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O poder da intuição

A IA gera as respostas, mas o diferencial competitivo real é a intuição humana para fazer a pergunta

Marcia Neri

CMO Mitsubishi Motors & Suzuki Vehicles 23 de março de 2026 - 17h02

A gente fala muito sobre IA como vantagem competitiva.

Mas, cada vez mais, tenho a sensação de que o diferencial não está na tecnologia.

Está na intuição.

Porque, no fundo, a IA já está se tornando acessível.

As ferramentas se multiplicam.

A execução acelera.

E, quando tudo isso acontece, o que diferencia não é mais quem faz. É quem decide. E decisão não é só lógica.

É contexto.
É repertório.
É sensibilidade.
É leitura de nuance.

É intuição.

A IA consegue gerar respostas. Mas não sabe o que vale a pena perguntar.

Consegue otimizar caminhos. Mas não escolhe direção.

Consegue analisar padrões. Mas não entende cultura.

E é aí que começa a vantagem competitiva de verdade.

Porque, em um cenário onde tudo pode ser produzido mais rápido, o valor migra para quem tem clareza, e não só capacidade.

Intuição não é “feeling”. Não é achismo.

É a síntese de tudo o que você viu, viveu e conectou ao longo do tempo.
É o que permite tomar decisão mesmo quando não existe dado suficiente.

E esse tipo de decisão vai se tornar cada vez mais crítico.

Principalmente porque estamos entrando em um momento em que a velocidade aumenta, a complexidade aumenta, e a ambiguidade também. E, nesse cenário, não dá pra esperar sempre pela resposta perfeita.

Alguém precisa decidir antes. E decidir bem.

Talvez o maior risco da IA não seja substituir pessoas. Mas fazer com que a gente pare de exercitar exatamente aquilo que nos diferencia dela.

Se tudo vira automático, o que acontece com o nosso julgamento?

Se tudo fica mais fácil, o que acontece com o nosso repertório?

Se tudo é sugerido, o que acontece com a nossa intenção?

No fim, a pergunta não é se a IA vai transformar o trabalho. Ela já está transformando.

A pergunta é: quem continua pensando?

Porque, no longo prazo, não vai ganhar quem usa melhor a IA.

Vai ganhar quem sabe quando usar e, principalmente, quando não usar.

E isso não é tecnologia. É intuição.