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Do SEO ao GEO: o futuro do search não é ranking, é confiança

GEO não mata o SEO, talvez o transcenda. As bases técnicas continuam importantes, porém já não são suficientes

Alexandra Mendonça

diretora executiva de inovação & digital da CNN Brasil 12 de janeiro de 2026 - 10h50

A IA está no hype da NRF (assim como Retail Media foi em 2024), e eu foquei parte da minha curadoria do que assistir no que acredito ser mais inevitável para 2026: a força dos agentes e como isso conecta com a lógica da busca por si só (seja conteúdo, seja produto).

Durante muitos anos, SEO foi sinônimo de disputa por ranking. Palavras-chave, backlinks, otimização técnica. Funcionou muito enquanto a lógica da descoberta digital era essencialmente mecânica. Mas, ao longo da minha trajetória em mídia, varejo e retail media, uma coisa sempre foi óbvia: o consumidor nunca pensou em palavras-chave. Ele, ou a gente mesmo, pensa em problemas, contextos e intenções. A inteligência artificial apenas escancarou essa verdade.

Estamos vivendo uma transição estrutural: de SEO (Search Engine Optimization), passamos por AEO (Answer Engine Optimization) e entramos definitivamente na era do GEO (Generative Engine Optimization). Não se trata mais de “ser encontrado”, mas de ser relevante, confiável e citado por sistemas que não exibem dez links, mas constroem respostas.

Essa mudança não é conceitual, ela é de arquitetura mesmo. A IA está levando o digital para uma lógica que sempre existiu no mundo físico. Ninguém entra em uma loja física gritando palavras-chave para um vendedor (adorei essa referência que ouvi na palestra!). Hoje, consumidores e usuários fazem exatamente isso nos ambientes generativos. Descrevem situações completas, e esperam respostas igualmente completas. GEO não é sobre tráfego. É sobre confiança.

No mundo do GEO, motores generativos ou as LLMs não ranqueiam, eles selecionam. Não clicam, sintetizam. Não priorizam quem grita mais, mas quem demonstra autoridade real.

Reviews qualificadas, conteúdo especializado, FAQs bem construídos, produtores de conteúdo legítimos, especialistas reconhecidos e validação externa passam a pesar mais do que qualquer truque técnico. É a evolução natural do que já víamos no retail media: contexto + credibilidade + intenção.

A pergunta, portanto, mudou. Não é mais “como ranquear melhor ?”, mas:
por que uma IA confiaria na minha marca para responder essa pergunta ou esse prompt?

Para mim, o ponto mais disruptivo, e complexo, dessa transformação é que a decisão deixa de ser exclusivamente do usuário e passa a ser mediada por agentes inteligentes. Esses agentes não apenas respondem perguntas, eles interpretam contexto, cruzam dados, aprendem preferências. Nesse contexto, marcas precisam operar os conteúdos para sistemas de decisão. Ser relevante deixa de ser um exercício de visibilidade e passa a ser uma questão de arquitetura, dados, governança e inteligência aplicada.

GEO não mata o SEO, talvez o transcenda. As bases técnicas continuam importantes, porém já não são suficientes. Estamos migrando de um modelo de visibilidade para escolhas em nome do consumidor. Assim como o retail media redefiniu a relação entre marcas e varejo, o GEO redefine a relação entre marcas, consumidores e máquinas. Quem entender isso cedo não apenas será encontrado, será recomendado.

E, no fim, sempre foi disso que o varejo tratou: estar presente, no contexto certo, com a resposta certa. A diferença é que agora quem faz essa mediação não é apenas um buscador, é uma inteligência que aprende, lembra, influencia e até decide.