Rodrigo Bocardi: “Estamos construindo um novo modelo de mídia”
Lançamento do BocaTV Canal será em 17 de maio com evento aberto ao público em São Paulo

Equipe do BocaTV Canal, novo projeto do jornalista Rodrigo Bocardi (Créditos: @wagnerbritofotografia)
Rodrigo Bocardi prepara o lançamento do BocaTV Canal, iniciativa que reúne um canal digital 24 horas, com programação ao vivo, e tem BYD e Urban como patrocinadoras iniciais.
A inauguração está prevista para 17 de maio, no Largo da Batata, em São Paulo, em evento aberto ao público, e, nesta segunda-feira, 6, abre processo seletivo para novos comunicadores.
A iniciativa marca sua nova fase profissional após a saída da TV Globo e envolve nomes como Mariano Boni, diretor geral; Sergio Maria, diretor de distribuição; Guilherme Castanho, superintendente comercial; Maya Santana, diretora de produção; e Rodrigo Mariz, diretor de conteúdo.
Proposta é dar voz ao público
O BocaTV Canal nasce como um canal digital com programação contínua de cerca de 12 horas diárias, apoiado em uma operação baseada em perfis locais nas redes sociais. A estrutura é centralizada em São Paulo, com células de produção responsáveis por diferentes regiões e sem correspondentes fixos.
Segundo Bocardi, o modelo parte da participação direta do público, que atua como base da produção de conteúdo, com a premissa de que “o nosso repórter é a população”.
“A operação começou de forma muito simples, quase como uma brincadeira, quando passei a compartilhar um número de WhatsApp para receber mensagens das pessoas, principalmente com denúncias e relatos sobre problemas do cotidiano das cidades, como infraestrutura e serviços. Mas foi ganhando escala, virou uma relação direta com o público e hoje é um projeto estruturado”, explica.
“A ideia é dar espaço para que as pessoas falem com a própria voz e transformar essas interações em conteúdo com desdobramentos práticos. Recebo quase 600 mensagens por dia. A partir disso, consigo entender as dores das pessoas por região e encaminhar essas demandas”, completa.
Essas interações também orientam o sequenciamento das pautas, que podem incluir respostas de órgãos públicos e empresas. O foco não é apenas expor questões urbanas, mas acompanhar possíveis soluções a partir das demandas apresentadas.
Estratégia de conteúdo
O canal será distribuído em plataformas como YouTube e canais FAST (Free Ad-supported Streaming Television). A programação prevê cerca de dez programas por dia, combinando jornalismo, entretenimento e prestação de serviço. Segundo o grupo, o formato busca criar hábito de consumo em meio à fragmentação das plataformas.
“A gente quer inverter um pouco a lógica do algoritmo. Hoje, está tudo disponível o tempo todo, mas falta hábito. A ideia é trazer para o digital aquilo que a TV aberta sempre teve, que é a grade”, afirma Sergio Maria.
A linha editorial não terá foco em hard news, mas em conteúdos ligados ao cotidiano, com atenção pontual a acontecimentos de maior relevância. “Não quero correr atrás do factual. Tem muita gente fazendo isso. A gente quer oferecer coisas úteis, melhorar a vida das pessoas e conectar isso com marcas e serviços”, diz Bocardi.

Rodrigo Bocardi cria o BocaTV Canal (Créditos: @wagnerbritofotografia)
Ainda assim, a grade poderá ser interrompida em situações específicas, como entrevistas com candidatos durante o período eleitoral. “Se surgir um assunto muito relevante, a gente entra, faz a entrevista e ocupa esse espaço. Mas não é um canal de breaking news”, reforça.
O projeto se diferencia por manter a fala original dos usuários como base do conteúdo. “Se eu tiro a voz do público, acabou o meu veículo. A essência é essa. É a voz da população”, pontua.
Integração com marcas
Do ponto de vista comercial, a proposta combina conteúdo, experiências físicas e ativações digitais, integradas à produção editorial.
“É um modelo novo. As marcas ainda estão entendendo como funciona. Mas existe uma capacidade de entrega grande, porque a gente consegue atuar em diferentes frentes”, explica Guilherme Castanho.
Segundo o executivo, a estrutura permite desenvolver projetos personalizados para anunciantes. “A gente não está vendendo só mídia. A gente constrói soluções junto com as marcas”, diz.
Sobre casas de apostas, Bocardi garante que não pretende associar sua imagem a esse tipo de negócio. “Não quero ser promotor de aposta. Se for uma empresa regulamentada, pode entrar como anunciante, como qualquer outra marca, mas não nesse modelo de participação no risco”, esclarece.
Para Mariano Boni, o modelo dialoga com a transformação do consumo de conteúdo: “É um mercado mais fragmentado, com múltiplas plataformas. Esse movimento para o digital é inevitável”. De acordo com o diretor, o modelo busca combinar diferentes dinâmicas de produção. “As pessoas consomem conteúdo no celular, mas ainda buscam validação em veículos confiáveis. O projeto tenta unir essas duas frentes”, frisa.
“A gente está construindo isso passo a passo. A estrutura cresce, mas o mais importante é manter a proximidade com o público e a utilidade do conteúdo”, finaliza Bocardi.