NRF 2026: o futuro da intenção
Na corrida para automatizar, crescer e monetizar, o verdadeiro diferencial competitivo é usar a tecnologia para entender a intenção do consumidor antes da compra
A inteligência artificial deixou de ser promessa futurista e passou a operar o varejo, da retaguarda à frente de loja. Assistentes virtuais, modelos preditivos e agentes de IA já estão embutidos nas decisões de estoque, preço, logística e marketing, com consultorias como a Gartner projetando que os gastos globais com IA superem a casa dos 2 trilhões de dólares em 2026.
Em outras palavras, entramos na fase operacional da IA. Dados proprietários viram ativo estratégico, consumidores se acostumam a conversar com máquinas para resolver tarefas do dia a dia e chatbots especializados em varejo já atuam como vendedores. Projeções da Forrester indicam que cerca de um quarto dos consumidores deve utilizar esses agentes em 2026 para descobrir e comprar produtos. Com isso, o debate sai do encantamento tecnológico e entra em perguntas duras de negócio: como essa IA melhora margem, aumenta produtividade do time, reduz ruptura, ou gera vendas incrementais?
Há, porém, um detalhe estratégico que nem todos enxergam com clareza: na corrida para automatizar, crescer e monetizar, o verdadeiro diferencial competitivo é usar a tecnologia para entender a intenção do consumidor antes da compra. Nesse contexto, é tentador delegar à IA toda a experiência de compra, com agentes que montam a lista, escolhem o melhor preço e fecham o pedido – tudo sozinhos. Parece eficiente, mas, como disse nosso CEO global, Bill Ready, isso é “construir uma experiência de compra para quem odeia fazer compras”.
No Pinterest, seguimos uma filosofia diferente: somos o destino digital de quem ama planejar e descobrir, não de quem quer terceirizar cada decisão. Para muita gente, comprar não é apenas resolver uma tarefa funcional; é projetar um futuro melhor. Em vez de uma caixa‑preta algorítmica, vemos a IA como copiloto de inspiração. Ela amplia o gosto, a criatividade e o repertório do usuário, enquanto abre espaço para que as marcas apareçam como parceiras nessa jornada.
É por isso que criamos o Pinterest Assistant, um assistente de compras e descoberta, visual‑first e multimodal, movido por IA e pensado para a inspiração, não para o scroll infinito. Treinado em um taste graph único, alimentado por bilhões de sinais de engajamento provenientes das interações de 600 milhões de pessoas que usam o Pinterest todos os meses, a ferramenta foi desenhada para o momento em que o usuário ainda está explorando: “quero montar uma varanda aconchegante”, “preciso de ideias de looks para o verão com o que eu já tenho”, “como adaptar essa cozinha dos meus sonhos a um espaço pequeno?”.
Ele consegue olhar para uma pasta cheia de Pins de festa, por exemplo, interpretar estilo, cores e clima, e sugerir itens específicos – da toalha de mesa à iluminação – com opções compráveis. Em vez de empurrar um atalho cego até o carrinho, o Pinterest Assistant coloca o usuário no volante: a IA sugere, combina e organiza; a pessoa escolhe e decide.
Não à toa, ouvimos na NRF frases como “Pinterest é onde eu vou para definir a minha estratégia” e “Pinterest é aspiracional. É um lugar perfeito para estratégia de preço cheio”. Ambas foram ditas em um painel com executivos de varejistas líderes e traduzem bem o papel que a plataforma passou a ocupar na cabeça das grandes marcas: o lugar onde a intenção nasce e se organiza.
A mensagem que levo da NRF 2026 é simples: a era da IA no varejo não será vencida por quem tiver o modelo mais sofisticado, e sim por quem souber onde – e como – aplicá‑lo. Se usamos IA apenas para apertar o funil no fim da jornada, perdemos a oportunidade de influenciar a decisão quando ela ainda está em construção.
Para o varejo brasileiro, trata-se menos de aderir a um hype tecnológico e mais de uma escolha estratégica: usar a IA para construir relações duradouras com consumidores que estão planejando o que vem pela frente. É nesse espaço – entre o primeiro Pin salvo e o próximo carrinho fechado – que o futuro do varejo será definido.