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Opinião

Da sensibilização à mudança

Em 11 anos de Think Olga, avançamos na agenda feminista com o poder da comunicação

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23 de maio de 2024 - 10h21

Há 11 anos, o assédio sexual em locais públicos era entendido como parte da vida. A visão e a cobertura machista da imprensa também. Há 11 anos, a sobrecarga das tarefas de cuidado feitas por mães, avós, filhas, trabalhadoras domésticas e cuidadoras eram só a vida acontecendo. Há 11 anos, os impactos das desigualdades de gênero e raça na saúde mental das mulheres eram coisas da vida. Há 11 anos a Think Olga foi criada para dar nome, forma, tamanho e profundidade às conversas públicas sobre gênero. Há 11 anos, ainda que estes debates já estivessem acontecendo dentro de ambientes importantes, eles não estavam necessariamente ao alcance da maioria da população. Apesar das disputas políticas cada vez mais intensificadas, temos uma certeza: a sociedade conhece muito mais a agenda feminista e os desafios das mulheres em 2024 do que em 2013.

Desde a nossa fundação entendemos que a comunicação é um campo fundamental, uma ferramenta-chave para as transformações que queremos no mundo. Um debate público qualificado e responsável sobre os obstáculos que a sociedade brasileira enfrenta para melhorar a vida das mulheres é crucial para avançar a agenda feminista. Disputar cada palavra-conceito, a imagem, os interlocutores, o tempo de fala ou de tela vai nos ajudar a chegar mais perto do impacto social na direção da justiça entre gêneros. Em 2013, nossa ONG nasce usando a comunicação em sua máxima potência com a campanha Chega de Fiu Fiu, criada para alertar as mulheres sobre o assédio sexual em espaços públicos. Mensagens poderosas se transformaram também em ampla conscientização e ação. A Chega de Fiu Fiu virou um mapa para identificar os locais de abusos e um documentário prestigiado nacionalmente. A iniciativa marcou uma geração de mulheres e se transformou na Lei de Importunação Sexual, sancionada em 2018, que prevê pena de até dois anos de reclusão para os assediadores (Lei 13.718/18).

De lá para cá, outros temas essenciais atravessaram nossa história. Desde o protagonismo e liderança feminina na lista de Mulheres Inspiradoras, até fomento ao debate de gênero no esporte, no jornalismo e no empreendedorismo. Em 2020, veio a Covid-19 e, com ela, a necessidade e urgência de se debater os efeitos da crise na Economia do Cuidado. Neste momento, foi criado o Lab Think Olga, uma plataforma com metodologia própria para geração de dados, compartilhamento do conhecimento e co-criação de exercícios de futuro, que hoje é nosso principal programa. Por meio dos Labs, a Think Olga já propôs debates sobre violência doméstica, autonomia das mulheres, violência política de gênero e saúde mental das mulheres, com efeitos comprovados no debate público, na criação de projetos no Legislativo Nacional e Estadual, além de apoiar a elaboração de políticas públicas que chegarão nos diferentes territórios atendendo a critérios de gênero, raça e classe social.

Nosso último projeto, Esgotadas, abordou o esgotamento emocional feminino e, quando falamos dele, milhões de estudantes vão se lembrar do tema da redação do Enem de 2023. Além disso, o assunto ganhou fôlego no setor público com a criação de um Marco Conceitual da Política Nacional de Cuidados do Brasil. Nós, como representantes da sociedade civil, reunimos mais de 100 contribuições para a consulta pública da política e estamos participando dos principais debates sobre o assunto.

Mas não vivemos só de notícias felizes, é verdade. Todos os dias continuamos vendo casos de assédio e violência. Todos os dias mulheres são subjugadas em suas decisões. Todos os dias desigualdades de gênero se acentuam. A Internet também é outra, pouco tem em comum com aquela dos tempos do Chega de Fiu Fiu. O feminismo está em disputa, os campos conservadores rapidamente aprenderam a lidar com os algoritmos, as big techs ditam a ordem e a atenção é fragmentada. Por isso tudo, buscamos a cada dia novas estratégias para levar as mensagens feministas cada vez mais longe, ler cenários, entender a história que é escrita no país e qual é a melhor forma de te contá-la. Essa é nossa teoria de mudança. Conhecemos o poder da comunicação e não vamos descansar enquanto pudermos contar as histórias que podem levar as mulheres além. E mais do que contar e inspirar, nosso convite é para você refletir e agir com a gente.

Mesmo nas dificuldades impostas, celebramos a caminhada ao lado de dezenas de profissionais (quase todas mulheres!) e inúmeras parcerias. Cada uma delas nos mostrando que sim, dá para fazer comunicação com alcance e significado, sendo simples e acessível sem perder a profundidade que nossa agenda pede. Porque a comunicação, dessa forma tão cuidadosa e estratégica que a Think Olga faz, não é o fim da nossa história. Pelo contrário: é o princípio e o meio para chegarmos mais longe. Queremos seguir levando as necessidades das mulheres às autoridades ao mesmo tempo em que buscamos traduzir conceitos complexos para a realidade do nosso cotidiano e assim gerar pressão social por melhorias. Queremos ser ponte e diálogo, contribuindo para mudanças em grande escala, sem perder de vista o contexto de cada uma.

Amanhã, semana que vem e por todo tempo que estivermos aqui, vamos reafirmar nosso compromisso por uma agenda feminista reconhecida pela sociedade e fortalecida pelo poder público. Podemos contar com você na próxima década dessa jornada?

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