2026, um ano atípico
Frente à reforma tributária em fase de implementação, Copa do Mundo e eleições, como blindar os negócios?

(Crédito: Shutterstock)
O ano de 2026 não é para as amadoras. Pela primeira vez, o calendário brasileiro enfrenta uma combinação de forças que pode ser o “pesadelo” de qualquer fluxo de caixa despreparado: uma reforma tributária em fase de implementação, uma Copa do Mundo expandida (e ruidosa) no meio do ano e, para fechar o ciclo, o clima de polarização das eleições em outubro.
Muitas empresárias me procuram com o mesmo receio: “Eu devo pausar meus investimentos? O país vai parar?”. Minha resposta é curta e pragmática: o país não para, ele apenas muda de frequência. Se você não ajustar o seu rádio, vai ouvir apenas ruído enquanto sua concorrência sintoniza no lucro.
O maior erro em anos de instabilidade política e grandes eventos esportivos é a procrastinação estratégica. É esperar “ver o que acontece no segundo turno” ou “ver se o Brasil avança na Copa” para tomar decisões de investimento.
A instabilidade gera um fenômeno que chamo de “paralisia por comparação”. Enquanto o mercado discute o cenário político nos grupos de WhatsApp, a empresária de alta performance deve estar olhando para o único dado que ela realmente controla: a sua eficiência operacional. 2026 exige um planejamento antecipado e assimétrico.
Se o segundo semestre de 2026 será tomado pela euforia do futebol e pela tensão das urnas, sua “janela de ouro” é o primeiro semestre.
1: Antecipação de Caixa: Foque em campanhas agressivas de vendas e renovação de contratos entre março e maio. O objetivo é garantir o runway (fôlego financeiro) para que, em junho e julho, você possa operar com tranquilidade, mesmo com os feriados bancários e a dispersão do consumidor.
2: Eficiência sobre Volume: Em anos de inflação persistente e juros oscilantes, faturar muito pode ser perigoso se a sua margem for baixa. Ajuste os custos fixos agora. Se a “máquina” estiver pesada, ela vai travar no primeiro sinal de instabilidade.
Onde a maioria vê distração, vejo vácuo de mercado. Enquanto as grandes marcas estarão gastando milhões em publicidade genérica sobre a Copa, existe um espaço enorme para a hiperpersonalização.
O consumidor de 2026 está exausto de ruído. Ele busca marcas que ofereçam segurança e soluções práticas para o seu dia a dia. Se o seu negócio se posicionar como um “porto seguro”, mantendo a constância na entrega, atendimento humanizado e previsibilidade, você fideliza o cliente que a concorrência negligenciou porque estava “assistindo ao jogo”.
Por fim, entenda que o seu negócio é um reflexo direto da sua liderança. Se você se deixa levar pela euforia ou pelo medo das manchetes, seu time sentirá a instabilidade.
2026 não é o ano de “vender a qualquer custo”, mas de blindar o que já foi construído. Seja a líder que planeja o pior cenário para poder executar o melhor. O mercado pode estar em campo ou nas urnas, mas o seu faturamento deve estar sempre no seu controle.