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Varejo brasileiro recua 1% em 2025, indica ICVA

Desempenho negativo reflete um ano pressionado pela inflação e pelo consumo mais cauteloso

i 8 de janeiro de 2026 - 13h52

Varejo

(Crédito: WinWin artlab/Shutterstock)

O varejo brasileiro encerrou o ano de 2025 com uma retração de 1% em termos reais, descontada a inflação, apesar do crescimento nominal de 4,1% no faturamento ao longo do ano. Isso é o que mostra o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA).

E 2025 foi o segundo ano consecutivo de queda no setor, segundo o índice. Em 2024, a retração havia sido de 0,8%, ou seja, menor do que a do ano passado.

Essa queda evidencia um ano pressionado pelo impacto acumulado da inflação, principalmente no primeiro semestre, pelo consumo mais cauteloso e por um consumidor que está cada vez mais seletivo nas decisões de compra.

Segundo ICVA, a desaceleração dos preços no segundo semestre do ano não foi suficiente para reverter o desempenho negativo do acumulado do ano. Isso sinaliza um desafio para o varejo em 2026.

Setores impactados

O setor de bens duráveis e semiduráveis apresentaram a maior retração em 2025 (2,6%), apesar do desempenho positivos de móveis, eletro e departamentos, que segurou a queda do setor. No entanto, o segmento de joalherias e óticas teve um recuo mais intenso para grupo como um todo.

O segmento de serviços também apresentou uma queda acentuada (1,9%) ano passado, com destaque negativo para alimentação – bares e restaurantes. No entanto, dentro desse segmento, turismo e transporte se destacaram positivamente ao longo de 2025, impulsionados pelos eventos, novas rotas internacionais e pelo aumento do fluxo de turistas estrangeiros.

O macrossetor que teve a retração mais leve, de 0,2% no ano, foi o de bens não duráveis. Dentro desse segmento, as maiores quedas foram em livrarias e papelarias enquanto drogarias e farmácias sustentaram o setor.

O quarto trimestre de 2025 manteve a trajetória de queda acentuada. Mesmo em um momento tradicionalmente aquecido para o varejo com as festas de fim de ano, houve um recuo de 1,8%, descontada a inflação, segundo o ICVA.

O macrossetor de bens duráveis e semiduráveis registrou uma queda de 4,2% no período e o de serviços, uma retração de 3,9%. Já o setor de bens não duráveis demonstrou maior resiliência, com leve crescimento real de 0,2%.

Além disso, em dezembro, o varejo apresentou uma retração real de 1,9%. O desempenho do mês foi influenciado por alguns fatores pontuais, como pelo calendário (visto que o Natal caiu em uma quarta-feira) e pelo avanço do e-commerce, que registrou alta nominal de 6,0% no período. Por sua vez, o varejo físico, por sua vez, teve um crescimento nominal de apenas 0,1%.

Entre os macrossetores, o de serviços apresentou queda real de 5,2% em dezembro, puxada pela alimentação – bares e restaurantes. Já bens não duráveis cresceram 0,4%, impulsionados por supermercados e hipermercados, enquanto bens Duráveis e semiduráveis recuaram 4,5%, apesar do desempenho positivo do setor de móveis, eletro e departamentos.

A força do e-commerce

Ao longo de 2025, um dos principais alicerces do varejo foi o e-commerce. De acordo com o ICVA, o canal teve desempenho superior às vendas presenciais no ano, muito por conta da busca por maior comparação de preços, conveniência e pela reação de categorias mais sensíveis à taxa de juros.