entretenimento (2025-2026) 
Tipo de investimento Valor/impacto Exemplo principal
Equity Funding (EUA) US$ 1,8 bilhão (2025) Crescimento de 98% em relação a 2024
Licenciamento de IP US$ 1 bilhão Acordo Disney+ e OpenAI para uso de personagens no Sora
Automação de Workflow Redução de 60% no custo

Uso de IA para tradução e
produção de vídeos publicitários

Defesa Editorial Eletronic press pass Investimento em criptografia
para selar palavras e imagens de jornalistas contra manipulação

Fonte: Empresas

Como o streaming investe em IA?

As plataformas de streaming nos EUA no ano passado e neste ano transformaram a IA de ferramenta de “bastidores” para a funcionalidade central para o usuário com foco em:

. hiperpersonalização,

. retenção

. e novas formas de consumo interativo. 

Comparativo de foco por plataforma (2025-2026) 
Plataforma Principal investimento em IA Objetivo
Netflix Algoritmos de ranking e produção GenAI (Happy Gilmore 2) Retenção e expansão de margem operacional
  Parceria OpenAI/Sora e vídeos verticais Engajamento de jovens e conteúdo gerado por usuários
Prime Video X-Ray Recaps (Amazon Bedrock) Acessibilidade e facilidade de binge-watching
  Ferramentas de IA para criadores (dublagem/edição) Liderança na economia da atenção

Fonte: Empresas

Eixos do streaming

Os principais eixos de investimento do streaming, de fato, são concentrados em:

– Resumos inteligentes e anti-spoiler: para evitar que o usuário perca o fio da meada entre temporadas, o investimento focou em resumos automáticos. A Amazon Prime Video lançou o X-Ray Recaps, que usa GenAI (Amazon Bedrock) para criar resumos de episódios ou temporadas inteiras. A ferramenta é personalizada até o minuto exato onde o usuário parou e garante descrições sem spoilers. No final do ano passado, a Amazon expandiu para video recaps, que gera vídeos curtos com narração e música de qualidade cinematográfica para resumir tramas complexas. 

– Conteúdo gerado pelo usuário (UCG) e parcerias de propriedade intelectual (IP). As plataformas de streaming tentam competir com o TikTok e integram GenAI diretamente no app. A Disney+ e a OpenAI fizeram acordo bilionário pelo qual a Disney planeja integrar o modelo Sora ao Disney+ até setembro deste ano. Isso permitirá que assinantes criem conteúdos curtos (30 segundos) com personagens icônicos da marca. A Disney+ investe em formatos de vídeo vertical e recursos de gamificação para atrair a geração Z e aumentar o engajamento na plataforma. 

Hiperpersonalização e monetização

– Hiperpersonalização e retenção: a IA é vista como estratégia de sobrevivência para manter as margens de lucro em alta. A Netflix investe em algoritmos que ajustam o ranking de títulos com base no comportamento de cada sessão e muda até as thumbnails (capas) dos filmes para atrair o clique. Este ano, Netflix e Prime Video passaram a usar IA para de-aging (rejuvenescimento de atores), como no filme Happy Gilmore 2, e para pré-visualização de cenários, o que reduz custos de produção física. 

– Monetização e publicidade interativa: a tendência é que o streaming migre para o modelo de anúncios (AVOD) otimizados por IA. No T-commerce (comércio pela TV) deve haver integração de compras diretamente no vídeo. A IA identifica produtos na tela e oferece opções de compra imediatas. Anúncios dinâmicos avançam e a IA é usada para testar dezenas de formatos e posicionamentos personalizados.